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Questão de Medicina — Medicina Intensiva — Avança SP 2024

MedicinaMedicina Intensiva
Código
qg090070
Banca
Avança SP
Órgão
Prefeitura de Paraty - RJ
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Médico Plantonista Clínico Socorrista
No atendimento de emergência ao afogado em hipotermia grave, diversos cuidados específicos devem ser considerados. Sobre esses cuidados, é correto afirmar que:
  1. AO reaquecimento ativo externo é sempre o método preferencial em casos de hipotermia grave, independentemente da estabilidade cardiovascular do paciente.
  2. BA ventilação mecânica não invasiva deve ser evitada, pois aumenta o risco de bradicardia reflexa e de arritmias graves em pacientes hipotérmicos.
  3. CA reanimação cardiopulmonar (RCP) deve ser prolongada até que a temperatura corporal do paciente seja normalizada, mesmo que o tempo de submersão tenha sido superior a 60 minutos.
  4. DO uso de soluções intravenosas aquecidas para reaquecimento passivo interno é contraindicado, devido ao risco de sobrecarga de volume e piora da hipotermia.
  5. EA administração de drogas antiarrítmicas deve ser precoce em caso de arritmias, para evitar a deterioração hemodinâmica.
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GabaritoC — A reanimação cardiopulmonar (RCP) deve ser prolongada até que a temperatura corporal do paciente seja normalizada, mesmo que o tempo de submersão tenha sido superior a 60 minutos.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Afogamento em hipotermia grave: cuidados na emergência

Gabarito: letra C. Na parada cardiorrespiratória por hipotermia grave, a reanimação deve ser prolongada até a normalização da temperatura corporal, mesmo que o tempo de submersão tenha sido superior a 60 minutos — o frio protege o cérebro e outros órgãos, permitindo sobrevida sem sequelas neurológicas mesmo após submersões prolongadas. Essa conduta é respaldada pelas diretrizes de ressuscitação, que recomendam não encerrar a RCP até que o paciente atinja temperatura central entre 32 e 35°C.

O afogamento é uma causa de hipotermia acidental que pode levar à parada cardiorrespiratória. A hipotermia grave (temperatura central < 28°C) induz uma série de alterações fisiológicas que, paradoxalmente, conferem proteção ao organismo: redução do metabolismo cerebral, diminuição do consumo de oxigênio e preservação da viabilidade celular. É por isso que o tempo de submersão, que seria fatal em normotermia, não é critério absoluto para abandonar a reanimação no paciente hipotérmico. O ditado clássico da medicina de emergência resume: "ninguém está morto até estar quente e morto".

A abordagem do afogado hipotérmico envolve três pilares: (1) reaquecimento, que pode ser passivo (cobertores, ambiente aquecido) ou ativo (externo, com fontes de calor; ou interno, com fluidos aquecidos, lavagem de cavidades ou circulação extracorpórea); (2) suporte ventilatório e hemodinâmico, com intubação precoce e reposição volêmica com cristaloides; e (3) reanimação cardiopulmonar prolongada, com particularidades na administração de medicamentos e na realização de desfibrilação.

A escolha do método de reaquecimento depende da gravidade e da estabilidade cardiovascular. Em hipotermia leve, o reaquecimento passivo é suficiente. Em hipotermia moderada a grave, o reaquecimento ativo externo é indicado, mas deve ser usado com cautela em pacientes instáveis, pois pode causar "afterdrop" (queda adicional da temperatura central) e arritmias. Em hipotermia grave com instabilidade hemodinâmica ou parada cardíaca, o reaquecimento ativo interno (fluidos aquecidos, lavagem peritoneal/pleural, circulação extracorpórea) é o método de escolha. A ventilação não invasiva é geralmente mal tolerada em vítimas de afogamento, que costumam apresentar agitação e secreções abundantes, mas não há contraindicação absoluta relacionada a bradicardia reflexa. As drogas antiarrítmicas e a desfibrilação são menos eficazes em temperaturas baixas, sendo recomendado adiá-las até que a temperatura central atinja cerca de 30°C.

