Questão de Medicina — Pneumologia — Avança SP 2024
Medicina›Pneumologia
Código
qg091200
Banca
Avança SP
Órgão
Prefeitura de Pedreira - SP
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Médico I (Cardiologista)
Indique qual dos seguintes agentes farmacológicos é recomendado na gestão do cor pulmonale crônico, especificamente para melhorar a função do ventrículo direito em pacientes com Hipertensão Pulmonar (HP) secundária a Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC):
Aβ-bloqueadores.
BAntagonistas dos receptores da endotelina.
CInibidores da fosfodiesterase tipo 5 (PDE5).
DDiuréticos de alça.
EAgonistas β2 de longa duração.
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GabaritoC — Inibidores da fosfodiesterase tipo 5 (PDE5).
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Cor pulmonale crônico na DPOC: manejo farmacológico da hipertensão pulmonar
Gabarito: letra C. Os inibidores da fosfodiesterase tipo 5 (PDE5), como sildenafila e tadalafila, são recomendados no cor pulmonale crônico para melhorar a função do ventrículo direito em pacientes com hipertensão pulmonar secundária à DPOC, pois atuam na via do óxido nítrico promovendo vasodilatação pulmonar e redução da pós-carga do ventrículo direito. Essa classe é citada no contexto como um dos fármacos aprovados para o tratamento da hipertensão arterial pulmonar, com eficácia comprovada na melhora da capacidade de exercício.
O cor pulmonale é a alteração estrutural e funcional do ventrículo direito secundária à hipertensão pulmonar, que no caso da DPOC decorre da hipoxemia crônica e da destruição do leito vascular pulmonar. A hipoxemia alveolar causa vasoconstrição pulmonar hipóxica, que aumenta a resistência vascular pulmonar e, consequentemente, a pós-carga do ventrículo direito. Com o tempo, isso leva à hipertrofia e dilatação do ventrículo direito, podendo evoluir para insuficiência cardíaca direita. O tratamento do cor pulmonale crônico visa, portanto, reduzir a hipertensão pulmonar e aliviar a sobrecarga ventricular direita, além de tratar a doença de base (DPOC) e a hipoxemia.
A abordagem farmacológica do cor pulmonale crônico inclui, além do tratamento broncodilatador da DPOC, o uso de vasodilatadores pulmonares. Entre eles, os inibidores da PDE5 (sildenafila, tadalafila) são uma opção, pois aumentam os níveis de GMPc, promovendo vasodilatação seletiva da circulação pulmonar. Essa classe é particularmente útil em pacientes com hipertensão pulmonar significativa, pois melhora a função ventricular direita e a capacidade de exercício. Outros vasodilatadores, como os antagonistas dos receptores de endotelina e os análogos de prostaciclina, também são usados, mas com indicações mais específicas e maior complexidade de manejo.
É importante distinguir o tratamento do cor pulmonale crônico do tratamento da hipertensão arterial pulmonar (HAP) idiopática ou associada a outras condições. Na HAP, os antagonistas de endotelina e os inibidores da PDE5 são amplamente utilizados, mas no cor pulmonale secundário à DPOC, a evidência é mais limitada e o uso desses agentes deve ser individualizado. O contexto destaca que, na HAP, os fármacos que atuam na via do óxido nítrico (incluindo os inibidores da PDE5) são eficazes, e essa lógica se estende ao cor pulmonale, embora com menor robustez de evidência.
A pegadinha desta questão está em confundir o tratamento da DPOC (broncodilatadores, como os β2-agonistas de longa duração) com o tratamento específico da hipertensão pulmonar associada. O candidato que não domina a fisiopatologia do cor pulmonale pode escolher a alternativa E (agonistas β2 de longa duração), que é o pilar do tratamento broncodilatador da DPOC, mas não tem ação direta na melhora da função ventricular direita. Da mesma forma, os β-bloqueadores (alternativa A) são contraindicados na DPOC por causarem broncoespasmo, e os diuréticos de alça (alternativa D) são usados apenas para controle de edema, sem efeito direto na hipertensão pulmonar.
Guarde a distinção entre o tratamento da doença de base (DPOC) e o tratamento da complicação cardiovascular (cor pulmonale): é exatamente nessa fronteira que as alternativas se dividem.
Cor pulmonale crônico (DPOC)
1Fisiopatologia
Hipoxemia crônica
Vasoconstrição pulmonar hipóxica
↑ Resistência vascular pulmonar
↑ Pós-carga do VD
Hipertrofia/dilatação do VD
2Tratamento da doença de base
Broncodilatadores (LABA)
Oxigenoterapia
3Tratamento da HP associada
Inibidores da PDE5 (sildenafila/tadalafila)
Via do óxido nítrico
Vasodilatação pulmonar
Melhora função do VD
Antagonistas de endotelina (uso limitado)
Diuréticos (sintomático)
4Contraindicações
β-bloqueadores (broncoespasmo)
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Alternativa A — ❌ Incorreta
Os β-bloqueadores são contraindicados na DPOC, pois podem causar broncoespasmo e piorar a obstrução ao fluxo aéreo. Além disso, não têm papel na melhora da função ventricular direita no cor pulmonale; pelo contrário, podem reduzir o débito cardíaco e agravar a insuficiência cardíaca direita. O contexto menciona que os betabloqueadores podem exacerbar a DPOC, especialmente em casos de asma.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Os antagonistas dos receptores de endotelina (bosentana, ambrisentana, macitentana) são aprovados para o tratamento da hipertensão arterial pulmonar (HAP) idiopática ou associada a outras condições, mas não são recomendados como primeira linha no cor pulmonale secundário à DPOC. A evidência de benefício nesse cenário é limitada, e o uso pode piorar a hipoxemia por piora do distúrbio de ventilação-perfusão. O contexto cita esses fármacos como opções para HAP, mas não para cor pulmonale por DPOC.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Os inibidores da fosfodiesterase tipo 5 (PDE5), como sildenafila e tadalafila, são recomendados no cor pulmonale crônico para melhorar a função do ventrículo direito em pacientes com hipertensão pulmonar secundária à DPOC. Eles atuam na via do óxido nítrico, aumentando o GMPc e promovendo vasodilatação pulmonar, o que reduz a pós-carga do ventrículo direito e melhora sua função. O contexto menciona que os fármacos na via do NO incluem os inibidores da PDE5, com eficácia na redução da pressão da artéria pulmonar e melhora da capacidade de exercício.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Os diuréticos de alça são usados no cor pulmonale para controle de edema periférico e congestão hepática, mas não têm efeito direto na melhora da função ventricular direita nem na hipertensão pulmonar. O contexto menciona que diuréticos devem ser prescritos para pacientes com edema periférico ou congestão hepática, mas isso é um tratamento sintomático, não uma terapia que melhore a função ventricular direita.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Os agonistas β2 de longa duração (LABA) são broncodilatadores usados no tratamento da DPOC para aliviar a obstrução ao fluxo aéreo, mas não têm ação direta na hipertensão pulmonar nem na função ventricular direita. Eles são importantes para o controle da doença de base, mas não são a terapia específica para o cor pulmonale. O contexto menciona que os broncodilatadores são usados para aliviar a obstrução do fluxo aéreo, mas não para melhorar a função ventricular direita.