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Questão de Português — Morfologia - Verbos — Avança SP 2024

PortuguêsMorfologia - Verbos
Código
qg084882
Banca
Avança SP
Órgão
Prefeitura de Caçapava - SP
Ano
2024
Nível
Fundamental
Cargo
Auxiliar de Serviços Gerais - ASG

Leia o texto para responder a questão.



O bacana



        A rua ainda era a mesma. As mesmas casas. As mesmas árvores, só mais troncudas. Até o armazém do Espanhol (assim chamado por razões misteriosas, pois o dono sempre fora português) continuava lá. Ele desceu do carro e começou a caminhar pela calçada esburacada. Parou em frente à casa que tinha sido a dele. Era a maior da rua. Puxa. Sentiu um aperto na garganta. Quanta lembrança! O muro com as marcas da bola.



        Lembrou-se, então, com uma intensidade que quase o sufocou, do time. O Valores da Zona. Que tempo bom. Nunca mais fora tão feliz. A ideia do time tinha sido dele. Ele é que tinha bola. Ele é que contribuíra com a maior parcela, tirada de sua mesada, para a compra das camisetas. Lembrava ainda a formação do ataque: Venancinho, Alemão, ele, Mangola e Tobias da dona Ester, para diferenciar do Tobias da dona Inácia, que era beque.



        O Venancinho morava numa casa de madeira em frente à dele. Será que... Atravessou a rua e bateu na porta. Apareceu uma menina dos seus oito anos.



        — Quié.



        — O Venancinho ainda mora aqui?



        — Quem? — Venâncio. Venâncio, ahn...



        Tentou se lembrar do sobrenome. Inútil. Só se lembrava de Venancinho. Vulgo Bicudo.



        — Peraí — disse a menina, e fechou a porta.



        Nunca mais, desde aquele tempo, tivera tantos amigos. O grito de guerra do time era “Valores da Zona — Unidos! Unidos! Unidos!”. E eram unidos. Com eles provara o primeiro cigarro. Comprara as primeiras revistas de sacanagem. Lembrava das reuniões no galpão atrás da casa do Chico Babão. Os concursos de... Apareceu uma senhora.



        — Quer falar com quem?



        — O Venâncio ainda mora aqui?



        — Mora.



        — Ele está?



        — Está aposentado — disse a mulher, como se dissesse “só pode estar em casa”. E apontou para o próprio peito — Pulmão.



        — Será que eu posso falar com ele?



        — Qual é sua graça?



        Ele disse. Explicou quem era. A mulher tornou a fechar a porta. Ele ouviu a mulher gritando para alguém. Seu nome e sua descrição. E ouviu a voz de um homem exclamando:



        — Ih. É o Bacana...



        Não sabia que aquele era o seu apelido. Compreendeu tudo. Era como o chamavam pelas costas. Só porque sua casa era maior e ele tinha mesada. Segundos antes de se virar e voltar para o carro, teve um pensamento definitivo.



        — Só me deixavam jogar de centroavante porque a bola era minha…



VERISSIMO, L. F. Verissimo antológico: meio século de crônicas, ou coisa parecida. São Paulo: Objetiva, 2020.

Considere o excerto: “Nunca mais, desde aquele tempo, tivera tantos amigos.” Nesse contexto, a forma verbal “tivera” poderia ser substituída, sem prejuízo de sentido em relação ao tempo expresso, por:
  1. A“tem”.
  2. B“tinha”.
  3. C“tinha tido”.
  4. D“teria”.
  5. E“tivesse”.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — “tinha tido”.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Substituição de Forma Verbal: Pretérito Mais-que-perfeito Composto

Gabarito: letra C. A forma "tivera" é o pretérito mais-que-perfeito simples do indicativo, que expressa um fato passado anterior a outro fato passado. A substituição que preserva exatamente esse valor temporal é "tinha tido" — o pretérito mais-que-perfeito composto, formado pelo auxiliar "ter" no pretérito imperfeito + particípio. Como se lê no trecho: "Nunca mais, desde aquele tempo, tivera tantos amigos." — o narrador relembra um tempo passado (a época do time) e afirma que, antes daquele momento passado, nunca tivera tantos amigos. A forma composta "tinha tido" carrega o mesmo sentido de anterioridade.

O Comando

A questão pede uma substituição sem prejuízo de sentido em relação ao tempo expresso. Isso significa que a alternativa correta deve manter o mesmo valor temporal da forma original — não basta ser sinônima ou gramaticalmente correta; é preciso que o tempo verbal seja equivalente. Aqui, o foco está na flexão verbal de tempo, especificamente no pretérito mais-que-perfeito.

