Questão de Medicina — Endocrinologia — Avança SP 2024
Medicina›Endocrinologia
Código
qg091249
Banca
Avança SP
Órgão
Prefeitura de Pedreira - SP
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Médico I (Endocrinologista)
O Diabetes Monogênico é um subtipo incomum de diabetes, causado por mutações em um único gene que afeta a secreção de insulina ou a sensibilidade à insulina. Entre os subtipos, o Diabetes Neonatal Transitório se destaca por sua fisiopatogenia específica. A alternativa que descreve corretamente a fisiopatogenia do Diabetes Neonatal Transitório é:
AO Diabetes Neonatal Transitório resulta de mutações no gene KCNJ11, que codifica a subunidade do canal de potássio ATP-dependente, levando à secreção inadequada de insulina desde o nascimento, mas que tende a melhorar espontaneamente nos primeiros meses de vida.
BO Diabetes Neonatal Transitório é causado por mutações no gene HNF1A, levando a uma falha na produção de insulina pelas células beta pancreáticas, com tendência à progressão para diabetes tipo 1 na adolescência.
CO Diabetes Neonatal Transitório ocorre devido a uma deleção no cromossomo 6q24, resultando em hipoglicemia persistente e crescimento intrauterino retardado, com resolução espontânea da hiperglicemia dentro dos primeiros meses de vida.
DO Diabetes Neonatal Transitório é causado por mutações no gene ABCC8, que afeta a sinalização do receptor de insulina, levando a uma resistência severa à insulina, geralmente progressiva com o tempo.
EO Diabetes Neonatal Transitório resulta de mutações no gene INS, que codifica a pré-proinsulina, levando a uma secreção deficiente de insulina que normalmente persiste e requer tratamento contínuo ao longo da vida.
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GabaritoA — O Diabetes Neonatal Transitório resulta de mutações no gene KCNJ11, que codifica a subunidade do canal de potássio ATP-dependente, levando à secreção inadequada de insulina desde o nascimento, mas que tende a melhorar espontaneamente nos primeiros meses de vida.
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Gabarito: letra A. O Diabetes Neonatal Transitório (DNT) é causado por mutações nos genes que codificam as subunidades do canal de potássio ATP-dependente da célula beta pancreática (KCNJ11 e ABCC8), resultando em secreção inadequada de insulina desde o nascimento, mas com tendência à melhora espontânea nos primeiros meses de vida. A alternativa A descreve corretamente essa fisiopatogenia, enquanto as demais confundem o DNT com outros subtipos de diabetes monogênico ou com mecanismos fisiopatológicos distintos.
O diabetes monogênico é um grupo heterogêneo de formas de diabetes causadas por mutações em um único gene, que afetam diretamente a secreção de insulina ou a ação da insulina. Diferentemente do diabetes tipo 1 (autoimune) e do tipo 2 (multifatorial), o diabetes monogênico tem herança mendeliana e apresenta características clínicas específicas, como início precoce (frequentemente antes dos 25 anos), ausência de obesidade e de autoanticorpos, e resposta terapêutica peculiar a determinados fármacos. Dentro desse grupo, o Diabetes Neonatal Transitório é uma forma rara que se manifesta nos primeiros seis meses de vida, com hiperglicemia grave, mas que entra em remissão espontânea, geralmente entre 3 e 18 meses de idade. A base genética mais comum do DNT é a alteração na região do cromossomo 6q24 (duplicação paterna ou hipometilação materna), que leva à superexpressão de genes imprinted, como o PLAGL1 e o HYMAI. Esses genes afetam o desenvolvimento e a função das células beta, resultando em secreção insuficiente de insulina no período neonatal. No entanto, mutações ativadoras nos genes KCNJ11 e ABCC8, que codificam as subunidades Kir6.2 e SUR1 do canal de potássio ATP-dependente (KATP), também podem causar DNT. Essas mutações mantêm o canal aberto, hiperpolarizando a célula beta e impedindo a liberação de insulina em resposta à glicose. A remissão espontânea ocorre porque, com o tempo, há uma recuperação parcial da função secretora, embora muitos pacientes possam desenvolver diabetes novamente na adolescência ou na idade adulta.
