A avaliação semiológica é um componente fundamental no diagnóstico da litíase urinária. Sobre os principais achados do exame físico nessa condição, é correto afirmar que:
AA palpação abdominal pode revelar a presença de massas ou tumefações palpáveis, correspondendo aos cálculos renais ou vesicais.
BA presença de dor à palpação profunda do abdome é um sinal inespecífico, não sendo um achado característico da litíase urinária.
CA percussão lombar está indicada para identificar a presença de massas ou endurecimento dos flancos, sugestivo de litíase renal.
DA dor à palpação do ângulo costovertebral (sinal de Giordano) é um achado frequente, indicando a presença de cálculos nos ureteres.
EO exame retal digital não fornece informações relevantes no contexto da litíase urinária, não sendo um componente essencial da avaliação.
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GabaritoD — A dor à palpação do ângulo costovertebral (sinal de Giordano) é um achado frequente, indicando a presença de cálculos nos ureteres.
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Semiologia da litíase urinária: exame físico e o sinal de Giordano
Gabarito: letra D. A dor à palpação do ângulo costovertebral (sinal de Giordano) é um achado frequente na litíase urinária, indicando a presença de cálculos nos ureteres. Essa é a alternativa correta, pois reflete a semiologia clássica da cólica nefrética, em que a dor se localiza no ângulo costovertebral e pode irradiar para o flanco e a região lombar, conforme a descrição da dor renal e da cólica renal ou nefrética.
A avaliação semiológica do paciente com suspeita de litíase urinária começa pela anamnese, com foco na queixa principal de dor, e prossegue com o exame físico, que inclui inspeção, palpação e percussão. A dor é o sintoma mais importante e sua caracterização é essencial para o diagnóstico. A dor renal é descrita como profunda, fixa e constante, localizada no flanco ou na região lombar, podendo irradiar para a cicatriz umbilical ou o quadrante abdominal inferior. Já a cólica renal ou nefrética, que é a apresentação típica da obstrução do trato urinário por cálculo, é uma dor em cólica, lancinante, de grande intensidade, localizada no ângulo costovertebral, acometendo flanco e região lombar, com irradiação para a fossa ilíaca e a região inguinal, acompanhada de inquietude e sudorese.
O exame físico, portanto, busca reproduzir ou localizar essa dor. A palpação do abdome pode revelar dor, mas não é comum palpar massas correspondentes aos cálculos, pois eles geralmente não são palpáveis. A percussão lombar, por sua vez, não é a manobra indicada para identificar massas ou endurecimento dos flancos; essa avaliação é feita pela palpação. A manobra semiológica clássica para avaliar a dor de origem renal é a punho-percussão lombar, que pesquisa o sinal de Giordano: a dor à percussão do ângulo costovertebral, indicando processo inflamatório ou obstrutivo no rim ou no ureter proximal. Na litíase, esse sinal é frequentemente positivo, especialmente quando o cálculo está impactado no ureter, causando obstrução e distensão da pelve renal.
O exame retal digital, embora não seja o principal exame na litíase urinária, pode fornecer informações relevantes no diagnóstico diferencial, especialmente em homens, para avaliar a próstata e excluir outras causas de dor, como prostatite aguda, que pode cursar com dor perineal. Portanto, a alternativa que afirma que ele não fornece informações relevantes está incorreta.
A banca explora a confusão entre as manobras de palpação e percussão, e entre os achados que cada uma pode revelar. A pegadinha está em associar a palpação à identificação de massas (que não é o achado típico) e a percussão à identificação de massas ou endurecimento (que é papel da palpação). O sinal de Giordano, obtido pela percussão, é o achado frequente e específico que aponta para a litíase ureteral.
A palpação abdominal pode revelar massas ou tumefações, mas isso não corresponde aos cálculos renais ou vesicais. Os cálculos urinários, em geral, não são palpáveis ao exame físico, a menos que haja uma complicação, como um rim aumentado por hidronefrose ou um abscesso perirrenal. A palpação pode identificar dor, mas a presença de massas palpáveis não é um achado característico da litíase não complicada. O erro está em afirmar que a palpação revela massas correspondentes aos cálculos, o que não é a apresentação típica.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A dor à palpação profunda do abdome pode ser um sinal inespecífico, mas na litíase urinária a dor é um achado característico, especialmente quando localizada no flanco ou na região lombar. A alternativa nega que seja um achado característico, o que contraria a semiologia da cólica nefrética, em que a dor é o sintoma central e pode ser reproduzida à palpação profunda do flanco. O erro está em generalizar como inespecífico um achado que, no contexto da litíase, é típico.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A percussão lombar não está indicada para identificar massas ou endurecimento dos flancos. Essa avaliação é feita pela palpação. A percussão lombar, especificamente a punho-percussão, é utilizada para pesquisar o sinal de Giordano, que é a dor à percussão do ângulo costovertebral, indicando comprometimento renal ou ureteral. A alternativa troca a finalidade da percussão, atribuindo-lhe um papel que pertence à palpação.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A dor à palpação do ângulo costovertebral, conhecida como sinal de Giordano, é um achado frequente na litíase urinária, indicando a presença de cálculos nos ureteres. A cólica renal ou nefrética, causada pela obstrução do trato urinário por um cálculo, localiza-se no ângulo costovertebral, acometendo flanco e região lombar. A manobra de punho-percussão lombar, que pesquisa o sinal de Giordano, é positiva nesses casos, refletindo a distensão da pelve renal e do ureter proximal. A alternativa está correta ao associar o sinal de Giordano à litíase ureteral.
Alternativa E — ❌ Incorreta
O exame retal digital pode fornecer informações relevantes no contexto da litíase urinária, especialmente no diagnóstico diferencial. Em homens, permite avaliar a próstata e excluir prostatite aguda, que pode causar dor perineal e sintomas urinários. Além disso, pode identificar outras causas de dor pélvica ou abdominal. A alternativa afirma que ele não fornece informações relevantes, o que é incorreto, pois é um componente da avaliação semiológica completa, embora não seja o exame principal para o diagnóstico de litíase.