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Questão de Português — Coesão e coerência — Avança SP 2024

PortuguêsCoesão e coerência
Código
qg081924
Banca
Avança SP
Órgão
FundArt de Ubatuba - SP
Ano
2024
Nível
Fundamental
Cargo
Auxiliar de Manutenção

Leia o texto a seguir para responder às questões de 1 a 10.


A verdade


Uma donzela estava um dia sentada à beira de um riacho, deixando a água do riacho passar por entre os seus dedos muito brancos, quando sentiu o seu anel de diamante ser levado pelas águas. Temendo o castigo do pai, a donzela contou em casa que fora assaltada por um homem no bosque e que ele arrancara o anel de diamante do seu dedo e a deixara desfalecida sobre um canteiro de margarida. O pai e os irmãos da donzela foram atrás do assaltante e encontraram um homem dormindo no bosque, e o mataram, mas não encontraram o anel de diamante. E a donzela disse:

— Agora me lembro, não era um homem, eram dois.

E o pai e os irmãos da donzela saíram atrás do segundo homem, e o encontraram, e o mataram, mas ele também não tinha o anel. E a donzela disse:

— Então está com o terceiro!

Pois se lembrara que havia um terceiro assaltante. E o pai e os irmãos da donzela saíram no encalço do terceiro assaltante, e o encontraram no bosque. Mas não o mataram, pois estavam fartos de sangue. E trouxeram o homem para a aldeia, e o revistaram, e encontraram no seu bolso o anel de diamante da donzela, para espanto dela.

— Foi ele que assaltou a donzela, e arrancou o anel de seu dedo, e a deixou desfalecida — gritaram os aldeões.

— Matem-no!

— Esperem! — gritou o homem, no momento em que passavam a corda da forca pelo seu pescoço. — Eu não roubei o anel. Foi ela que me deu!

E apontou para a donzela, diante do escândalo de todos. O homem contou que estava sentado à beira do riacho, pescando, quando a donzela se aproximou dele e pediu um beijo. Ele deu o beijo. Depois a donzela tirara a roupa e pedira que ele a possuísse, pois queria saber o que era o amor. Mas como era um homem honrado, ele resistira, e dissera que a donzela devia ter paciência, pois conheceria o amor do marido no seu leito de núpcias. Então a donzela lhe oferecera o anel, dizendo: “Já que meus encantos não o seduzem, este anel comprará o seu amor”. E ele sucumbira, pois era pobre, e a necessidade é o algoz da honra.

Todos se viraram contra a donzela e gritaram: “Rameira! Impura! Diaba!” e exigiram seu sacrifício. E o próprio pai da donzela passou a forca para o seu pescoço. Antes de morrer, a donzela disse para o pescador:

— A sua mentira era maior que a minha. Eles mataram pela minha mentira e vão matar pela sua. Onde está, afinal, a verdade?

O pescador deu de ombros e disse:

— A verdade é que eu achei o anel na barriga de um peixe. Mas quem acreditaria nisso? O pessoal quer violência e sexo, não histórias de pescador.


VERISSIMO, L. F. Verissimo antológico: meio século de crônicas, ou coisa parecida. São Paulo: Objetiva, 2020.

O pronome pessoal que ocorre no excerto “— Matem-no!” se refere:
  1. Aao pescador.
  2. Bà donzela.
  3. Cao pai da donzela.
  4. Daos irmãos da donzela.
  5. Eaos aldeões.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — ao pescador.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Referente do Pronome "no" em "Matem-no!"

Gabarito: letra A. O pronome pessoal oblíquo "no" em "Matem-no!" retoma "o homem" — o pescador —, como se comprova pela sequência narrativa: os aldeões gritam "Matem-no!" logo após afirmarem "Foi ele que assaltou a donzela". O pronome exerce função anafórica, retomando o termo antecedente mais próximo e semanticamente compatível.

"— Foi ele que assaltou a donzela, e arrancou o anel de seu dedo, e a deixou desfalecida — gritaram os aldeões.— Matem-no!"

O trecho é decisivo: o "ele" da fala dos aldeões refere-se ao homem que acabaram de trazer — o pescador — e o "no" de "Matem-no" retoma exatamente esse mesmo referente. A coesão referencial aqui é anafórica: o pronome aponta para um termo já mencionado no texto.

O comando da questão

A questão pede que se identifique o referente de um pronome oblíquo átono. Isso é uma tarefa de coesão referencial: entender a que termo do texto o pronome remete. Não se trata de interpretar o sentido global da crônica, mas de rastrear a cadeia de referência no trecho específico.

A técnica: rastrear o antecedente

Em "Matem-no!", o pronome "no" é a forma do pronome oblíquo "o" após verbo terminado em som nasal (matem + o = matem-no). Para achar o referente, pergunte: quem os aldeões querem matar? A resposta está na fala anterior: "Foi ele que assaltou a donzela". O "ele" aponta para o homem que foi trazido — o pescador. Portanto, o "no" retoma "o pescador".

Análise das alternativas

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

O pronome "no" refere-se ao pescador. A prova está na fala dos aldeões: "Foi ele que assaltou a donzela" — o "ele" é o homem que acabaram de trazer, o pescador. O "no" de "Matem-no!" retoma esse mesmo referente. A coesão é anafórica: o pronome aponta para um termo já mencionado.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A donzela é quem foi acusada depois, mas no momento do grito "Matem-no!" os aldeões querem matar o homem que trouxeram. A donzela não é o antecedente do pronome. A alternativa confunde o referente com outro personagem da narrativa.

Alternativa C — ❌ Incorreta

O pai da donzela é quem, mais tarde, passa a forca no pescoço da filha, mas não é o alvo do grito "Matem-no!". O pronome retoma o pescador, não o pai.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Os irmãos da donzela também não são o referente. Eles participam da ação, mas o grito "Matem-no!" é dirigido ao homem que foi trazido — o pescador.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Os aldeões são os que gritam "Matem-no!", ou seja, são o sujeito da oração, não o objeto. O pronome "no" é objeto direto e retoma o pescador, não quem fala.

NÃO CAIA NESSA!

A banca oferece personagens que participam da cena (donzela, pai, irmãos, aldeões) para confundir o referente. A chave é rastrear o antecedente do pronome na fala imediatamente anterior.

PEGA ESSA DICA!

Ao identificar o referente de um pronome, pergunte "quem?" ou "o quê?" na oração. O pronome oblíquo "no" é objeto direto e retoma o termo mais próximo e compatível.

Gabarito: letra A — o pronome "no" refere-se ao pescador.

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