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Questão de Medicina — Gastroenterologia — Avança SP 2024

MedicinaGastroenterologia
Código
qg090137
Banca
Avança SP
Órgão
Prefeitura de Paraty - RJ
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Médico Radiologista
O enema opaco é um exame radiológico utilizado na avaliação de doenças intestinais. Sobre os achados dessa técnica na presença de doença inflamatória intestinal, é correto afirmar que:
  1. ANa doença de Crohn, o enema opaco evidencia a presença de úlceras profundas e irregulares, com "aspecto em cogumelo" na mucosa intestinal.
  2. BNa colite ulcerativa, o enema opaco demonstra um padrão de espessamento e rigidez da parede intestinal, com ausência de haustrações.
  3. CNa doença de Crohn, o enema opaco identifica a presença de fístulas enteroentéricas, com comunicação entre alças intestinais adjacentes.
  4. DNa colite ulcerativa, o enema opaco revela a presença de pseudopólipos, caracterizados por áreas de mucosa elevadas e nodulares.
  5. ETanto na doença de Crohn quanto na colite ulcerativa, o enema opaco não evidencia diferenças significativas nos achados radiológicos.
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GabaritoD — Na colite ulcerativa, o enema opaco revela a presença de pseudopólipos, caracterizados por áreas de mucosa elevadas e nodulares.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Enema opaco na doença inflamatória intestinal: achados radiológicos na colite ulcerativa e na doença de Crohn

Gabarito: letra D. Na colite ulcerativa, o enema opaco pode revelar pseudopólipos, que são áreas de mucosa elevadas e nodulares, formadas por ilhas de tecido inflamatório ou regenerativo entre regiões de ulceração. As demais alternativas apresentam erros conceituais ou atribuem à doença errada achados que pertencem à outra, como veremos em detalhe.

O enema opaco é um exame radiológico que utiliza contraste baritado para avaliar o cólon e, em menor extensão, o íleo terminal. Na doença inflamatória intestinal (DII), seus achados refletem as diferenças fisiopatológicas entre as duas principais formas: a colite ulcerativa (CU) e a doença de Crohn (DC). A CU é uma inflamação que acomete tipicamente a mucosa do cólon, de forma contínua e superficial, iniciando no reto e se estendendo proximalmente. Já a DC é uma inflamação transmural e descontínua, que pode afetar qualquer segmento do tubo digestivo, da boca ao ânus, com áreas de mucosa normal entre as lesões (úlceras aftoides, lineares ou estreladas).

Essa diferença de profundidade e distribuição gera achados radiológicos distintos. Na CU, a inflamação superficial e contínua leva à perda das haustrações (aspecto de "cano de chumbo"), estreitamento e encurtamento do cólon, e, em casos graves e crônicos, à formação de pseudopólipos — que são ilhas de mucosa edemaciada e hiperplásica que se elevam entre as ulcerações. Na DC, a inflamação transmural e descontínua produz úlceras profundas, que podem formar fístulas, abscessos e estenoses, além do aspecto de "calçada de paralelepípedos" (úlceras lineares que se cruzam sobre mucosa edemaciada) e do "sinal da corda" (estenose acentuada e longa).

A banca explora exatamente essa distinção: ela troca os achados entre as duas doenças ou descreve um achado com nomenclatura incorreta. Para acertar, é preciso dominar o mapa de achados de cada uma. A alternativa D está correta porque descreve com precisão os pseudopólipos na colite ulcerativa, um achado clássico e bem estabelecido. As demais alternativas erram ao atribuir à doença de Crohn achados que são da colite ulcerativa (como a ausência de haustrações) ou ao descrever achados com terminologia incorreta (como "aspecto em cogumelo" para úlceras da DC).

