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Questão de Medicina — Angiologia — Avança SP 2024

MedicinaAngiologia
Código
qg091224
Banca
Avança SP
Órgão
Prefeitura de Pedreira - SP
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Médico I (Cirurgião Vascular)
Um paciente de 62 anos com doença arterial obstrutiva periférica grave é encaminhado para amputação de membro inferior devido a isquemia irreversível do pé esquerdo. Considerando as técnicas cirúrgicas para amputações de membros inferiores, a abordagem mais indicada para este caso é:
  1. AAmputação transtibial.
  2. BAmputação transfemoral.
  3. CAmputação de Syme (através do tornozelo).
  4. DDesarticulação de joelho.
  5. EAmputação de Lisfranc (através do tarso).
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GabaritoA — Amputação transtibial.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Amputações de membros inferiores na doença arterial obstrutiva periférica

Gabarito: letra A. Na isquemia irreversível do pé, a amputação transtibial (abaixo do joelho) é a abordagem mais indicada, pois preserva a articulação do joelho, o que é fundamental para a reabilitação funcional com prótese. As amputações mais distais (Syme, Lisfranc) são inviáveis pela extensão da necrose, e as mais proximais (transfemoral, desarticulação do joelho) são reservadas para casos em que a viabilidade do coto transtibial está comprometida.

A doença arterial obstrutiva periférica (DAOP) é uma manifestação da aterosclerose que reduz o fluxo sanguíneo para os membros inferiores. Quando a isquemia se torna crítica e irreversível, com necrose extensa do pé, a amputação é necessária para salvar a vida do paciente, removendo o tecido inviável e a fonte potencial de sepse. A escolha do nível de amputação é uma decisão cirúrgica complexa que busca o equilíbrio entre dois objetivos: remover todo o tecido necrótico e, ao mesmo tempo, preservar o máximo de comprimento do membro para otimizar a reabilitação.

O princípio fundamental é "amputar o mais distal possível, mas o mais proximal necessário". Isso significa que o cirurgião deve escolher o nível mais baixo (mais distal) que tenha viabilidade de cicatrização, mas que seja suficientemente proximal para incluir todo o tecido inviável. A avaliação pré-operatória inclui exame clínico (presença de pulsos, cor da pele, temperatura), índice tornozelo-braquial (ITB) e, em casos selecionados, arteriografia ou angiotomografia para mapear a anatomia vascular.

A amputação transtibial (abaixo do joelho) é a mais comum em pacientes com DAOP, pois preserva o joelho, permitindo uma marcha muito mais eficiente com prótese em comparação com amputações acima do joelho. O joelho é uma articulação crucial para a biomecânica da marcha, e sua preservação reduz o gasto energético e melhora a qualidade de vida. A decisão entre transtibial e transfemoral depende da viabilidade do coto, avaliada pela presença de pulsos poplíteos ou pela qualidade do fluxo sanguíneo na perna.

A pegadinha desta questão está em associar a gravidade da isquemia ("grave", "irreversível") com a necessidade de uma amputação mais proximal (transfemoral). No entanto, a isquemia irreversível do pé não implica, por si só, a necessidade de amputação acima do joelho. O que determina o nível é a extensão da necrose e a viabilidade do coto. Se a necrose está limitada ao pé e a perna tem bom suprimento sanguíneo, a amputação transtibial é a escolha ideal. A amputação transfemoral seria indicada se houvesse necrose extensa da perna, infecção ascendente ou ausência de viabilidade do coto transtibial.

