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Questão de Português — Interpretação de Textos — Avança SP 2024

PortuguêsInterpretação de Textos
Código
qg081511
Banca
Avança SP
Órgão
FUNDAC de Ubatuba - SP
Ano
2024
Nível
Médio
Cargo
Agente Administrativo
Solidários na porta


   Vivemos a civilização do automóvel, mas atrás do volante de um carro o homem se comporta como se ainda estivesse nas cavernas. Antes da roda. Luta com seu semelhante pelo espaço na rua como se este fosse o último mamute. Usando as mesmas táticas de intimidação, apenas buzinando em vez de rosnar ou rosnando em vez de morder.

   O trânsito em qualquer grande cidade do mundo é uma metáfora para a vida competitiva que a gente leva, cada um dentro do seu próprio pequeno mundo de metal tentando levar vantagem sobre o outro, ou pelo menos tentando não se deixar intimidar. E provando que não há nada menos civilizado que a civilização. Mas há uma exceção. Uma pequena clareira de solidariedade no jângal. É a porta aberta. Quando o carro ao seu lado emparelha com o seu e alguém põe a cabeça para fora, você se prepara para o pior. Prepara a resposta. “É a sua!” Mas pode ter uma surpresa.

   — Porta aberta!

   — O quê?

   Você custa a acreditar que nem você nem ninguém da sua família está sendo xingado. Mas não, o inimigo está sinceramente preocupado com a possibilidade da porta se abrir e você cair do carro.

   A porta aberta determina uma espécie de trégua tácita. Todos a apontam. Vão atrás, buzinando freneticamente, se por acaso você não ouviu o primeiro aviso. “Olha a porta aberta!” é como um código de honra, um intervalo nas hostilidades. Se a porta se abrir e você cair mesmo na rua, aí passam por cima. Mas avisaram. Quer dizer, ainda não voltamos ao estado animal.


VERISSIMO, L. F. Verissimo antológico: meio século de crônicas, ou coisa parecida. São Paulo: Objetiva, 2020.
Vivemos a civilização do automóvel, mas atrás do volante de um carro o homem se comporta como se ainda estivesse nas cavernas. Antes da roda. Luta com seu semelhante pelo espaço na rua como se este fosse o último mamute.Na primeira sentença do excerto, a conjunção “mas” desempenha um papel relacionado à coesão textual. Trata-se de um recurso coesivo:
  1. Areferencial catafórico.
  2. Breferencial anafórico.
  3. Csequencial de oposição.
  4. Dsequencial de adição.
  5. Esequencial de explicação.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — sequencial de oposição.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Coesão Sequencial: A Conjunção "mas" e a Oposição

Gabarito: letra C. A conjunção "mas" na primeira sentença do excerto é um recurso coesivo sequencial de oposição, pois estabelece uma relação de contraste entre a ideia de vivermos na "civilização do automóvel" e o comportamento "como se ainda estivesse nas cavernas". O texto afirma: "Vivemos a civilização do automóvel, mas atrás do volante de um carro o homem se comporta como se ainda estivesse nas cavernas." O "mas" quebra a expectativa criada pela primeira parte, introduzindo uma informação que se contrapõe a ela.

O Comando e o Conceito Cobrado

A questão pede que você identifique o papel coesivo da conjunção "mas". Isso não é uma questão de interpretação de conteúdo, mas de gramática aplicada ao texto — especificamente sobre os mecanismos de coesão. A banca quer saber se você distingue os dois grandes tipos de coesão:

  • Coesão referencial: ocorre quando um elemento do texto retoma (anáfora) ou antecipa (catáfora) outro elemento, evitando repetições. Exemplos: pronomes, sinônimos, elipses.

  • Coesão sequencial: ocorre quando um elemento conecta ideias, estabelecendo relações lógicas de continuidade, como adição, oposição, causa, conclusão, etc. Os principais recursos são os conectivos (conjunções, advérbios, locuções).

O enunciado já te dá a pista: "Trata-se de um recurso coesivo". A pergunta é: qual tipo? Como o "mas" não retoma nem antecipa um termo, ele não é referencial. Ele liga duas orações, estabelecendo uma relação de oposição entre elas. Portanto, é um recurso de coesão sequencial com valor adversativo.

A Técnica que Decide

Para resolver, pergunte: o conectivo retoma/antecipa um termo (referencial) ou conecta ideias (sequencial)? O "mas" conecta. Em seguida, pergunte: que relação lógica ele estabelece? O "mas" é a conjunção coordenativa adversativa por excelência — indica oposição, contraste, quebra de expectativa. No texto, a primeira parte afirma que vivemos na "civilização do automóvel" (algo moderno, evoluído); a segunda parte, introduzida por "mas", revela que, apesar disso, o homem se comporta como "nas cavernas" (algo primitivo). Há um claro contraste entre as duas ideias.

"Vivemos a civilização do automóvel, mas atrás do volante de um carro o homem se comporta como se ainda estivesse nas cavernas."

O "mas" sinaliza que a segunda informação contradiz a expectativa criada pela primeira. Não é adição (não soma ideias), não é explicação (não justifica), não é referência (não aponta para outro termo).

Análise das Alternativas

Coesão textual
  • 1Referencial
    • Anáfora (retoma)
    • Catáfora (antecipa)
  • 2Sequencial
    • Adição (e, também)
    • Oposição (mas, porém)
    • Explicação (porque, pois)
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Alternativa A — ❌ Incorreta

Referencial catafórico seria um elemento que antecipa uma informação que virá depois (ex.: "Isto é o que importa: estudar"). O "mas" não antecipa nada; ele apenas conecta duas orações já presentes. Erro: troca de conceito — confunde coesão sequencial com referencial.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Referencial anafórico seria um elemento que retoma algo dito antes (ex.: "Comprei um carro. Ele é vermelho"). O "mas" não retoma termo algum; ele liga ideias. Erro: troca de conceito — mesma confusão da alternativa A, mas com a direção invertida.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Sequencial de oposição é exatamente o papel do "mas": um conectivo que estabelece contraste entre as ideias. No texto, opõe "civilização do automóvel" a "comportamento das cavernas". A banca pede o papel coesivo, e o "mas" é um mecanismo de coesão sequencial com valor adversativo. Correta — é a única que descreve com precisão a função do conectivo.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Sequencial de adição seria o papel de conectivos como "e", "também", "além disso", que somam ideias. O "mas" não soma; ele opõe. Se fosse adição, o texto diria algo como "Vivemos a civilização do automóvel e atrás do volante...", o que não é o caso. Erro: troca de conceito — confunde o valor adversativo com o aditivo.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Sequencial de explicação seria o papel de conectivos como "porque", "pois", "já que", que justificam uma ideia. O "mas" não explica; ele contrasta. A segunda oração não é a causa da primeira, mas uma informação que se opõe a ela. Erro: troca de conceito — confunde o valor adversativo com o explicativo.

Conclusão

A questão é direta: o "mas" é uma conjunção coordenativa adversativa, e seu papel coesivo é sequencial de oposição. As alternativas A e B erram ao classificá-lo como referencial; D e E erram ao atribuir-lhe valores semânticos que ele não tem (adição e explicação). A única que acerta é a letra C.

PEGA ESSA DICA!

Ao identificar o papel de um conectivo, pergunte: ele retoma/antecipa (referencial) ou conecta ideias (sequencial)? Se conecta, qual relação: oposição, adição, causa, conclusão? O "mas" é o campeão da oposição.

Gabarito: letra C

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