Questão de Medicina — Pneumologia — Avança SP 2024
Medicina›Pneumologia
Código
qg090110
Banca
Avança SP
Órgão
Prefeitura de Paraty - RJ
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Médico Pneumologista
As doenças pulmonares são comuns em pacientes com AIDS devido à imunossupressão causada pelo HIV. Qual das seguintes afirmações sobre doenças pulmonares associadas à AIDS é INCORRETA?
AA tuberculose é uma das infecções pulmonares mais frequentes em pacientes com AIDS, sendo que a coinfecção com HIV aumenta o risco de progressão da tuberculose latente para ativa.
BA pneumocistose, causada pelo fungo Pneumocystis jirovecii, é uma infecção oportunista comum em pacientes com AIDS, caracterizada por tosse seca, febre e dispneia progressiva.
CA pneumonia bacteriana em pacientes com AIDS é geralmente causada por Streptococcus pneumoniae e Haemophilus influenzae, mas infecções por Pseudomonas aeruginosa e Staphylococcus aureus são raras.
DA contagem de células CD4+ é um indicador importante para o risco de infecções pulmonares em pacientes com AIDS, sendo que contagens abaixo de 200 células/mL estão associadas a um maior risco de pneumocistose e tuberculose disseminada.
EA profilaxia com sulfametoxazol e trimetoprim é eficaz na prevenção de pneumocistose em pacientes com AIDS, especialmente aqueles com contagem de CD4+ abaixo de 200 células/mL.
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GabaritoC — A pneumonia bacteriana em pacientes com AIDS é geralmente causada por Streptococcus pneumoniae e Haemophilus influenzae, mas infecções por Pseudomonas aeruginosa e Staphylococcus aureus são raras.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Doenças pulmonares associadas à AIDS
Gabarito: letra C. A afirmação incorreta é a que diz que infecções por Pseudomonas aeruginosa e Staphylococcus aureus são raras em pacientes com AIDS — na verdade, essas bactérias são causas reconhecidas e relevantes de pneumonia nessa população, tanto que aparecem no diagnóstico diferencial de complicações respiratórias em pacientes com HIV. As demais alternativas (A, B, D e E) estão corretas e refletem o conhecimento consolidado sobre o tema.
O HIV causa imunossupressão progressiva, medida principalmente pela contagem de linfócitos T CD4+. Essa queda da imunidade celular é o que abre a porta para uma série de infecções oportunistas e não oportunistas que acometem os pulmões. A tabela de diagnóstico diferencial de complicações respiratórias em pacientes com HIV lista, entre as bactérias, Streptococcus pneumoniae, Staphylococcus aureus, Haemophilus influenzae, Pseudomonas aeruginosa e Klebsiella pneumoniae — ou seja, tanto Pseudomonas quanto Staphylococcus são agentes que devem ser lembrados nesse contexto, e não considerados raros.
A pneumonia bacteriana é, na verdade, uma das complicações mais comuns e precoces na infecção pelo HIV. Em pacientes com imunodeficiência moderada (CD4 entre 200 e 500 células/mm³), há um aumento de 3 a 4 vezes na incidência de pneumonias bacterianas causadas por patógenos pulmonares comuns, sobretudo Streptococcus pneumoniae e Haemophilus influenzae. Porém, à medida que a imunossupressão se aprofunda, outros agentes como Pseudomonas aeruginosa e Staphylococcus aureus ganham importância, especialmente em pacientes com internações recorrentes, uso de antibióticos de amplo espectro ou neutropenia. Portanto, afirmar que essas infecções são raras contraria a prática clínica e a literatura.
A pneumocistose, causada pelo fungo Pneumocystis jirovecii, é a infecção oportunista pulmonar mais característica da AIDS avançada, ocorrendo tipicamente com CD4 abaixo de 200 células/mm³. O quadro clássico é de tosse seca, febre e dispneia progressiva aos esforços. A profilaxia com sulfametoxazol-trimetoprima é altamente eficaz e indicada justamente para pacientes com CD4 < 200 células/mm³, sendo o regime preferencial. Já a tuberculose é uma das principais causas de óbito por doença infecciosa em pessoas vivendo com HIV no Brasil, e a coinfecção aumenta o risco de reativação da infecção latente, especialmente com CD4 baixo.
A contagem de CD4 é, portanto, o principal marcador de risco para as diferentes infecções pulmonares. Valores abaixo de 200 células/mm³ aumentam o risco de pneumocistose e de tuberculose disseminada, entre outras doenças oportunistas. A alternativa C erra justamente ao minimizar o papel de Pseudomonas e Staphylococcus como agentes de pneumonia bacteriana nesses pacientes.
Pneumonias bacterianas no HIV: CD4 200–500 (imunossupressão moderada) (Streptococcus pneumoniae, Haemophilus influenzae); Imunossupressão avançada (Pseudomonas aeruginosa, Staphylococcus aureus, Klebsiella pneumoniae); Fatores de risco para agentes atípicos (Internações recorrentes, Antibióticos de amplo espectro, Neutropenia)
Alternativa A — ✅ Correta
A tuberculose é, de fato, uma das infecções pulmonares mais frequentes em pacientes com AIDS. A coinfecção HIV-TB aumenta o risco de progressão da infecção latente para doença ativa, pois a imunossupressão compromete o controle do Mycobacterium tuberculosis. O contexto reforça que a TB é a principal causa de óbito por doença infecciosa em pessoas HIV positivas no Brasil.
Alternativa B — ✅ Correta
A pneumocistose, causada pelo fungo Pneumocystis jirovecii, é uma infecção oportunista clássica em pacientes com AIDS, especialmente com CD4 < 200 células/mm³. O quadro clínico descrito — tosse seca, febre e dispneia progressiva — é exatamente o padrão típico da doença, conforme detalhado no material de apoio.
Alternativa C — ❌ Incorreta ⟵ GABARITO
O erro está em afirmar que infecções por Pseudomonas aeruginosa e Staphylococcus aureus são raras. Essas bactérias são causas reconhecidas de pneumonia em pacientes com HIV e constam do diagnóstico diferencial de complicações respiratórias nessa população. Embora Streptococcus pneumoniae e Haemophilus influenzae sejam os agentes bacterianos mais comuns, Pseudomonas e Staphylococcus não podem ser considerados raros, especialmente em pacientes com imunossupressão avançada, internações prévias ou outros fatores de risco.
Alternativa D — ✅ Correta
A contagem de CD4+ é o principal indicador do risco de infecções pulmonares em pacientes com AIDS. Valores abaixo de 200 células/mm³ estão associados a maior risco de pneumocistose e de tuberculose disseminada, além de outras doenças oportunistas. O material de apoio confirma que a contagem de CD4 tem importância decisiva: se maior que 200/µL, praticamente descarta a hipótese de PCP; se menor, torna a hipótese muito provável.
Alternativa E — ✅ Correta
A profilaxia com sulfametoxazol-trimetoprima é o regime preferencial para prevenção de pneumocistose em pacientes com AIDS, indicada quando a contagem de CD4 é inferior a 200 células/mm³. O material de apoio confirma que a profilaxia é indicada com CD4 < 200 céls./mcL e que o regime preferencial é 1 comprimido de sulfametoxazol-trimetoprima ao dia.
NÃO CAIA NESSA!
A banca tenta fazer o candidato acreditar que apenas Streptococcus pneumoniae e Haemophilus influenzae são agentes bacterianos relevantes, minimizando o papel de Pseudomonas aeruginosa e Staphylococcus aureus. Na prática, todos esses agentes fazem parte do diagnóstico diferencial de pneumonia em pacientes com HIV — a diferença está na frequência e no contexto clínico, não na ausência de importância. Fique atento a afirmações que usam termos absolutos como "raras" quando a literatura mostra o contrário.