Para fixar o raciocínio, é útil comparar os níveis de amputação e suas indicações:

Nível de amputação

Estrutura preservada

Indicação típica

Reabilitação

Lisfranc (tarso)

Tornozelo e pé parcial

Necrose limitada aos dedos/antepé

Marcha quase normal

Syme (tornozelo)

Maléolos e coxim do calcâneo

Necrose extensa do antepé/médio-pé

Boa, suporta peso na extremidade

Transtibial (abaixo do joelho)

Joelho

Necrose do pé que não permite amputação mais distal

Excelente, marcha eficiente

Desarticulação do joelho

Fêmur

Falha da amputação transtibial, necrose da perna

Boa, mas com prótese mais complexa

Transfemoral (acima do joelho)

Quadril

Necrose extensa da perna, infecção, falha de níveis distais

Marcha com maior gasto energético

A regra de ouro é: "preserve o joelho sempre que possível". A amputação transtibial é a opção que melhor atende a esse princípio no caso de isquemia irreversível do pé, desde que a perna esteja viável. É exatamente esse critério que separa a alternativa correta das demais.

Amputações em DAOP
  • 1Princípio
    • Amputar o mais distal possível
    • Mas o mais proximal necessário
  • 2Níveis distais
    • Lisfranc (tarso)
      • necrose limitada a dedos/antepé
    • Syme (tornozelo)
      • necrose de antepé/médio-pé
  • 3Nível padrão-ouro
    • Transtibial (abaixo do joelho)
      • preserva o joelho
      • necrose do pé com perna viável
  • 4Níveis proximais
    • Desarticulação do joelho
      • falha da transtibial
    • Transfemoral (acima do joelho)
      • necrose extensa da perna
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A amputação transtibial (abaixo do joelho) é a abordagem mais indicada para isquemia irreversível do pé, pois remove o tecido necrótico (pé) preservando a articulação do joelho, o que é essencial para a reabilitação com prótese. A viabilidade do coto é avaliada pela presença de pulsos poplíteos ou por exames de imagem, e, neste caso, a necrose está limitada ao pé, permitindo a amputação neste nível.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A amputação transfemoral (acima do joelho) é uma opção mais proximal, reservada para casos em que há necrose extensa da perna, infecção ascendente ou falha de níveis mais distais. Neste caso, a isquemia é do pé, e a perna pode estar viável, tornando a amputação transtibial a escolha mais adequada. A amputação transfemoral seria indicada se a necrose se estendesse à perna ou se o coto transtibial não tivesse condições de cicatrização.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A amputação de Syme (através do tornozelo) é uma amputação mais distal que a transtibial, indicada para necrose extensa do antepé e médio-pé, mas com preservação do calcâneo e do coxim plantar. No caso de isquemia irreversível do pé, a necrose geralmente é extensa e compromete o retalho plantar, inviabilizando essa técnica. Além disso, a amputação de Syme é menos comum em pacientes com DAOP grave devido à alta taxa de falha de cicatrização.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A desarticulação do joelho é uma amputação que preserva o fêmur, mas remove a tíbia e a fíbula. É uma opção quando a amputação transtibial não é viável, mas a transfemoral é considerada muito proximal. No entanto, não é a primeira escolha para isquemia do pé, pois a amputação transtibial, quando possível, oferece melhor resultado funcional. A desarticulação do joelho é mais indicada em casos de trauma ou infecção que comprometem a perna.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A amputação de Lisfranc (através do tarso) é uma amputação muito distal, indicada para necrose limitada aos dedos ou antepé. Na isquemia irreversível do pé, a necrose geralmente é extensa e compromete o retalho plantar, inviabilizando essa técnica. Além disso, a amputação de Lisfranc tem alta taxa de falha em pacientes com DAOP devido à má vascularização do coto.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a associação automática entre "isquemia grave" e "amputação proximal". O candidato pode pensar que, por ser grave, a amputação deve ser transfemoral. No entanto, o que define o nível é a extensão da necrose e a viabilidade do coto, não a gravidade da isquemia em si. A isquemia irreversível do pé, sem comprometimento da perna, é classicamente tratada com amputação transtibial.

PEGA ESSA DICA!

Na prova, lembre-se da hierarquia das amputações: quanto mais distal, melhor a reabilitação, desde que haja viabilidade de cicatrização. A pergunta-chave é: "o coto distal tem condições de cicatrizar?" Se sim, opte pelo nível mais distal possível. A amputação transtibial é o padrão-ouro para isquemia do pé, pois preserva o joelho.

Gabarito: letra A

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