Paciente feminina, 82 anos, com histórico de perda progressiva de memória há 8 anos, associada a dificuldade em realizar tarefas cotidianas e alterações comportamentais.Considerando a suspeita de Doença de Alzheimer, qual dos seguintes biomarcadores é mais específico para o diagnóstico e qual achado imagenológico corrobora essa hipótese?
AElevação da proteína tau total no líquor e aumento do volume dos ventrículos laterais na ressonância magnética de crânio.
BRedução da proteína beta-amiloide no líquor e atrofia hipocampal na ressonância magnética de crânio.
CAumento da proteína alfa-sinucleína no líquor e hipometabolismo no córtex pré-frontal na tomografia por emissão de pósitrons (PET).
DElevação da proteína 14-3-3 no líquor e presença de corpos de Lewy na ressonância magnética de crânio.
ERedução da dopamina na substância negra e aumento do sinal na substância branca na ressonância magnética de crânio.
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GabaritoB — Redução da proteína beta-amiloide no líquor e atrofia hipocampal na ressonância magnética de crânio.
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Doença de Alzheimer: biomarcadores e neuroimagem
Gabarito: letra B. Na Doença de Alzheimer (DA), o biomarcador liquórico mais específico é a redução da proteína beta-amiloide (Aβ42), refletindo o acúmulo de placas amiloides no cérebro, e o achado de neuroimagem que corrobora a hipótese é a atrofia hipocampal na ressonância magnética (RM), pois o hipocampo é uma das primeiras estruturas afetadas. A alternativa B é a única que combina corretamente o biomarcador e o achado imagenológico característicos da DA.
A Doença de Alzheimer é a causa mais comum de demência, responsável por aproximadamente 70% dos casos em adultos mais velhos. O processo patológico começa no hipocampo e no córtex entorrinal, espalhando-se para áreas difusas do córtex de associação. Os dois biomarcadores centrais no líquido cefalorraquidiano (LCR) são a proteína beta-amiloide (Aβ) e a proteína tau (p-Tau). O beta-amiloide é o principal componente das placas senis, enquanto a proteína tau hiperfosforilada é o principal constituinte dos emaranhados neurofibrilares. Na DA, há uma redução da Aβ42 no LCR (porque ela se deposita nas placas) e um aumento da tau total e fosforilada (devido à degeneração neuronal). A classificação ATN-C (Amiloide, Tau, Neurodegeneração, Cognição) formaliza esses biomarcadores.
Na neuroimagem, a atrofia hipocampal é o achado mais característico e precoce da DA, visível na RM de crânio. O hipocampo, sendo o intermediário armazenador da memória de curto prazo, é uma das primeiras estruturas a sofrer degeneração, o que explica a amnésia anterógrada como marca clínica da doença. Outros achados incluem atrofia cortical difusa e alargamento ventricular, mas a atrofia hipocampal é o marcador mais específico e precoce. A tomografia por emissão de pósitrons (PET) com ligantes de amiloide também pode ser usada, mas a RM com atrofia hipocampal é o exame de imagem mais acessível e corrobora a hipótese diagnóstica.
A banca explora a confusão entre os biomarcadores de diferentes demências. É fundamental distinguir:
Biomarcador
Doença de Alzheimer
Outras demências
Beta-amiloide (Aβ42) no LCR
Reduzido
Normal ou variável
Tau total/fosforilada no LCR
Aumentado
Pode estar aumentado em outras neurodegenerações
Alfa-sinucleína
Normal
Aumentada na demência com corpos de Lewy
Proteína 14-3-3
Normal
Aumentada na doença de Creutzfeldt-Jakob
Dopamina na substância negra
Normal
Reduzida na demência com corpos de Lewy e Parkinson
A pegadinha central é associar biomarcadores de outras doenças à DA. A alfa-sinucleína é marcador de demência com corpos de Lewy; a proteína 14-3-3 é marcador de doença de Creutzfeldt-Jakob; a dopamina reduzida na substância negra é achado de parkinsonismo. A banca também troca o achado de imagem: o hipometabolismo no córtex pré-frontal é mais típico da demência frontotemporal, e o aumento do sinal na substância branca sugere doença vascular.
Guarde a tríade que decide a questão: DA = Aβ42 reduzido + tau aumentado + atrofia hipocampal. É exatamente essa combinação que separa a alternativa correta das demais.
Biomarcadores DA
1Líquor
Beta-amiloide (Aβ42) reduzido
Tau total/fosforilada aumentado
2Neuroimagem
Atrofia hipocampal (RM)
Hipometabolismo temporoparietal (PET)
3Outras demências
Corpos de Lewy: alfa-sinucleína
Creutzfeldt-Jakob: proteína 14-3-3
Parkinsonismo: dopamina reduzida
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Alternativa A — ❌ Incorreta
A elevação da proteína tau total no LCR é um achado inespecífico, presente em várias neurodegenerações, e não é o biomarcador mais específico para DA. Além disso, o aumento do volume dos ventrículos laterais (hidrocefalia ex vacuo) é um achado inespecífico de atrofia cerebral difusa, não sendo o achado imagenológico que corrobora especificamente a hipótese de DA. O achado característico é a atrofia hipocampal, não o alargamento ventricular isolado.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A redução da proteína beta-amiloide (Aβ42) no líquor é o biomarcador mais específico para DA, pois reflete o depósito de placas amiloides no parênquima cerebral. A atrofia hipocampal na ressonância magnética é o achado de neuroimagem que corrobora a hipótese, pois o hipocampo é uma das primeiras estruturas afetadas, explicando o déficit de memória episódica. A combinação desses dois achados é altamente sugestiva de DA.
Alternativa C — ❌ Incorreta
O aumento da alfa-sinucleína no LCR é biomarcador de demência com corpos de Lewy, não de DA. O hipometabolismo no córtex pré-frontal no PET é mais característico da demência frontotemporal, não da DA. Na DA, o hipometabolismo típico é nas regiões temporoparietais, e o achado de imagem mais específico é a atrofia hipocampal.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A elevação da proteína 14-3-3 no LCR é biomarcador de doença de Creutzfeldt-Jakob, uma demência rapidamente progressiva, não de DA. A presença de corpos de Lewy não é visualizada na ressonância magnética; eles são um achado anatomopatológico. A RM na demência com corpos de Lewy pode mostrar atrofia, mas não é específica para corpos de Lewy.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A redução da dopamina na substância negra é um achado de parkinsonismo (doença de Parkinson ou demência com corpos de Lewy), não de DA. O aumento do sinal na substância branca na RM sugere doença vascular cerebral (leucoaraiose), que é mais compatível com demência vascular, não com DA. Nenhum dos dois achados é característico da DA.
Gabarito: letra B — a única alternativa que associa corretamente o biomarcador liquórico (redução de beta-amiloide) e o achado de neuroimagem (atrofia hipocampal) típicos da Doença de Alzheimer.