Questão de Medicina — Gastroenterologia — Avança SP 2024
Medicina›Gastroenterologia
Código
qg089932
Banca
Avança SP
Órgão
Prefeitura de Paraty - RJ
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Médico Gastroenterologista
Um paciente com suspeita de deficiência de vitamina B12 é submetido ao teste de Schilling. Esse teste é utilizado para investigar a causa da deficiência de absorção de B12. Qual é a principal metodologia do teste de Schilling?
AAdministração de vitamina B12 intramuscular com coleta de sangue para avaliar os níveis de B12.
BIngestão de vitamina B12 marcada com cobalto radioativo e medição da excreção urinária de B12 em 24 horas.
CBiópsia duodenal para medir a absorção de B12 e secreção gástrica de fator intrínseco.
DIngestão de cobalamina não marcada seguida de medição sérica de B12.
ETeste respiratório para medir a absorção de cobalamina marcada com carbono-13.
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GabaritoB — Ingestão de vitamina B12 marcada com cobalto radioativo e medição da excreção urinária de B12 em 24 horas.
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Teste de Schilling: metodologia e aplicação clínica
Gabarito: letra B. O teste de Schilling consiste na ingestão de vitamina B12 marcada com cobalto radioativo e na medição da excreção urinária dessa vitamina em 24 horas, após saturação dos estoques hepáticos com B12 não marcada. Essa é a metodologia clássica descrita na literatura médica, e é exatamente o que a alternativa B afirma.
O teste de Schilling é um exame funcional que avalia a absorção intestinal da vitamina B12 (cobalamina). A vitamina B12 é um micronutriente essencial cuja absorção depende de uma cadeia de eventos: ela se liga à proteína R salivar, no estômago as células parietais secretam o fator intrínseco (FI), no duodeno a tripsina pancreática libera a B12 da proteína R para que ela se ligue ao FI, e o complexo B12-FI é absorvido no íleo distal por receptores específicos. Qualquer falha nesse processo — falta de FI (anemia perniciosa, gastrectomia), insuficiência pancreática, supercrescimento bacteriano, doença ileal — pode levar à deficiência de B12.
O teste de Schilling quantifica essa absorção usando vitamina B12 radiomarcada. No estágio 1, após a injeção de 1.000 μg de vitamina B12 não marcada para saturar o armazenamento hepático, o paciente ingere 0,5 μg de vitamina radiomarcada. Coleta-se, então, uma amostra de urina para a medição de radioatividade; radioatividade reduzida sugere má absorção de vitamina B12. O teste é repetido (estágio 2) com a adição de fator intrínseco oral à vitamina B12 ingerida. Se a excreção urinária da vitamina radiomarcada for corrigida, o diagnóstico é de anemia perniciosa. Se a má absorção ainda estiver presente, o paciente recebe um ciclo de antibióticos orais de curta duração (estágio 3) e o teste é repetido; a correção da excreção de vitamina B12 radiomarcada confirma o supercrescimento bacteriano. Se o resultado do teste permanecer anormal, são administradas enzimas pancreáticas orais (estágio 4), e o teste é repetido; a correção da anormalidade nesse estágio implica deficiência pancreática. Por fim, se todas essas intervenções falharem, doença ileal ou ausência da proteína transcobalamina é determinada por outros exames complementares.
A pegadinha desta questão está em confundir a metodologia do teste de Schilling com outros métodos diagnósticos, como a dosagem sérica de B12, a biópsia duodenal ou o teste respiratório. O teste de Schilling é um teste de absorção, não um teste de dosagem sérica. Ele mede a excreção urinária de B12 radiomarcada, não os níveis sanguíneos. A alternativa B é a única que descreve corretamente essa metodologia.
Guarde a essência: o teste de Schilling avalia a absorção de B12 por meio da excreção urinária de B12 marcada com cobalto radioativo. É essa a característica que separa a alternativa correta das demais.
1Injeta B12 não marcada (satura fígado)
2Ingere B12 marcada com cobalto
3Coleta urina 24h
4Mede radioatividade excretada
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Alternativa A — ❌ Incorreta
A administração de vitamina B12 intramuscular com coleta de sangue para avaliar os níveis de B12 não é a metodologia do teste de Schilling. Essa descrição corresponde a um teste de dosagem sérica de B12, que é um exame laboratorial simples, não um teste de absorção. O teste de Schilling envolve a ingestão de B12 marcada, não a administração intramuscular.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa B descreve exatamente a metodologia do teste de Schilling: ingestão de vitamina B12 marcada com cobalto radioativo e medição da excreção urinária de B12 em 24 horas. Após a ingestão da B12 radiomarcada, a urina é coletada para medir a radioatividade, que reflete a quantidade de B12 absorvida e excretada. Essa é a descrição clássica do teste, conforme a literatura médica.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A biópsia duodenal para medir a absorção de B12 e a secreção gástrica de fator intrínseco não é a metodologia do teste de Schilling. A biópsia duodenal é um exame invasivo que avalia a mucosa intestinal, mas não mede a absorção de B12 de forma funcional. O teste de Schilling é um teste não invasivo que mede a excreção urinária de B12 radiomarcada, não a secreção de fator intrínseco.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A ingestão de cobalamina não marcada seguida de medição sérica de B12 não é a metodologia do teste de Schilling. Essa descrição corresponde a um teste de dosagem sérica de B12, que é um exame laboratorial simples, não um teste de absorção. O teste de Schilling utiliza B12 marcada com cobalto radioativo, não cobalamina não marcada.
Alternativa E — ❌ Incorreta
O teste respiratório para medir a absorção de cobalamina marcada com carbono-13 não é a metodologia do teste de Schilling. O teste respiratório com carbono-13 é usado para avaliar a absorção de outras substâncias, como a lactose ou a ureia, mas não é o método do teste de Schilling. O teste de Schilling utiliza cobalto radioativo, não carbono-13, e mede a excreção urinária, não a respiração.