A distinção entre o DNT e o Diabetes Neonatal Permanente (DNP) é crucial: enquanto o DNT entra em remissão, o DNP persiste por toda a vida. Ambos podem ser causados por mutações nos mesmos genes (KCNJ11, ABCC8, INS), mas a apresentação clínica e o prognóstico diferem. O DNP geralmente requer tratamento contínuo com insulina ou sulfonilureias, enquanto o DNT pode permitir a suspensão temporária da terapia. A banca explora exatamente essa confusão: o candidato que sabe que o DNT é transitório pode ser induzido a escolher uma alternativa que descreve o DNP, ou vice-versa. Além disso, é comum a troca dos genes envolvidos: o HNF1A está associado ao MODY3, não ao diabetes neonatal; o gene INS causa diabetes neonatal permanente, não transitório; e o ABCC8, embora possa causar DNT, também está associado a formas permanentes. A alternativa C menciona a deleção no cromossomo 6q24, mas o mecanismo correto é a duplicação paterna ou hipometilação materna, não deleção, e o quadro é de hiperglicemia, não hipoglicemia.
Na prática clínica, o diagnóstico de DNT é feito em recém-nascidos com hiperglicemia persistente nas primeiras semanas de vida, sem cetose, e com história familiar de diabetes neonatal. O teste genético é essencial para confirmar o subtipo e orientar o tratamento. Em casos de mutações no KCNJ11 ou ABCC8, o uso de sulfonilureias pode ser eficaz, permitindo a suspensão da insulina. Já nos casos de alterações no 6q24, o tratamento é principalmente com insulina durante a fase hiperglicêmica, com monitoramento rigoroso. A remissão espontânea é a regra, mas o acompanhamento a longo prazo é necessário devido ao risco de recorrência.
A pegadinha central desta questão é a associação correta entre o gene e o fenótipo. O candidato deve lembrar que o DNT é causado por mutações nos genes do canal KATP (KCNJ11 e ABCC8) ou por alterações no 6q24, e que a característica definidora é a remissão espontânea. As alternativas incorretas misturam genes de outros subtipos (HNF1A, INS) ou descrevem mecanismos errados (deleção, resistência à insulina). Guarde a fronteira entre DNT e DNP: é exatamente nela que as alternativas se dividem.
Critério
Diabetes Neonatal Transitório (DNT)
Diabetes Neonatal Permanente (DNP)
Genes envolvidos
KCNJ11, ABCC8, alterações no 6q24
KCNJ11, ABCC8, INS
Mecanismo fisiopatológico
Mutação ativadora no canal KATP (KCNJ11/ABCC8) ou superexpressão de genes imprinted (6q24) → deficiência de secreção de insulina
Mutação ativadora no canal KATP (KCNJ11/ABCC8) ou mutação no gene INS → deficiência de secreção de insulina
Curso clínico
Remissão espontânea (3–18 meses), com possível recorrência na adolescência/idade adulta
Persistente por toda a vida, sem remissão
Tratamento
Insulina na fase hiperglicêmica; sulfonilureias se mutação em KCNJ11/ABCC8
Insulina ou sulfonilureias (se mutação em KCNJ11/ABCC8), contínuo
Diabetes Neonatal Transitório: Causas genéticas (KCNJ11 (Kir6.2), ABCC8 (SUR1), Cromossomo 6q24 (duplicação paterna)); Mecanismo (Canal KATP aberto, Hiperpolarização da célula beta, Secreção inadequada de insulina); Curso clínico (Hiperglicemia neonatal, Remissão espontânea (3-18 meses), Risco de recorrência futura); Distinção do Permanente (Transitório: remissão, Permanente: persiste por toda a vida)
Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa A descreve corretamente a fisiopatogenia do DNT: mutações no gene KCNJ11, que codifica a subunidade Kir6.2 do canal de potássio ATP-dependente, levam à secreção inadequada de insulina desde o nascimento, mas com tendência à melhora espontânea nos primeiros meses de vida. Essa é a definição clássica do DNT, que se distingue do DNP pela remissão. O mecanismo é o seguinte: a mutação ativadora mantém o canal KATP aberto, hiperpolarizando a membrana da célula beta e impedindo a despolarização necessária para a exocitose de insulina. Com o tempo, há uma recuperação parcial da função, permitindo a remissão. A alternativa acerta ao mencionar o gene correto, o mecanismo fisiopatológico e o curso clínico transitório.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A alternativa B atribui o DNT a mutações no gene HNF1A, o que está incorreto. O HNF1A está associado ao MODY3 (diabetes do tipo maturidade de início na juventude), que se manifesta tipicamente na adolescência ou em adultos jovens, não no período neonatal. