Questão de Medicina — Ortopedia e Traumatologia — Avança SP 2024
Medicina›Ortopedia e Traumatologia
Código
qg090107
Banca
Avança SP
Órgão
Prefeitura de Paraty - RJ
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Médico Pneumologista
A pectus excavatum é uma deformidade congênita da parede torácica anterior, caracterizada pela depressão do esterno e das cartilagens costais adjacentes. Qual dos seguintes métodos diagnósticos é o MAIS INDICADO para avaliar a gravidade da deformidade e auxiliar no planejamento cirúrgico em casos de pectus excavatum?
ATomografia computadorizada de tórax.
BRadiografia de tórax em perfil.
CRessonância magnética de tórax.
DUltrassonografia de tórax.
ECintilografia óssea.
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GabaritoA — Tomografia computadorizada de tórax.
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Pectus excavatum: avaliação da gravidade e planejamento cirúrgico
Gabarito: letra A. A tomografia computadorizada (TC) de tórax é o método mais indicado para avaliar a gravidade da deformidade e auxiliar no planejamento cirúrgico do pectus excavatum, pois permite a mensuração precisa do índice de Haller (relação entre o diâmetro transverso e o diâmetro anteroposterior do tórax) e a avaliação detalhada da anatomia óssea e cartilaginosa, além de detectar possíveis compressões cardíacas ou pulmonares. A radiografia em perfil, a ressonância magnética, a ultrassonografia e a cintilografia óssea não oferecem a mesma acurácia e detalhamento para essa finalidade específica.
O pectus excavatum, também conhecido como tórax em funil ou infundibuliforme, é uma deformidade congênita caracterizada pela depressão do esterno e das cartilagens costais adjacentes. Embora na maioria dos casos seja um problema predominantemente estético, em deformidades mais acentuadas pode haver comprometimento cardiorrespiratório, com redução da capacidade vital e do volume sistólico, além de sintomas como dispneia aos esforços e intolerância ao exercício. A avaliação da gravidade é fundamental para decidir entre o tratamento conservador e a correção cirúrgica, e é nesse contexto que a TC de tórax se destaca.
O índice de Haller é o parâmetro mais utilizado para quantificar a gravidade. Ele é calculado na TC de tórax, em um corte axial no nível da maior depressão esternal, dividindo-se o diâmetro transverso interno do tórax pelo diâmetro anteroposterior interno (da face posterior do esterno até a face anterior da coluna vertebral). Valores normais ficam em torno de 2,5; índices acima de 3,2 são considerados graves e indicam correção cirúrgica. A TC também permite avaliar a assimetria da deformidade, a rotação do esterno, a posição do coração (frequentemente deslocado para a esquerda) e a presença de compressão de estruturas mediastinais — informações essenciais para o planejamento da técnica cirúrgica, seja a clássica de Ravitch ou a minimamente invasiva de Nuss.
A radiografia de tórax em perfil, embora possa demonstrar a depressão esternal, não permite a mensuração precisa do índice de Haller nem a avaliação tridimensional da deformidade. A ressonância magnética, por sua vez, oferece excelente contraste de partes moles, mas é menos acessível, mais cara e demorada, e não é o padrão para a quantificação óssea. A ultrassonografia tem papel limitado na avaliação da parede torácica, sendo útil principalmente para avaliar estruturas superficiais. A cintilografia óssea é um exame de medicina nuclear que avalia o metabolismo ósseo, não sendo indicada para a avaliação morfológica do pectus excavatum.
A pegadinha desta questão está em o candidato confundir o papel da radiografia de tórax (útil na avaliação inicial e no rastreio) com o da TC (exame definitivo para quantificação e planejamento). A banca explora exatamente essa distinção: enquanto a radiografia pode sugerir a deformidade, é a TC que fornece os dados objetivos necessários para a decisão cirúrgica. Guarde essa fronteira: radiografia = triagem; TC = planejamento cirúrgico e índice de Haller.
Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A tomografia computadorizada de tórax é o método de escolha para avaliar a gravidade do pectus excavatum e planejar a cirurgia. Ela permite o cálculo do índice de Haller, a avaliação da assimetria, da rotação esternal e da compressão de estruturas mediastinais, além de fornecer uma reconstrução tridimensional da parede torácica, fundamental para o planejamento cirúrgico preciso.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A radiografia de tórax em perfil pode demonstrar a depressão esternal, mas não permite a mensuração precisa do índice de Haller nem a avaliação tridimensional da deformidade. Ela é útil como exame inicial de triagem, mas não é o método mais indicado para quantificar a gravidade e planejar a cirurgia.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A ressonância magnética de tórax oferece excelente contraste de partes moles, mas não é o padrão-ouro para a avaliação da deformidade óssea e cartilaginosa do pectus excavatum. Além disso, é um exame mais caro, demorado e menos acessível que a TC, sem vantagens adicionais para o cálculo do índice de Haller.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A ultrassonografia de tórax tem papel limitado na avaliação da parede torácica, sendo útil principalmente para avaliar estruturas superficiais ou líquidos pleurais. Não permite a mensuração precisa da deformidade esternal nem o cálculo do índice de Haller, sendo inadequada para o planejamento cirúrgico do pectus excavatum.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A cintilografia óssea é um exame de medicina nuclear que avalia o metabolismo ósseo, sendo indicada para investigar lesões ósseas como metástases, infecções ou fraturas ocultas. Não tem indicação na avaliação morfológica do pectus excavatum, pois não fornece detalhes anatômicos da parede torácica.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre o papel da radiografia de tórax (triagem inicial) e o da tomografia computadorizada (avaliação definitiva). O candidato que sabe que a radiografia em perfil mostra a depressão esternal pode marcar a letra B, mas é a TC que permite o cálculo do índice de Haller e o planejamento cirúrgico detalhado. Lembre-se: radiografia sugere, TC confirma e planeja.
PEGA ESSA DICA!
Para questões sobre pectus excavatum, lembre-se do índice de Haller — calculado na TC de tórax, é o parâmetro que define a gravidade (valores > 3,2 indicam cirurgia). Sempre que a questão perguntar sobre "avaliação da gravidade" ou "planejamento cirúrgico", a resposta será tomografia computadorizada.