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Questão de Português — Sintaxe — Avança SP 2024

PortuguêsSintaxe
Código
qg083034
Banca
Avança SP
Órgão
Prefeitura de Araçariguama - SP
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Professor de Ensino Básico II - Educação Artística

Texto para responder à questão.


Carnaval


Incipiente alegria na tarde carnavalesca. Os sambas passam nos automóveis abertos. Um vento beija a avenida larga, trêmula nas serpentinas, rodopia nos confetes, caminha na voz das cantigas. As moças lindas, em fantasias de cores vivas e leves, vão com os cabelos alvoroçados pelo vento. Meu amigo comprou 200 gramas metálicas. Andou pelas ruas que se animavam. Encheu os bolsos de confetes. Foi andando...


E na boca da noite vieram cordões, ranchos, blocos, bandos. A multidão encheu as ruas que a noite engoliu. Mas as luzes rebentaram de todos os lados e a garganta da massa se abriu em delírio. Meu amigo foi andando. Apertou-se entre homens excitados e mulheres que cantavam e riam. Entrou na confusão das raças irmanadas pelo prazer comum da carne. Alguém lhe jogou confetes na boca, lança-perfume nos olhos. Uma serpentina bateu em seu nariz. Um reco-reco gritou em seu ouvido. Foi andando. Um automóvel do corso quase o esmagou. Um bloco o arrastou pelo meio da massa, com força inelutável de uma corrente marinha. Uma mulher qualquer cantou à toa, para ele, uma frase de samba. Jogou um pouco de confetes no cabelo da mulher. Jogou-lhe éter no corpo. Ela defendeu-se e riu. Depois desapareceu, arrastada. Meu amigo foi andando. Tinha um cravo na lapela, um cravo que tirara da mesa do restaurante. Uma moça pediu a flor. Ele a encharcou de éter e fez presente. Foi andando. Automaticamente cantou sambas e marchas. Teve mil pequenas aventuras inconsequentes e rápidas. Um homem bêbado quis arrebatar o lança-perfume de sua mão. Foi andando. No meio de uma confusão, recebeu e distribuiu socos e empurrões sem saber de quem, para quem, por que, nem para quê.


Meu amigo entrou no baile. Agarrou-se ao ombro de uma mulher e foi no cordão, dançando, cantando, suando. Repetiu três vezes com o mesmo par a marchinha do momento. Apaixonou-se de repente por  uma fantasia, por um corpo, por uma risada. Bebeu. Meu amigo foi a outro baile. De madrugada, meu amigo saiu pela rua vazia, sem programa. Passavam os foliões cansados, as mulheres mais belas pela fadiga e pelo suor. Um homem grisalho carregava pelo braço uma adolescente que se queixava de dor nos pés.


Meu amigo arranjou uma mulher: a mulher que sempre aparece. A mulher que não vimos na rua nem no baile e que aparece na mesa do bar ou do restaurante, no último instante. Esguichou seu último lança-perfume nos braços e nos seios da mulher. Jogou os últimos confetes em seu cabelo. Ela repetiu um samba mil vezes repetido. Foram.


No caminho, meu amigo parou. No canto da calçada, um menino sujo e esfarrapado dormia. Dormia sobre um saco de estopa cheio de serpentinas que juntara para vender. Pararam. A mulher disse: coitadinho... Meu amigo olhou em silêncio o menino que dormia. Sentiu pena. Olhou a mulher. Balançou a bisnaga. Ainda havia um resto de éter. Jogou na perna da criança, que acordou assustada. A mulher disse: você é ruim! coitadinho... A criança ficou olhando estremunhada, resmungou um xingamento e tornou a dormir. Meu amigo jogou a bisnaga no asfalto. Sentia-se bêbado. Apertou a mulher contra seu corpo e mandou parar um automóvel que passava. No apartamento, antes de deitar-se, olhou-se no espelho do guardaroupa. Fantasiado. Exausto. Beijou a mulher na boca como se beija uma noiva. E pensou desanimado: eu sou um folião. Evoé!


 BRAGA, R. O Conde e o passarinho e Morro do Isolamento. 5ª Ed. Rio de Janeiro: Record, 1982.

Considere o excerto: “E na boca da noite vieram cordões, ranchos, blocos, bandos. A multidão encheu as ruas que a noite engoliu. Mas as luzes rebentaram de todos os lados e a garganta da massa se abriu em delírio.” No contexto apresentado, a conjunção ‘mas’ exprime:
  1. Aoposição.
  2. Badição.
  3. Cconcessão.
  4. Dcondição.
  5. Eintensidade.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — oposição.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

A Conjunção 'mas' e o Valor de Oposição

Gabarito: letra A. No excerto, a conjunção 'mas' exprime oposição (adversidade), pois introduz uma ideia que contrasta com a expectativa criada pela oração anterior: a multidão encheu as ruas que a noite engoliu, mas as luzes rebentaram de todos os lados. A passagem que ancora essa leitura é:

"A multidão encheu as ruas que a noite engoliu. Mas as luzes rebentaram de todos os lados e a garganta da massa se abriu em delírio."