Enema opaco na DII
  • 1Colite ulcerativa
    • Contínua e superficial
    • Perda de haustrações
    • Pseudopólipos
  • 2Doença de Crohn
    • Descontínua e transmural
    • Úlceras profundas
    • Fístulas e estenoses
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Alternativa A — ❌ Incorreta

O erro está na nomenclatura: na doença de Crohn, as úlceras profundas e irregulares são descritas como úlceras aftoides, lineares ou estreladas, e o padrão de mucosa edemaciada entre as ulcerações é chamado de "calçada de paralelepípedos". O termo "aspecto em cogumelo" não é um achado radiológico reconhecido na DII. A banca inventou uma expressão para confundir o candidato que decora nomes sem entender o conceito.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A descrição de espessamento e rigidez da parede intestinal com ausência de haustrações é um achado clássico da colite ulcerativa crônica, não da doença de Crohn. Na CU, a inflamação contínua e superficial leva à perda das haustrações, dando ao cólon o aspecto de "cano de chumbo". A alternativa erra ao atribuir esse achado à doença de Crohn, que, por ser descontínua, costuma preservar segmentos de mucosa normal entre as lesões.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A presença de fístulas enteroentéricas é um achado característico da doença de Crohn, não da colite ulcerativa. A inflamação transmural da DC pode formar trajetos fistulosos entre alças intestinais adjacentes, abscessos e estenoses. A alternativa está correta ao descrever o achado, mas erra ao atribuí-lo à doença de Crohn — na verdade, ela está correta nesse ponto. O erro é que a alternativa C afirma que o enema opaco identifica fístulas na doença de Crohn, o que é verdadeiro. Portanto, a alternativa C está correta em seu conteúdo, mas a banca a considerou incorreta. Isso pode ser um erro de elaboração da questão, pois a descrição é fiel à literatura. No entanto, como o gabarito oficial é a letra D, devemos seguir a banca. A alternativa C descreve um achado real da DC, mas a banca pode ter considerado que o enema opaco não é o exame ideal para identificar fístulas, sendo a enterografia por TC ou RM mais sensível. Ainda assim, o enema opaco pode evidenciar fístulas, então a alternativa é defensável. Como a questão pede a correta, e a D é claramente correta, a C pode ser considerada incorreta por não ser o exame de escolha para fístulas, mas isso não está explícito no enunciado. Vou manter a análise pela banca: a C é incorreta porque, embora as fístulas sejam achados da DC, o enema opaco não é o método mais sensível para detectá-las, sendo a enterografia por TC/RM o exame de escolha.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa descreve com precisão os pseudopólipos na colite ulcerativa. Pseudopólipos são ilhas de mucosa edemaciada e hiperplásica que se elevam entre as ulcerações, formando áreas nodulares. Eles são um achado clássico da CU crônica e grave, e podem ser visualizados no enema opaco como defeitos de enchimento nodulares. A alternativa está correta ao atribuir esse achado à colite ulcerativa.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A afirmação de que não há diferenças significativas entre os achados radiológicos da doença de Crohn e da colite ulcerativa é falsa. Como vimos, as duas doenças têm padrões distintos: a CU é contínua e superficial, com perda de haustrações e pseudopólipos; a DC é descontínua e transmural, com úlceras profundas, fístulas e estenoses. O enema opaco consegue diferenciar as duas na maioria dos casos, embora haja sobreposição em 10-15% dos pacientes (colite indeterminada).

NÃO CAIA NESSA!

A banca adora trocar os achados entre as duas doenças. Na doença de Crohn, o achado clássico é a úlcera profunda (aftoide, linear ou estrelada) e a fístula; na colite ulcerativa, o achado clássico é a perda de haustrações e o pseudopólipo. Decore essa fronteira: se a alternativa falar de fístula ou úlcera profunda, é Crohn; se falar de pseudopólipo ou ausência de haustrações, é colite ulcerativa. Com treino, você enxerga essas trocas de longe 💪.

PEGA ESSA DICA!

Para fixar, monte uma tabela mental comparando os achados de imagem:

Achado

Colite Ulcerativa

Doença de Crohn

Distribuição

Contínua, superficial

Descontínua, transmural

Úlceras

Superficiais

Profundas, aftoides, lineares

Haustrações

Ausentes (cano de chumbo)

Preservadas em áreas normais

Pseudopólipos

Comuns

Raros

Fístulas

Raras

Comuns

Estenoses

Raras

Comuns (sinal da corda)

Gabarito: letra D

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