O ataque isquêmico transitório (AIT) é uma condição neurológica que requer diagnóstico rápido e preciso. Sobre os cuidados e a identificação do AIT durante o exame físico, é correto afirmar que:
AA avaliação da pressão arterial e dos batimentos cardíacos é irrelevante para o diagnóstico do AIT.
BA presença de perda de sensibilidade ou paralisia em um lado do corpo é um sinal comum de AIT.
CA realização de tomografia computadorizada é desnecessária para descartar diagnósticos diferenciais no AIT.
DA febre e os calafrios são manifestações frequentes no AIT.
EA identificação de circulação colateral visível na pele é um sinal típico de AIT.
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GabaritoB — A presença de perda de sensibilidade ou paralisia em um lado do corpo é um sinal comum de AIT.
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Ataque Isquêmico Transitório (AIT): identificação e cuidados
Gabarito: letra B. O AIT é um episódio transitório de disfunção neurológica causado por isquemia focal, e a perda de sensibilidade ou paralisia em um lado do corpo (hemiparesia/hemi-hipoestesia) é um dos sinais clínicos mais comuns, refletindo o déficit neurológico focal típico. As demais alternativas distorcem a conduta correta: a pressão arterial é fundamental na avaliação (inclusive compõe o escore ABCD2), a tomografia é necessária para descartar diagnósticos diferenciais, e febre/calafrios ou circulação colateral visível na pele não são manifestações do AIT.
O ataque isquêmico transitório (AIT) é definido como um episódio transitório de disfunção neurológica provocado por isquemia focal do encéfalo e/ou retina, com duração de sintomas tipicamente menor que 1 hora e na ausência de evidência de infarto agudo. A definição atual enfatiza que, se houver sinais clínicos persistentes ou anormalidades características em exame de imagem, o diagnóstico passa a ser de acidente vascular cerebral isquêmico (AVCi). Essa distinção é crucial: o AIT não deixa sequelas permanentes, mas compartilha os mesmos mecanismos etiológicos do AVCi — aterosclerose, cardioembolia, doença de pequenos vasos — e representa um alerta para um risco elevado de AVCi iminente.
O risco de AVCi após um AIT é de cerca de 10% nos primeiros 90 dias, sendo maior nas primeiras 48 horas. Para estratificar esse risco, utiliza-se o escore ABCD2, que considera idade (≥60 anos), pressão arterial (≥140×90 mmHg), sintomas clínicos (fraqueza focal vale 2 pontos; alteração de fala sem fraqueza vale 1), duração dos sintomas (≥60 min vale 2; 10–59 min vale 1) e diabetes mellitus (1 ponto). Quanto maior o escore, maior o risco de AVCi em 48 horas. Por isso, a avaliação da pressão arterial não é apenas relevante — é um dos pilares da estratificação de risco e da decisão terapêutica.
Na prática clínica, o exame físico do paciente com suspeita de AIT deve ser completo e focado em déficits neurológicos focais. Os sinais mais comuns incluem fraqueza ou paralisia de um lado do corpo (hemiparesia), perda de sensibilidade em um lado (hemi-hipoestesia), alteração de fala (afasia ou disartria), desvio de rima labial, perda visual monocular (amaurose fugaz) e ataxia. Esses sintomas refletem a isquemia em um território vascular específico do encéfalo. A presença de perda de sensibilidade ou paralisia unilateral é, portanto, um sinal clássico e esperado — exatamente o que a alternativa B afirma.
Os diagnósticos diferenciais do AIT são os mesmos do AVCi, com ênfase na aura de enxaqueca, síncope e crises epilépticas. A tomografia computadorizada (TC) de crânio é um exame essencial na avaliação inicial, pois permite descartar hemorragia intracraniana e outras lesões estruturais que podem mimetizar um AIT. Embora a ressonância magnética seja preferível para detectar infartos agudos, a TC é amplamente disponível e obrigatória na emergência. A realização de TC não é desnecessária — é parte integrante do protocolo de investigação, conforme as diretrizes de AVC.