A conjunção 'mas' é a coordenativa adversativa por excelência, e aqui ela marca a quebra de expectativa entre a escuridão da noite e a explosão de luzes que ilumina a festa.

O Comando

A questão pede que você identifique o valor semântico da conjunção 'mas' no contexto apresentado. Isso significa que não basta saber a classificação geral da conjunção; é preciso analisar a relação de sentido que ela estabelece entre as orações dentro do trecho. O comando "exprime" indica que a banca quer o efeito de sentido que a conjunção produz, e não uma classificação morfológica isolada.

O Texto e o Movimento Argumentativo

O trecho descreve a chegada da noite e a reação da multidão. Primeiro, há uma imagem de escuridão e engolfamento: "A multidão encheu as ruas que a noite engoliu". Essa imagem sugere que a noite domina, que tudo será tomado pela escuridão. Em seguida, a conjunção 'mas' introduz uma virada: "as luzes rebentaram de todos os lados". A escuridão é subitamente vencida pela luz, e a multidão, antes engolida, agora se abre em delírio. O 'mas' é o pivô dessa virada, marcando a oposição entre a noite que engole e as luzes que rebentam.

A Técnica que Decide

A conjunção 'mas' é, por definição, uma conjunção coordenativa adversativa. Ela liga orações estabelecendo uma relação de oposição, contraste ou quebra de expectativa. No trecho, a oposição é clara: a noite (escuridão) versus as luzes (claridade). A oração introduzida por 'mas' contraria a expectativa criada pela oração anterior. Para confirmar, basta tentar substituir 'mas' por outra adversativa, como 'porém' ou 'contudo': "A multidão encheu as ruas que a noite engoliu; porém as luzes rebentaram..." — o sentido de contraste permanece. Se tentássemos substituir por uma aditiva ('e'), o sentido de quebra de expectativa se perderia.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre oposição e concessão. A concessão ('embora', 'ainda que') também expressa contraste, mas com um matiz de "quebra de expectativa" em que a oração subordinada apresenta um fato que não impede a realização do fato da oração principal. No trecho, 'mas' não introduz uma oração subordinada concessiva, mas sim uma oração coordenada adversativa que se opõe diretamente à anterior.

1Coordenativa adversativa
Oposição
Contraste
Quebra de expectativa
2Não é concessiva
Concessão = subordinativa
'embora', 'ainda que'
3Não é aditiva
Adição = 'e', 'nem'
Conjunção 'mas'
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Conjunção 'mas': Coordenativa adversativa (Oposição, Contraste, Quebra de expectativa); Não é concessiva (Concessão = subordinativa, 'embora', 'ainda que'); Não é aditiva (Adição = 'e', 'nem')

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A conjunção 'mas' é a coordenativa adversativa típica. No trecho, ela estabelece uma oposição entre a imagem da noite que engole as ruas e a imagem das luzes que rebentam. A passagem "A multidão encheu as ruas que a noite engoliu. Mas as luzes rebentaram de todos os lados" mostra claramente o contraste: a escuridão é sucedida pela luz, e a multidão, antes engolida, agora se abre em delírio. O 'mas' marca essa virada de sentido, expressando oposição.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A alternativa erra ao classificar 'mas' como adição. A adição é expressa por conjunções como 'e', 'nem', 'não só... mas também'. O 'mas' não soma ideias; ele as contrapõe. No trecho, a oração "as luzes rebentaram" não se soma à ideia de "a noite engoliu"; ela se opõe a ela. A banca tenta confundir o candidato que não percebe o contraste entre escuridão e luz.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A alternativa erra ao classificar 'mas' como concessão. A concessão é expressa por conjunções subordinativas como 'embora', 'ainda que', 'conquanto'. A concessão também envolve contraste, mas em uma estrutura subordinada: "Embora a noite tenha engolido as ruas, as luzes rebentaram". No trecho, 'mas' liga orações coordenadas, não subordinadas, e o contraste é direto, sem o matiz de "fato que não impede outro". A banca explora a semelhança entre oposição e concessão para confundir.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A alternativa erra ao classificar 'mas' como condição. A condição é expressa por conjunções subordinativas como 'se', 'caso', 'contanto que'. A condição estabelece uma relação de dependência: "Se as luzes rebentarem, a multidão se abre em delírio". No trecho, não há relação de condição; há uma relação de contraste. A banca oferece uma classificação que não se aplica ao contexto.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A alternativa erra ao classificar 'mas' como intensidade. Intensidade é um valor semântico de advérbios como 'muito', 'bastante', 'demais', ou de construções como "tão... que". A conjunção 'mas' não expressa intensidade; ela expressa oposição. A banca oferece uma classificação que não se aplica a conjunções coordenativas.

Conclusão: A questão testa o reconhecimento do valor semântico das conjunções coordenativas. A chave é identificar a relação de sentido que a conjunção estabelece no contexto. No trecho, 'mas' marca a oposição entre a noite que engole e as luzes que rebentam. As demais alternativas oferecem valores semânticos que não se aplicam ao contexto, explorando a confusão entre oposição, concessão e adição.

Gabarito: letra A

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