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Questão de Medicina — Endocrinologia — Avança SP 2024

MedicinaEndocrinologia
Código
qg090177
Banca
Avança SP
Órgão
Prefeitura de Paraty - RJ
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Médico do Trabalho
No manejo do Diabetes Mellitus tipo 2, um dos fármacos mais utilizados é a metformina, devido à sua eficácia no controle da glicemia. O mecanismo de ação primário da metformina envolve:
  1. AAumento da secreção de insulina pelas células beta do pâncreas.
  2. BInibição da absorção de glicose no intestino delgado.
  3. CDiminuição da produção hepática de glicose pela inibição da gliconeogênese.
  4. DEstimulação dos receptores de insulina nas células musculares.
  5. EAumento da secreção de glucagon pelas células alfa do pâncreas.
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GabaritoC — Diminuição da produção hepática de glicose pela inibição da gliconeogênese.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Mecanismo de ação da metformina no Diabetes Mellitus tipo 2

Gabarito: letra C. O mecanismo de ação primário da metformina é a diminuição da produção hepática de glicose, principalmente pela inibição da gliconeogênese, o que reduz a liberação de glicose pelo fígado. Esse efeito é central para seu papel como primeira escolha no tratamento do DM2, conforme destacado nas diretrizes e na literatura médica.

A metformina é uma biguanida, classe de fármacos que atua como sensibilizador da insulina, ou seja, melhora a ação da insulina nos tecidos sem estimular diretamente sua secreção. Seu principal efeito é reduzir a produção hepática de glicose, inibindo a gliconeogênese (formação de glicose a partir de precursores não carboidratos) e, em menor grau, a glicogenólise. Além disso, aumenta a captação periférica de glicose, especialmente no músculo esquelético, e reduz a absorção intestinal de glicose, embora esses efeitos sejam secundários ao efeito hepático.

A compreensão do mecanismo é essencial para diferenciar a metformina de outras classes de antidiabéticos orais. Enquanto as sulfonilureias e as glinidas estimulam a secreção de insulina pelas células beta, os inibidores da alfa-glicosidase (acarbose) retardam a digestão e absorção de carboidratos no intestino, e as tiazolidinedionas (pioglitazona) atuam como sensibilizadores da insulina, mas com mecanismo distinto, ativando o receptor nuclear PPAR-gama. A metformina, por sua vez, não aumenta a secreção de insulina, não estimula diretamente os receptores de insulina e não aumenta a secreção de glucagon.

Na prática clínica, a metformina é o fármaco de primeira linha no DM2, pois apresenta excelente perfil de eficácia, segurança e custo, além de não causar hipoglicemia e promover modesta perda de peso. Seu uso é contraindicado em pacientes com insuficiência renal grave (TFG < 30 mL/min/1,73 m²) devido ao risco de acidose láctica, embora essa complicação seja rara. O conhecimento do mecanismo de ação é fundamental para o raciocínio clínico, pois explica por que a metformina é eficaz na redução da glicemia de jejum e pós-prandial, e por que não causa hipoglicemia, diferentemente dos secretagogos.

A banca explora a confusão entre o mecanismo da metformina e o de outras classes de antidiabéticos. O candidato que não domina a farmacologia pode facilmente associar a metformina ao aumento da secreção de insulina (mecanismo das sulfonilureias) ou à inibição da absorção intestinal de glicose (mecanismo da acarbose). A chave é lembrar que a metformina é um sensibilizador da insulina, com ação predominante no fígado, reduzindo a produção hepática de glicose.

Alternativa A — ❌ Incorreta

O aumento da secreção de insulina pelas células beta do pâncreas é o mecanismo de ação das sulfonilureias e das glinidas (meglitinidas), que são secretagogos de insulina. A metformina não estimula a secreção de insulina; pelo contrário, seu efeito é sensibilizar os tecidos à ação da insulina, sem aumentar sua liberação. Essa é uma distinção crucial, pois explica por que a metformina não causa hipoglicemia, ao contrário dos secretagogos.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A inibição da absorção de glicose no intestino delgado é o mecanismo de ação dos inibidores da alfa-glicosidase, como a acarbose e o miglitol. Esses fármacos retardam a digestão de carboidratos complexos, reduzindo a absorção de glicose e, consequentemente, a glicemia pós-prandial. Embora a metformina possa ter um efeito modesto na absorção intestinal de glicose, esse não é seu mecanismo primário, que é a redução da produção hepática de glicose.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A diminuição da produção hepática de glicose pela inibição da gliconeogênese é o mecanismo de ação primário da metformina. A metformina atua principalmente no fígado, reduzindo a gliconeogênese e, em menor grau, a glicogenólise, o que diminui a liberação de glicose hepática. Esse efeito é mediado pela ativação da AMPK (proteína quinase ativada por AMP), que inibe enzimas-chave da gliconeogênese, como a PEPCK e a G6Pase. Além disso, a metformina aumenta a captação periférica de glicose, especialmente no músculo, e reduz a absorção intestinal de glicose, mas o efeito hepático é o mais importante.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A estimulação dos receptores de insulina nas células musculares não é o mecanismo de ação da metformina. A metformina aumenta a captação de glicose no músculo, mas não por estimulação direta dos receptores de insulina. Ela atua aumentando a translocação do transportador GLUT4 para a membrana celular, melhorando a sensibilidade à insulina, mas sem interagir diretamente com o receptor. As tiazolidinedionas (pioglitazona) são sensibilizadores da insulina que atuam via PPAR-gama, mas também não estimulam diretamente os receptores de insulina.

Alternativa E — ❌ Incorreta

O aumento da secreção de glucagon pelas células alfa do pâncreas é um efeito oposto ao desejado no tratamento do DM2. A metformina não aumenta a secreção de glucagon; na verdade, pode reduzir os níveis de glucagon, contribuindo para o controle glicêmico. Os agonistas do GLP-1, como a liraglutida e a semaglutida, suprimem a secreção de glucagon, mas esse não é o mecanismo da metformina.

NÃO CAIA NESSA!

A banca troca o mecanismo da metformina pelo de outras classes de antidiabéticos. O candidato que confunde metformina com sulfonilureia (aumento da secreção de insulina) ou com acarbose (inibição da absorção intestinal) cai na pegadinha. Lembre-se: metformina é sensibilizador da insulina, com ação predominante no fígado, reduzindo a produção hepática de glicose.

PEGA ESSA DICA!

Para fixar, compare os mecanismos das principais classes de antidiabéticos orais:

Classe

Mecanismo de ação

Exemplos

Biguanidas

Reduz produção hepática de glicose (gliconeogênese)

Metformina

Sulfonilureias

Aumenta secreção de insulina

Glibenclamida, gliclazida

Glinidas

Aumenta secreção de insulina (rápido e curto)

Repaglinida, nateglinida

Inibidores da alfa-glicosidase

Retarda absorção de carboidratos

Acarbose, miglitol

Tiazolidinedionas

Sensibilizador da insulina (PPAR-gama)

Pioglitazona, rosiglitazona

iDPP-4

Aumenta incretinas (GLP-1, GIP)

Sitagliptina, linagliptina

iSGLT2

Aumenta excreção urinária de glicose

Empagliflozina, dapagliflozina

arGLP-1

Aumenta GLP-1, suprime glucagon

Liraglutida, semaglutida

Gabarito: letra C

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