Questão de Medicina — Medicina Intensiva — Avança SP 2024
Medicina›Medicina Intensiva
Código
qg090071
Banca
Avança SP
Órgão
Prefeitura de Paraty - RJ
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Médico Plantonista Clínico Socorrista
A eletroconcussão é uma emergência médica que pode causar lesões graves e comprometimento de múltiplos sistemas. Sobre a avaliação primária do paciente acometido por eletroconcussão, é correto afirmar que:
AA avaliação inicial deve priorizar a pesquisa de lesões térmicas nas extremidades, pois são as mais comuns e determinam a gravidade do quadro.
BA monitorização contínua do ritmo cardíaco é obrigatória, visto que arritmias fatais podem ocorrer mesmo após uma avaliação inicial normal.
CAs queimaduras externas são, na maioria das vezes, suficientes para determinar o grau de dano tecidual profundo, dispensando exames complementares imediatos.
DA parada cardiorrespiratória é um evento raro em eletroconcussão de alta voltagem, não devendo ser o foco inicial da abordagem de emergência.
EA avaliação neurológica inicial é dispensável, uma vez que as alterações de consciência são sempre evidentes logo após o acidente.
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GabaritoB — A monitorização contínua do ritmo cardíaco é obrigatória, visto que arritmias fatais podem ocorrer mesmo após uma avaliação inicial normal.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Eletroconcussão: avaliação primária e monitorização cardíaca
Gabarito: letra B. Na eletroconcussão, a monitorização contínua do ritmo cardíaco é obrigatória porque arritmias fatais — como fibrilação ventricular e assistolia — podem ocorrer mesmo após uma avaliação inicial normal, sendo a parada cardíaca a principal causa de morte nesses pacientes. Essa conduta é fundamentada nos protocolos de suporte avançado de vida em trauma elétrico, que preconizam vigilância cardíaca prolongada.
A eletroconcussão (ou eletrocussão) é uma emergência médica resultante da passagem de corrente elétrica pelo corpo, capaz de causar lesões graves e comprometimento de múltiplos sistemas. O manejo inicial segue os princípios do suporte avançado de vida em trauma (ATLS), com ênfase na avaliação primária (ABCDE), mas com particularidades importantes: a corrente elétrica pode provocar arritmias cardíacas, parada respiratória, lesões neurológicas, queimaduras profundas e rabdomiólise. A gravidade do quadro não é determinada apenas pela extensão das queimaduras externas, pois a corrente pode causar danos teciduais profundos desproporcionais à lesão cutânea visível.
A principal causa de morte por eletrocussão é a parada cardíaca, que pode ocorrer por fibrilação ventricular (mais comum em baixa voltagem com corrente alternada) ou assistolia (mais frequente em alta voltagem e corrente contínua). As arritmias cardíacas podem ser vistas em 15 a 30% das vítimas de alta tensão, incluindo taquicardia sinusal, extrassístoles, taquicardias supraventriculares, fibrilação atrial e bloqueios atrioventriculares. Por isso, a monitorização contínua do ritmo cardíaco é essencial, mesmo que o paciente esteja assintomático e com exame físico inicial normal, pois arritmias tardias podem se manifestar horas após o acidente.
A avaliação neurológica também é fundamental: lesões do sistema nervoso central ocorrem em cerca de 50 a 70% dos pacientes com lesão elétrica de alta tensão, sendo comum a vítima estar inconsciente. Alterações como agitação, confusão, coma, convulsões, tetraplegia, hemiplegia, afasia e distúrbios visuais podem ocorrer. Portanto, a avaliação neurológica não é dispensável, e a ausência de alterações evidentes de consciência não exclui lesão neurológica significativa.
As queimaduras externas, embora frequentes nas áreas de contato elétrico, não são suficientes para determinar o grau de dano tecidual profundo. A corrente elétrica pode causar lesões musculares e vasculares profundas, com rabdomiólise e risco de insuficiência renal, que não são avaliadas apenas pela inspeção da pele. Exames complementares imediatos, como eletrocardiograma, dosagem de enzimas musculares (CPK) e função renal, são necessários para avaliar a extensão do dano.
