Questão de Medicina — Dermatologia — Avança SP 2024
Medicina›Dermatologia
Código
qg089921
Banca
Avança SP
Órgão
Prefeitura de Paraty - RJ
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Médico ESF
A terbinafina é um antifúngico comumente utilizado no tratamento da tinea capitis. Qual o seu mecanismo de ação?
AInibição da síntese de ergosterol, componente essencial da membrana celular fúngica, através da inibição da enzima esqualeno epoxidase.
BLigação aos esteróis da membrana celular fúngica, formando poros e causando a morte celular.
CInibição da síntese de DNA e RNA fúngico.
DInibição da síntese da parede celular fúngica.
EAtivação do sistema imune do hospedeiro contra o fungo.
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GabaritoA — Inibição da síntese de ergosterol, componente essencial da membrana celular fúngica, através da inibição da enzima esqualeno epoxidase.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Terbinafina: mecanismo de ação antifúngico
Gabarito: letra A. A terbinafina atua inibindo a enzima esqualeno epoxidase, bloqueando a síntese de ergosterol, componente essencial da membrana celular fúngica. Essa é a base farmacológica da classe das alilaminas, à qual a terbinafina pertence.
A terbinafina é um antifúngico da classe das alilaminas, amplamente utilizado no tratamento de dermatofitoses, incluindo a tinea capitis. Seu mecanismo de ação é distinto dos azólicos (como cetoconazol, itraconazol e fluconazol), que inibem a enzima lanosterol 14α-desmetilase, também na via de síntese do ergosterol, mas em etapa diferente. A terbinafina age mais precocemente na via, inibindo a esqualeno epoxidase, enzima que converte esqualeno em 2,3-oxidoesqualeno. O bloqueio dessa etapa tem duplo efeito: (1) depleção de ergosterol, que compromete a integridade e fluidez da membrana fúngica; e (2) acúmulo tóxico de esqualeno, que se deposita na membrana e aumenta sua permeabilidade, levando à morte celular. Esse mecanismo confere à terbinafina ação predominantemente fungicida, ao contrário dos azólicos, que são principalmente fungistáticos.
Na prática clínica, a terbinafina é eficaz contra dermatófitos (Trichophyton, Microsporum, Epidermophyton), sendo uma das opções de primeira linha para tinea capitis, especialmente em adultos e crianças acima de certa idade, com esquemas de tratamento mais curtos (ex.: 4 semanas) em comparação à griseofulvina. A via oral é preferida para tinea capitis, pois a medicação tópica não penetra adequadamente no folículo piloso e no interior do cabelo.
A distinção crucial que a banca explora é entre os mecanismos das diferentes classes de antifúngicos: alilaminas (terbinafina, naftifina) inibem a esqualeno epoxidase; azólicos (cetoconazol, itraconazol, fluconazol, voriconazol) inibem a lanosterol 14α-desmetilase; polienos (anfotericina B, nistatina) ligam-se ao ergosterol formando poros; equinocandinas (caspofungina, micafungina, anidulafungina) inibem a síntese de β-glucana da parede celular; e flucitosina (5-FC) inibe a síntese de DNA/RNA. A alternativa B descreve o mecanismo dos polienos; a C, o da flucitosina; a D, o das equinocandinas; e a E não corresponde a nenhum antifúngico, sendo um mecanismo imunomodulador inespecífico.
Guarde essa fronteira entre as classes: é exatamente nela que as alternativas se dividem. A pegadinha está em confundir a terbinafina (alilamina) com os azólicos ou com os polienos, que são as classes mais conhecidas.
Antifúngicos: mecanismos de ação
1Alilaminas (terbinafina)
Inibe esqualeno epoxidase
Depleção de ergosterol
Acúmulo tóxico de esqualeno
Fungicida
2Azólicos (cetoconazol, itraconazol)
Inibe lanosterol 14α-desmetilase
Fungistático
3Polienos (anfotericina B, nistatina)
Liga-se ao ergosterol
Forma poros na membrana
4Equinocandinas (caspofungina)
Inibe síntese de β-glucana
Age na parede celular
5Flucitosina (5-FC)
Inibe síntese de DNA/RNA
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A terbinafina inibe a esqualeno epoxidase, enzima que converte esqualeno em 2,3-oxidoesqualeno na via de biossíntese do ergosterol. O acúmulo de esqualeno e a depleção de ergosterol comprometem a membrana celular fúngica, levando à morte do fungo. Esse é o mecanismo clássico das alilaminas, e a alternativa descreve exatamente isso.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A descrição de "ligação aos esteróis da membrana, formando poros" corresponde ao mecanismo dos polienos (anfotericina B, nistatina), que se ligam ao ergosterol e formam poros, causando extravasamento de conteúdo celular. A terbinafina não age dessa forma.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A inibição da síntese de DNA e RNA é o mecanismo da flucitosina (5-fluorocitosina), um antimetabólito que interfere na síntese de ácidos nucleicos fúngicos. Não é o mecanismo da terbinafina.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A inibição da síntese da parede celular fúngica é o mecanismo das equinocandinas (caspofungina, micafungina, anidulafungina), que inibem a síntese de β-glucana, componente da parede celular. A terbinafina age na membrana, não na parede.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A terbinafina não ativa o sistema imune do hospedeiro. Seu efeito é diretamente sobre o fungo, inibindo uma enzima fúngica. A ativação imune é um mecanismo de alguns imunomoduladores, mas não se aplica a antifúngicos como a terbinafina.
NÃO CAIA NESSA!
A banca troca o mecanismo da terbinafina (alilamina) pelo dos azólicos (inibição da lanosterol 14α-desmetilase) ou dos polienos (ligação ao ergosterol). Fique atento: a terbinafina inibe a esqualeno epoxidase, etapa inicial da síntese do ergosterol, enquanto os azólicos inibem etapa posterior. Com treino, você identifica essas trocas de longe 💪.
PEGA ESSA DICA!
Para memorizar, associe: Terbinafina → Esqualeno epoxidase (ambas começam com "E"); Azólicos → Atua na lanosterol desmetilase; Polienos → Poros na membrana; Equinocandinas → Esqueleto (parede) celular. Essa associação ajuda a fixar os mecanismos das principais classes de antifúngicos.