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Questão de Medicina — Epidemiologia — Avança SP 2024

MedicinaEpidemiologia
Código
qg084270
Banca
Avança SP
Órgão
Prefeitura de Caconde - SP
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Médico Coordenador Clínico
Em relação à epidemiologia da hanseníase, é correto afirmar:
  1. APossui baixa letalidade.
  2. BTem maior ocorrência em crianças e idosos.
  3. CPossui alta mortalidade.
  4. DApresenta baixa tendência de estabilização dos coeficientes de detecção no Brasil.
  5. ENão há relação entre a endemicidade da doença e os índices de desenvolvimento humano.
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GabaritoA — Possui baixa letalidade.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Epidemiologia da hanseníase

Gabarito: letra A. A hanseníase é uma doença infecciosa crônica, curável, que raramente leva ao óbito — por isso possui baixa letalidade —, mas que se destaca pelo grande potencial incapacitante, especialmente quando o diagnóstico é tardio. As demais alternativas distorcem o perfil epidemiológico da doença: ela acomete predominantemente adultos em idade economicamente ativa (20 a 50 anos), não crianças e idosos; apresenta tendência decrescente dos coeficientes de detecção no Brasil; e tem relação direta com os índices de desenvolvimento humano.

A hanseníase é causada pelo Mycobacterium leprae, um bacilo álcool-ácido-resistente, de multiplicação lenta e não cultivável in vitro. A transmissão ocorre pelo contato direto e prolongado, pessoa a pessoa, por meio de aerossóis e secreções nasais de doentes sem tratamento. O período de incubação é longo, em média de 2 a 7 anos. Uma característica marcante é a alta infectividade e baixa patogenicidade: muitos se infectam, mas poucos adoecem, pois 90 a 95% da população geral tem boa resistência imunológica natural contra o bacilo.

O que define o perfil epidemiológico da doença é justamente essa combinação: ela é uma morbidade incapacitante, não uma causa relevante de mortalidade. O Ministério da Saúde destaca que, embora não represente causa básica de óbito, a hanseníase se destaca entre as morbidades incapacitantes, com milhões de pessoas sofrendo com sequelas em todo o mundo. É exatamente por isso que os indicadores de saúde mais importantes para a hanseníase são os coeficientes de detecção (casos novos) e de prevalência, e não a mortalidade ou letalidade.

A doença acomete ambos os sexos, com predomínio em homens, e ocorre em todas as idades, sobretudo em adultos entre 20 e 50 anos — a faixa etária economicamente ativa. A ocorrência em indivíduos com menos de 15 anos indica exposição precoce ao agente etiológico e está associada a maior nível de endemicidade. No Brasil, entre 2015 e 2019, houve predomínio de homens (55,3%), da faixa etária de 30 a 59 anos (54,4%) e de indivíduos com baixa escolaridade.

A relação com o desenvolvimento socioeconômico é clara: a hanseníase ocorre em pessoas de todos os níveis socioeconômicos, mas com maior incidência nos níveis mais baixos, pois a multiexposição está ligada a menores níveis de instrução, moradia e nutrição. O diagnóstico precoce, o tratamento oportuno e o desenvolvimento social são estratégias fundamentais para reduzir a prevalência da doença. No Brasil, a taxa de detecção vem apresentando tendência decrescente, com queda de 37,7% na última década, passando de 18,2 para 13,2 casos novos por 100 mil habitantes.

Guarde o par baixa letalidade × alto potencial incapacitante: é exatamente nessa fronteira que as alternativas se dividem. A banca explora a confusão entre mortalidade e morbidade, e entre os grupos etários mais acometidos.

1Perfil epidemiológico
Baixa letalidade
Alto potencial incapacitante
Alta infectividade, baixa patogenicidade
2Transmissão
Contato direto e prolongado
Aerossóis e secreções nasais
3Acometimento
Adultos 20-50 anos
Predomínio em homens
Baixa escolaridade
4Tendência no Brasil
Detecção decrescente
Queda de 37,7% na década
5Fatores associados
Menores níveis socioeconômicos
Menor instrução, moradia e nutrição
Hanseníase
LEVELsoulevel.com.br
Hanseníase: Perfil epidemiológico (Baixa letalidade, Alto potencial incapacitante, Alta infectividade, baixa patogenicidade); Transmissão (Contato direto e prolongado, Aerossóis e secreções nasais); Acometimento (Adultos 20-50 anos, Predomínio em homens, Baixa escolaridade); Tendência no Brasil (Detecção decrescente, Queda de 37,7% na década); Fatores associados (Menores níveis socioeconômicos, Menor instrução, moradia e nutrição)

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A hanseníase possui baixa letalidade, pois raramente causa óbito. O Ministério da Saúde afirma que a doença, embora não represente causa básica de óbito, se destaca entre as morbidades incapacitantes. O que a torna grave é o potencial de causar incapacidades físicas permanentes, especialmente quando o diagnóstico é tardio — não a mortalidade. É uma doença crônica, curável, com tratamento eficaz disponível no SUS.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A hanseníase não tem maior ocorrência em crianças e idosos. A doença ocorre em todas as idades, mas predomina em adultos entre 20 e 50 anos, a faixa etária economicamente ativa. No Brasil, entre 2015 e 2019, o predomínio foi na faixa de 30 a 59 anos (54,4% dos casos novos). A ocorrência em menores de 15 anos é um marcador importante de endemicidade (exposição precoce), mas representa uma minoria dos casos — 5,5% em 2019. A banca troca o grupo etário predominante.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A hanseníase não possui alta mortalidade. Pelo contrário, é uma doença de baixa letalidade, que raramente causa óbito. O erro aqui é confundir mortalidade com morbidade: a hanseníase é uma doença de alta morbidade incapacitante, mas não de alta mortalidade. A banca inverte o indicador de saúde — troca letalidade por mortalidade.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A afirmação está invertida. O Brasil apresenta tendência decrescente dos coeficientes de detecção da hanseníase, não baixa tendência de estabilização. Na última década (2010 a 2019), a taxa de detecção caiu 37,7%, passando de 18,2 para 13,2 casos novos por 100 mil habitantes, com redução em todas as regiões do país. A banca troca a direção da tendência: o que existe é queda, não estabilização.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A afirmação contraria a literatura. Há relação direta entre a endemicidade da hanseníase e os índices de desenvolvimento humano. A doença ocorre com maior incidência em níveis socioeconômicos mais baixos, pois a multiexposição está ligada a menores níveis de instrução, moradia e nutrição. O desenvolvimento social é uma das estratégias fundamentais para reduzir a prevalência da doença. A banca nega uma relação que é amplamente documentada.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre mortalidade/letalidade e morbidade/incapacidade. A hanseníase é uma doença de baixa letalidade, mas de alto potencial incapacitante — é isso que a torna um problema de saúde pública, não o risco de morte. Além disso, inverte a tendência dos coeficientes de detecção (que é decrescente, não estável) e nega a relação com o desenvolvimento socioeconômico. Fique atento: quando a questão falar de hanseníase, pense em incapacidade física, não em óbito.

PEGA ESSA DICA!

Para questões de epidemiologia de doenças endêmicas, monte um quadro mental com os indicadores-chave: incidência/detecção (casos novos), prevalência (casos em tratamento), mortalidade/letalidade (óbitos) e incapacidade (sequelas). Para a hanseníase, os dois primeiros e o último são os relevantes; a mortalidade é baixa. Compare com a tuberculose, que tem mortalidade relevante, e com a dengue, que tem letalidade baixa mas alta morbidade.

Gabarito: letra A

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