Um paciente apresenta sintomas de dor no ombro, fraqueza no braço e alteração na sensibilidade da mão. Qual dos seguintes achados laboratoriais é mais compatível com a compressão neurovascular da cintura escapular?
AAumento dos níveis de CPK (creatina quinase) muscular.
BRedução dos níveis de hemoglobina.
CAumento dos níveis de ácido úrico.
DAumento dos níveis de glicose plasmática.
EAumento dos níveis de bilirrubina total.
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GabaritoA — Aumento dos níveis de CPK (creatina quinase) muscular.
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Compressão neurovascular da cintura escapular: diagnóstico laboratorial
Gabarito: letra A. A compressão neurovascular da cintura escapular (como na síndrome do desfiladeiro torácico) acomete o plexo braquial e os vasos subclávios, causando dor, fraqueza e alteração sensitiva no membro superior. O achado laboratorial mais compatível é o aumento da CPK (creatina quinase), pois a compressão nervosa prolongada leva à denervação muscular e, consequentemente, à liberação dessa enzima na corrente sanguínea. As demais alternativas (hemoglobina, ácido úrico, glicose e bilirrubina) não têm relação fisiopatológica direta com o quadro.
A CPK (creatina quinase) é uma enzima intracelular encontrada principalmente no músculo esquelético, no músculo cardíaco e no cérebro. Quando há lesão ou estresse muscular, como na denervação por compressão nervosa, a CPK extravasa para o sangue, elevando seus níveis séricos. No contexto da compressão neurovascular da cintura escapular, a fraqueza e a atrofia muscular decorrentes da lesão do plexo braquial explicam o aumento da CPK. É importante distinguir a CPK de outros marcadores: a hemoglobina reflete anemia ou hemoconcentração; o ácido úrico está relacionado a gota e doença renal; a glicose ao metabolismo de carboidratos; e a bilirrubina à função hepática e hemólise. Nenhum desses se altera diretamente por uma compressão neurovascular.
Na prática clínica, o diagnóstico da síndrome do desfiladeiro torácico é essencialmente clínico, baseado em sintomas como dor no ombro, parestesia nos dedos e fraqueza. Exames complementares, como eletroneuromiografia e imagem (radiografia, ressonância), auxiliam na confirmação. O laboratório tem papel limitado, mas a CPK pode estar elevada em casos de denervação muscular crônica. A banca explora exatamente essa associação: o aluno deve saber que a compressão nervosa afeta o músculo e que isso se reflete na CPK, não em outros parâmetros laboratoriais.
A pegadinha desta questão está em associar os sintomas (dor, fraqueza, alteração sensitiva) a um marcador laboratorial específico. O candidato pode ser tentado a pensar em causas metabólicas (glicose, ácido úrico) ou hematológicas (hemoglobina), mas o raciocínio correto é neurogênico-muscular. A CPK é o único marcador que reflete diretamente o dano muscular secundário à denervação. Guarde essa relação: compressão neurovascular → lesão do plexo braquial → denervação muscular → aumento da CPK.
Compressão neurovascular da cintura escapular: Mecanismo (Compressão do plexo braquial, Denervação muscular, Liberação de CPK no sangue); Achado laboratorial (Aumento da CPK); Diagnóstico (Clínico (dor, fraqueza, parestesia), Eletroneuromiografia, Imagem (RX, RNM))
Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A CPK (creatina quinase) é uma enzima muscular que se eleva quando há lesão ou estresse muscular. Na compressão neurovascular da cintura escapular, a compressão do plexo braquial leva à denervação dos músculos do membro superior, causando fraqueza e, com o tempo, liberação de CPK na corrente sanguínea. Portanto, o aumento da CPK é o achado laboratorial mais compatível com o quadro descrito.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A redução da hemoglobina indica anemia, que pode causar fraqueza e fadiga, mas não está diretamente relacionada à compressão neurovascular da cintura escapular. A anemia tem causas hematológicas, nutricionais ou hemorrágicas, não neurogênicas. Não há mecanismo fisiopatológico que ligue a compressão do plexo braquial à queda da hemoglobina.
Alternativa C — ❌ Incorreta
O aumento do ácido úrico está associado a gota, doença renal ou síndrome de lise tumoral. Não há relação entre compressão neurovascular e hiperuricemia. A dor no ombro e a fraqueza no braço não são explicadas por alterações no metabolismo das purinas.
Alternativa D — ❌ Incorreta
O aumento da glicose plasmática indica diabetes mellitus ou intolerância à glicose. Embora a neuropatia diabética possa causar sintomas sensitivos e motores, o quadro descrito é de compressão neurovascular localizada na cintura escapular, não uma neuropatia metabólica difusa. A glicose elevada não é o marcador mais compatível com o mecanismo compressivo.
Alternativa E — ❌ Incorreta
O aumento da bilirrubina total está relacionado a doenças hepáticas, hemólise ou obstrução biliar. Não há qualquer associação entre compressão neurovascular da cintura escapular e hiperbilirrubinemia. A bilirrubina reflete o metabolismo do heme, não a função neuromuscular.