A pegadinha central desta questão é a inversão de conceitos: a banca apresenta condutas que parecem lógicas, mas contrariam as diretrizes. O candidato que não domina as particularidades da reanimação no hipotérmico tende a marcar a alternativa que parece mais "agressiva" (como administrar drogas precocemente) ou mais "segura" (como evitar reaquecimento ativo), quando a conduta correta é justamente a mais "extrema": prolongar a RCP até o reaquecimento completo. Guarde o critério decisivo: no hipotérmico, a RCP só deve ser encerrada após a normalização da temperatura, e as drogas/desfibrilação devem ser adiadas até ~30°C.

Conduta

Recomendação correta

Justificativa

Reaquecimento ativo externo

Não é sempre o método preferencial em hipotermia grave

Em instabilidade cardiovascular ou parada cardíaca, o reaquecimento ativo interno é o indicado; o externo pode causar "afterdrop" e arritmias

Ventilação não invasiva (VNI)

Não é contraindicada por risco de bradicardia reflexa ou arritmias

A VNI é mal tolerada por agitação e secreções, mas não há efeito arritmogênico direto

RCP prolongada

Deve ser mantida até a normalização da temperatura corporal

A hipotermia protege o cérebro; o tempo de submersão não é critério absoluto para encerrar a RCP

Soluções intravenosas aquecidas

São indicadas no reaquecimento ativo interno

O risco de sobrecarga de volume é manejado com monitorização; não há contraindicação

Drogas antiarrítmicas

Não devem ser administradas precocemente

Abaixo de 30°C são menos eficazes e podem acumular/toxicidade; adiar até ~30°C

Alternativa A — ❌ Incorreta

O reaquecimento ativo externo não é sempre o método preferencial em hipotermia grave. Em pacientes com instabilidade cardiovascular ou parada cardíaca, o reaquecimento ativo interno (fluidos aquecidos, lavagem de cavidades, circulação extracorpórea) é o mais indicado, pois o reaquecimento externo pode causar "afterdrop" e precipitar arritmias. A escolha do método depende da gravidade e da estabilidade do paciente, não sendo uma regra absoluta.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A ventilação mecânica não invasiva (VNI) não é contraindicada por aumentar risco de bradicardia reflexa ou arritmias. Na verdade, a VNI costuma ser mal tolerada em vítimas de afogamento (agitação, secreções, falta de colaboração), mas a razão é a intolerância clínica, não um efeito arritmogênico direto. A banca inventa um mecanismo fisiopatológico inexistente para justificar a contraindicação.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A reanimação cardiopulmonar deve ser prolongada até a normalização da temperatura corporal, mesmo com tempo de submersão superior a 60 minutos. A hipotermia confere proteção cerebral, e há relatos de sobrevivência sem sequelas após submersões prolongadas em água gelada. As diretrizes recomendam não encerrar a RCP até que o paciente atinja temperatura central entre 32 e 35°C, pois a recuperação neurológica completa é possível. O tempo de submersão, isoladamente, não é critério para abandonar a reanimação no hipotérmico.

Alternativa D — ❌ Incorreta

O uso de soluções intravenosas aquecidas é indicado no reaquecimento ativo interno de pacientes com hipotermia grave, e não contraindicado. O risco de sobrecarga de volume existe, mas é manejado com monitorização hemodinâmica e reposição criteriosa. A alternativa inverte a indicação: fluidos aquecidos são uma técnica simples, sem complicações significativas, e devem ser utilizados em todos os pacientes com hipotermia grave.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A administração de drogas antiarrítmicas não deve ser precoce em caso de arritmias no paciente hipotérmico. Em temperaturas abaixo de 30°C, os medicamentos são menos eficazes, podem se acumular e causar toxicidade quando o paciente for reaquecido. A recomendação é adiar a administração de drogas e a desfibrilação até que a temperatura central atinja cerca de 30°C, priorizando o reaquecimento como medida antiarrítmica principal.

Gabarito: letra C

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