O Texto e o Contexto

No excerto, o narrador (o "Bacana") relembra sua infância e o time de futebol "Valores da Zona". A frase "Nunca mais, desde aquele tempo, tivera tantos amigos" expressa uma comparação entre dois momentos passados: o momento em que ele tinha muitos amigos (a época do time) e o momento atual da narrativa (quando volta à rua). O verbo "tivera" indica que, antes daquele tempo passado (a época do time), ele nunca havia tido tantos amigos — ou seja, a ação de "ter amigos" é anterior ao momento passado de referência.

A Técnica: Pretérito Mais-que-perfeito Simples × Composto

O pretérito mais-que-perfeito simples (tivera, fizera, dissera) expressa um fato passado anterior a outro fato passado. Exemplo: "Quando cheguei, ele já saíra" — a saída ocorreu antes da chegada. Já o pretérito mais-que-perfeito composto é formado pelo auxiliar ter (ou haver) no pretérito imperfeito + particípio do verbo principal: "tinha saído", "havia saído". Ambos os tempos têm o mesmo valor temporal — anterioridade a um fato passado — e são intercambiáveis na norma culta.

"Nunca mais, desde aquele tempo, tivera tantos amigos."

Aqui, "tivera" = "tinha tido". A substituição por "tinha tido" mantém o sentido de que, antes daquele tempo (a época do time), ele nunca havia tido tantos amigos. É exatamente o que a alternativa C propõe.

Análise das Alternativas

  1. 1Identificar o tempo da forma original
  2. 2Buscar equivalente composto
  3. 3Conferir o valor temporal
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Alternativa A — ❌ Incorreta

"tem" é o presente do indicativo, que expressa um fato que ocorre no momento da fala ou habitual. Substituir "tivera" por "tem" mudaria o tempo para o presente, eliminando a anterioridade passada. O texto fala de um tempo passado ("desde aquele tempo"), então o presente não se sustenta. Erro: troca de tempo verbal (presente × pretérito).

Alternativa B — ❌ Incorreta

"tinha" é o pretérito imperfeito do indicativo, que expressa um fato passado habitual, contínuo ou simultâneo a outro. Embora seja um tempo passado, o imperfeito não indica anterioridade a outro fato passado — indica um passado em curso. "Nunca mais tinha tantos amigos" soaria como uma descrição de um estado passado, sem a noção de que aquele estado era anterior a outro momento passado. Erro: confusão entre pretérito imperfeito e mais-que-perfeito.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"tinha tido" é o pretérito mais-que-perfeito composto do indicativo, formado por "tinha" (auxiliar no imperfeito) + "tido" (particípio de "ter"). Esse tempo expressa exatamente o mesmo valor do mais-que-perfeito simples: um fato passado anterior a outro fato passado. A substituição é perfeita, pois mantém o sentido temporal sem qualquer prejuízo.

Alternativa D — ❌ Incorreta

"teria" é o futuro do pretérito do indicativo, que expressa um fato futuro em relação a um passado, geralmente hipotético ou condicional. "Nunca mais teria tantos amigos" indicaria uma possibilidade ou consequência imaginada, não um fato passado anterior. Erro: troca de tempo (futuro do pretérito × mais-que-perfeito).

Alternativa E — ❌ Incorreta

"tivesse" é o pretérito imperfeito do subjuntivo, usado em orações condicionais ou hipotéticas. "Nunca mais tivesse tantos amigos" não faz sentido na frase, pois o subjuntivo expressa dúvida ou irrealidade, não um fato passado real. Erro: troca de modo (subjuntivo × indicativo).

Conclusão

A única alternativa que preserva o tempo verbal do original é a letra C, pois "tinha tido" é o equivalente composto do pretérito mais-que-perfeito simples "tivera". As demais alternativas alteram o tempo ou o modo, mudando o sentido da frase.

PEGA ESSA DICA!

Ao substituir formas verbais, identifique primeiro o tempo e o modo da forma original. Pergunte: "que valor temporal ela expressa?" Depois, procure a alternativa que mantenha esse valor. Desconfie de formas que parecem passadas, mas têm valor diferente (como o imperfeito).

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre o pretérito mais-que-perfeito (tivera) e o pretérito imperfeito (tinha). O imperfeito indica um passado habitual ou contínuo, enquanto o mais-que-perfeito indica anterioridade a outro passado. Fique atento a essa diferença.

Gabarito: letra C

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