A parada cardiorrespiratória não é um evento raro em eletroconcussão de alta voltagem; pelo contrário, é a principal causa de morte. A abordagem de emergência deve priorizar a estabilização cardiovascular, incluindo reanimação cardiopulmonar imediata se necessário, e a monitorização contínua do ritmo cardíaco. Esforços de ressuscitação devem ser iniciados mesmo em casos de parada cardíaca por choque elétrico, pois muitas vítimas são jovens e sem doença cardiovascular prévia, com boa chance de recuperação.
A avaliação inicial não deve priorizar apenas a pesquisa de lesões térmicas nas extremidades, pois, embora as queimaduras sejam comuns, a gravidade do quadro é determinada principalmente pelas complicações cardiovasculares e neurológicas. A monitorização cardíaca e a avaliação neurológica são prioridades na abordagem inicial.
Guarde a fronteira entre o que é prioridade na avaliação primária da eletroconcussão: a monitorização cardíaca contínua e a avaliação neurológica são essenciais, enquanto as queimaduras externas, embora frequentes, não refletem a extensão do dano profundo. É exatamente nessa distinção que as alternativas se dividem.
1Estabilizar cardiovascular (ABCDE)
2Monitorização cardíaca contínua obrigatória
3Avaliação neurológica essencial
4Exames: ECG, CPK, função renal
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Alternativa A — ❌ Incorreta
A avaliação inicial não deve priorizar a pesquisa de lesões térmicas nas extremidades. Embora as queimaduras sejam comuns nas áreas de contato elétrico, a gravidade do quadro é determinada principalmente pelas complicações cardiovasculares (arritmias, parada cardíaca) e neurológicas, não pela extensão das queimaduras externas. A prioridade é a estabilização cardiovascular e a monitorização cardíaca contínua.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A monitorização contínua do ritmo cardíaco é obrigatória na eletroconcussão, pois arritmias fatais — como fibrilação ventricular e assistolia — podem ocorrer mesmo após uma avaliação inicial normal. A parada cardíaca é a principal causa de morte, e as arritmias podem se manifestar tardiamente, exigindo vigilância cardíaca prolongada.
Alternativa C — ❌ Incorreta
As queimaduras externas não são suficientes para determinar o grau de dano tecidual profundo. A corrente elétrica pode causar lesões musculares e vasculares profundas, com rabdomiólise e risco de insuficiência renal, que não são avaliadas apenas pela inspeção da pele. Exames complementares imediatos são necessários para avaliar a extensão do dano.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A parada cardiorrespiratória não é um evento raro em eletroconcussão de alta voltagem; pelo contrário, é a principal causa de morte. A abordagem de emergência deve priorizar a estabilização cardiovascular, incluindo reanimação cardiopulmonar imediata se necessário, e a monitorização contínua do ritmo cardíaco.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A avaliação neurológica inicial não é dispensável. Lesões do sistema nervoso central ocorrem em cerca de 50 a 70% dos pacientes com lesão elétrica de alta tensão, e alterações de consciência podem não ser evidentes imediatamente. A ausência de alterações neurológicas aparentes não exclui lesão significativa, sendo a avaliação neurológica parte essencial da abordagem inicial.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a tendência de subestimar o risco cardíaco quando o paciente parece estável na avaliação inicial. A alternativa B é a correta porque a monitorização contínua é obrigatória, mesmo com exame inicial normal, pois arritmias fatais podem ocorrer tardiamente. As demais alternativas tentam desviar o foco para queimaduras externas ou minimizar a gravidade da parada cardíaca, mas a prioridade é sempre a estabilização cardiovascular.
PEGA ESSA DICA!
Na prova, lembre-se: em eletroconcussão, a prioridade é a monitorização cardíaca contínua e a avaliação neurológica. Queimaduras externas não refletem a extensão do dano profundo, e a parada cardíaca é a principal causa de morte. Se a alternativa mencionar "dispensar exames", "raro" ou "dispensável", desconfie — a regra é sempre vigilância e monitorização.