Questão de Medicina — Hematologia — Avança SP 2024
Medicina›Hematologia
Código
qg089915
Banca
Avança SP
Órgão
Prefeitura de Paraty - RJ
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Médico ESF
As talassemias são um grupo de doenças hereditárias que afetam a produção de hemoglobina. Qual das seguintes alternativas descreve CORRETAMENTE a fisiopatologia da beta-talassemia major?
ADeficiência na produção da cadeia beta da globina, resultando em excesso de cadeias alfa que se precipitam e causam hemólise.
BDeficiência na produção da cadeia alfa da globina, resultando em excesso de cadeias beta que se precipitam e causam hemólise.
CMutação pontual no gene da globina beta, levando à produção de hemoglobina S, que polimeriza em condições de baixa oxigenação.
DDeficiência na produção da enzima ferroquelatase, resultando em acúmulo de ferro nos tecidos e danos orgânicos.
EDeficiência na produção da enzima glicose- 6-fosfato desidrogenase, tornando as hemácias mais suscetíveis à hemólise em situações de estresse oxidativo.
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GabaritoA — Deficiência na produção da cadeia beta da globina, resultando em excesso de cadeias alfa que se precipitam e causam hemólise.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Fisiopatologia da beta-talassemia major
Gabarito: letra A. Na beta-talassemia major, há deficiência na produção da cadeia beta da globina, o que leva ao acúmulo de cadeias alfa em excesso; essas cadeias alfa livres se precipitam nos eritroblastos e eritrócitos, causando hemólise intramedular e periférica. Esse é o mecanismo fisiopatológico central descrito na alternativa A.
A hemoglobina normal do adulto (HbA) é um tetrâmero composto por duas cadeias alfa e duas cadeias beta (α2β2). Nas talassemias, há um desequilíbrio na síntese das cadeias de globina: na beta-talassemia, a produção de cadeias beta está reduzida ou ausente, enquanto a produção de cadeias alfa permanece normal. O resultado é um excesso relativo de cadeias alfa, que não conseguem formar tetrâmeros funcionais e se acumulam nas células eritroides.
Essas cadeias alfa livres são instáveis e tendem a se precipitar, formando corpos de inclusão que danificam a membrana celular. Isso ocorre tanto na medula óssea (eritropoese ineficaz, com destruição intramedular dos precursores eritroides) quanto na circulação periférica (hemólise). A destruição precoce das hemácias leva a anemia hemolítica grave, esplenomegalia, eritropoese extramedular e sobrecarga de ferro, características da talassemia major.
É importante distinguir a beta-talassemia da alfa-talassemia. Na alfa-talassemia, a deficiência é na produção de cadeias alfa, resultando em excesso de cadeias beta (ou gama no feto). Os tetrâmeros de cadeias beta (HbH, β4) são mais solúveis e menos prejudiciais que os tetrâmeros de cadeias alfa, o que explica por que a alfa-talassemia costuma ser mais leve. Já na beta-talassemia, o excesso de cadeias alfa é particularmente tóxico, pois elas se precipitam facilmente.
A banca explora a confusão entre os dois tipos de talassemia: na beta, o excesso é de cadeias alfa; na alfa, o excesso é de cadeias beta (ou gama). A alternativa B inverte essa relação, descrevendo a fisiopatologia da alfa-talassemia como se fosse da beta. As demais alternativas misturam outras hemoglobinopatias e deficiências enzimáticas.
Guarde o par: beta-talassemia → excesso de cadeias alfa e alfa-talassemia → excesso de cadeias beta/gama. É exatamente nessa inversão que as alternativas se dividem.
Talassemias (defeito quantitativo)
1Beta-talassemia
Deficiência de cadeia beta
Excesso de cadeias alfa
Precipitação → hemólise
2Alfa-talassemia
Deficiência de cadeia alfa
Excesso de cadeias beta/gama
HbH (β4) mais solúvel
3Outras hemoglobinopatias
Doença falciforme (defeito qualitativo)
HbS polimeriza em baixa O2
Deficiência de G6PD (defeito enzimático)
Hemólise por estresse oxidativo
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Descreve com precisão a fisiopatologia da beta-talassemia major: deficiência na produção da cadeia beta da globina, resultando em excesso de cadeias alfa que se precipitam e causam hemólise. Esse é o mecanismo clássico, confirmado pela literatura: as cadeias alfa em excesso formam agregados que danificam a membrana eritrocitária, levando à destruição precoce das hemácias.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Inverte a cadeia afetada: descreve a fisiopatologia da alfa-talassemia, não da beta. Na alfa-talassemia, há deficiência de cadeias alfa e excesso de cadeias beta (ou gama), que formam tetrâmeros como a HbH (β4). Na beta-talassemia, o excesso é de cadeias alfa, não beta. A banca troca as cadeias para confundir o candidato.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Descreve a doença falciforme (anemia falciforme), não a talassemia. A mutação pontual no gene da globina beta que leva à produção de hemoglobina S (HbS) e sua polimerização em condições de baixa oxigenação é característica da doença falciforme. Na talassemia, o defeito é na quantidade de cadeias produzidas, não na estrutura da hemoglobina.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Descreve a porfiria eritropoiética congênita ou a anemia sideroblástica, não a talassemia. A deficiência da enzima ferroquelatase, que catalisa a inserção do ferro na protoporfirina para formar o heme, leva ao acúmulo de ferro nas mitocôndrias dos eritroblastos (sideroblastos em anel), caracterizando a anemia sideroblástica. A sobrecarga de ferro na talassemia é secundária à hemólise e às transfusões, não à deficiência enzimática.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Descreve a deficiência de glicose-6-fosfato desidrogenase (G6PD), uma deficiência enzimática que torna as hemácias suscetíveis à hemólise sob estresse oxidativo. Não é a fisiopatologia da talassemia, que é um defeito na síntese de globina, não enzimático.
NÃO CAIA NESSA!
A banca adora inverter as cadeias de globina entre alfa e beta-talassemia. Na beta, o excesso é de cadeias alfa; na alfa, o excesso é de cadeias beta (ou gama). Memorize essa relação e você elimina a alternativa B na hora. 💪
PEGA ESSA DICA!
Para diferenciar as hemoglobinopatias, foque no mecanismo: talassemias = defeito quantitativo (produção reduzida de uma cadeia); doença falciforme = defeito qualitativo (hemoglobina S estruturalmente anormal); deficiência de G6PD = defeito enzimático. Essa tríade cobre a maioria das questões.