Questão de Medicina — Pediatria e Neonatologia — Avança SP 2024
Medicina›Pediatria e Neonatologia
Código
qg082738
Banca
Avança SP
Órgão
Prefeitura de Araçariguama - SP
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Médico Pediatra
Um lactente de 6 meses apresenta febre alta, prostração, tosse seca e aumento da frequência respiratória. Ao exame físico, observa-se rinite purulenta e crepitações bilaterais nos pulmões. O hemograma revela leucocitose com neutrofilia e o raio-X de tórax demonstra pneumonia multilobar. Qual o agente etiológico mais provável?
AStaphylococcus aureus.
BStreptococcus pneumoniae.
CHaemophilus influenzae tipo b.
DMycoplasma pneumoniae.
EChlamydia pneumoniae.
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GabaritoB — Streptococcus pneumoniae.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Pneumonia adquirida na comunidade na infância: etiologia conforme a faixa etária
Gabarito: letra B (Streptococcus pneumoniae). Em lactentes de 6 meses, o pneumococo é o agente bacteriano mais comum de pneumonia adquirida na comunidade, especialmente quando o quadro é de início súbito, com febre alta, toxemia e consolidação multilobar ao raio-X — padrão clássico da pneumonia bacteriana supurativa. A faixa etária de 7 meses a 5 anos inclui o pneumococo como principal agente bacteriano, conforme a tabela de agentes etiológicos por idade.
A pneumonia adquirida na comunidade (PAC) é uma infecção aguda do parênquima pulmonar, e sua apresentação clínica varia conforme a idade da criança, o agente etiológico e a gravidade. O diagnóstico é essencialmente clínico-radiológico: febre, tosse, taquipneia e crepitações à ausculta, confirmados por infiltrado na radiografia de tórax. A taquipneia é o sinal mais sensível e específico, sendo definida por frequência respiratória acima do normal para a idade — em lactentes de 2 a 11 meses, acima de 50 movimentos por minuto.
A identificação do agente etiológico é limitada na prática pediátrica, pois a coleta de escarro é difícil e os exames complementares têm sensibilidade variável. Por isso, a idade da criança tem alto valor preditivo e é o principal indicador do agente envolvido. A tabela de agentes por faixa etária é a ferramenta central para essa decisão:
Faixa etária
Agentes etiológicos principais
Até 2 meses
Estreptococo do grupo B, enterobactérias, Listeria, Chlamydia trachomatis, S. aureus, vírus
2–6 meses
Chlamydia trachomatis, vírus, germes da pneumonia afebril, S. pneumoniae, S. aureus, Bordetella pertussis
7 meses a 5 anos
Vírus, S. pneumoniae, H. influenzae, S. aureus, Mycoplasma pneumoniae, M. tuberculosis
> 5 anos
Mycoplasma pneumoniae, Chlamydophila pneumoniae, S. pneumoniae, M. tuberculosis
Além da idade, as síndromes clínicas ajudam a diferenciar os agentes. A pneumonia bacteriana supurativa, causada principalmente pelo pneumococo, caracteriza-se por início súbito, febre alta, toxemia, achados focais à ausculta e infiltrado consolidativo ao raio-X — exatamente o quadro do lactente do enunciado. Já as pneumonias atípicas, por Mycoplasma ou Chlamydia, têm início gradual, febre baixa e infiltrado difuso, sendo mais comuns em escolares e adolescentes.
O hemograma também auxilia: leucocitose com neutrofilia e desvio à esquerda favorece etiologia bacteriana, embora não seja específico. A radiografia com consolidação multilobar reforça a hipótese de pneumonia bacteriana grave, mais compatível com pneumococo do que com os agentes atípicos, que costumam produzir infiltrados difusos e menos consolidativos.
A pegadinha desta questão está em considerar o Staphylococcus aureus como principal agente em lactentes. Embora o S. aureus apareça na faixa de 2 a 6 meses e possa causar pneumonia necrotizante com pneumatoceles, ele não é o agente mais provável em um quadro típico de pneumonia multilobar com febre alta e toxemia em lactente de 6 meses — o pneumococo é a primeira hipótese. A via hematogênica é mais comum no estafilococo, mas o quadro clássico de consolidação multilobar aponta para o pneumococo.
Guarde a fronteira entre pneumonia bacteriana supurativa (pneumococo) e pneumonia atípica (Mycoplasma/Chlamydia): é exatamente nela que as alternativas se dividem. O lactente de 6 meses com febre alta, toxemia e consolidação multilobar está no polo bacteriano supurativo, cujo principal agente é o Streptococcus pneumoniae.
Alternativa A — ❌ Incorreta
O Staphylococcus aureus é um agente possível em lactentes, especialmente na faixa de 2 a 6 meses, e pode causar pneumonia grave, frequentemente com pneumatoceles e necrose. No entanto, não é o agente mais provável no quadro descrito: a pneumonia pneumocócica é a mais comum em todas as faixas etárias pediátricas, e o padrão multilobar consolidativo é típico do pneumococo. O estafilococo seria mais provável em casos com pneumatocele ao raio-X ou após pneumonia viral.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
O Streptococcus pneumoniae é o agente bacteriano mais comum de pneumonia adquirida na comunidade em todas as faixas etárias pediátricas. No lactente de 6 meses, com febre alta, toxemia, leucocitose com neutrofilia e consolidação multilobar, o pneumococo é a primeira hipótese etiológica. A apresentação clínica de início súbito com febre alta e achados focais à ausculta é o padrão clássico da pneumonia pneumocócica.
Alternativa C — ❌ Incorreta
O Haemophilus influenzae tipo b é um agente possível na faixa de 7 meses a 5 anos, mas sua incidência diminuiu drasticamente com a vacinação universal contra Hib. Além disso, não é o agente mais comum nessa faixa etária — o pneumococo o supera em frequência. A pneumonia por Hib costuma ser grave, mas a vacinação tornou essa etiologia menos prevalente.
Alternativa D — ❌ Incorreta
O Mycoplasma pneumoniae é um agente atípico, mais comum em crianças acima de 5 anos e adolescentes. O quadro clínico típico é de início gradual, febre baixa, tosse seca e infiltrado difuso ao raio-X, diferente do quadro agudo e toxêmico com consolidação multilobar descrito no enunciado. Em lactentes de 6 meses, o Mycoplasma é menos provável.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A Chlamydia pneumoniae também é um agente atípico, mais comum em escolares e adolescentes. O quadro clínico é semelhante ao do Mycoplasma: início gradual, febre baixa e infiltrado difuso. Em lactentes de 6 meses, a Chlamydia trachomatis (não a pneumoniae) é o agente atípico relevante, mas causa pneumonia afebril com sibilância, não o quadro toxêmico descrito.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre os agentes bacterianos típicos e atípicos. O candidato que associa "lactente" a Staphylococcus aureus ou que confunde o quadro toxêmico com pneumonia atípica erra a questão. A chave é reconhecer o padrão supurativo (febre alta, toxemia, consolidação) e lembrar que o pneumococo é o agente bacteriano mais comum em todas as idades pediátricas.
PEGA ESSA DICA!
Memorize a tabela de agentes por faixa etária e associe cada padrão clínico ao agente: supurativo (pneumococo) = início súbito, febre alta, consolidação; atípico (Mycoplasma/Chlamydia) = início gradual, febre baixa, infiltrado difuso. Essa distinção resolve a maioria das questões de etiologia de pneumonia na infância.