A banca explora a confusão entre AIT e outras condições. Febre e calafrios são manifestações sistêmicas de processos infecciosos, não de isquemia cerebral transitória. Circulação colateral visível na pele é um conceito de doenças vasculares periféricas (como na obstrução arterial crônica de membros), não do AIT. A alternativa A, ao afirmar que a pressão arterial é irrelevante, contraria frontalmente o escore ABCD2 e a conduta recomendada. A alternativa C, ao dizer que a TC é desnecessária, ignora a necessidade de excluir hemorragia e outros diagnósticos diferenciais. A alternativa D e E descrevem manifestações que não pertencem ao quadro clínico do AIT.
Guarde o critério decisivo: o AIT é uma síndrome clínica de déficit neurológico focal transitório, e o exame físico deve buscar exatamente esses sinais focais (fraqueza, perda de sensibilidade, alteração de fala). É nesse ponto que as alternativas se dividem — a correta descreve um sinal focal típico, enquanto as incorretas negam a importância da avaliação cardiovascular ou citam manifestações de outras doenças.
Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que a avaliação da pressão arterial e dos batimentos cardíacos é irrelevante. É exatamente o oposto: a pressão arterial é um dos critérios do escore ABCD2 (pressão ≥140×90 mmHg vale 1 ponto) e a avaliação cardíaca (ritmo, sopros, fibrilação atrial) é fundamental para identificar mecanismos cardioembólicos. A banca inverte a importância da avaliação cardiovascular, que é central na investigação etiológica do AIT.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A perda de sensibilidade ou paralisia em um lado do corpo (hemiparesia/hemi-hipoestesia) é um sinal clássico de déficit neurológico focal, típico do AIT. O escore ABCD2 inclusive pontua "fraqueza focal" com 2 pontos, reconhecendo-a como o sintoma mais específico. A alternativa espelha corretamente a apresentação clínica mais comum do AIT.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Diz que a tomografia computadorizada é desnecessária para descartar diagnósticos diferenciais. A TC de crânio é obrigatória na avaliação inicial de suspeita de AIT/AVC para excluir hemorragia intracraniana e outras lesões estruturais (tumores, abscessos) que podem mimetizar o quadro. A ressonância magnética é preferível para detectar infarto agudo, mas a TC é o exame de triagem inicial. A alternativa contraria a conduta recomendada.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Febre e calafrios são manifestações de processos infecciosos sistêmicos, não de isquemia cerebral transitória. O AIT não cursa com sintomas sistêmicos como febre. A banca tenta confundir o candidato associando o AIT a um quadro infeccioso, o que não tem respaldo clínico.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Circulação colateral visível na pele é um sinal de doença arterial periférica crônica (como na obstrução arterial de membros inferiores), não do AIT. O AIT é um evento intracraniano e não apresenta manifestações cutâneas. A alternativa mistura conceitos de diferentes especialidades vasculares.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a tendência de associar o AIT a sintomas sistêmicos (febre, calafrios) ou a sinais de outras doenças vasculares (circulação colateral na pele), quando o AIT é, por definição, um déficit neurológico focal transitório. O candidato que não domina a apresentação clássica do AIT pode ser induzido a marcar alternativas que descrevem manifestações de outras condições. Fique atento: o AIT sempre se manifesta com sintomas neurológicos focais, nunca com sintomas sistêmicos.
PEGA ESSA DICA!
Para questões de AIT, memorize o escore ABCD2 (Age, Blood pressure, Clinical symptoms, Duration, Diabetes) — ele é um dos temas mais cobrados e aparece tanto em questões de neurologia quanto de emergências. A pressão arterial e a fraqueza focal são os dois critérios que a banca mais explora em alternativas. Se a alternativa mencionar febre, calafrios ou sinais cutâneos, descarte imediatamente — não fazem parte do quadro.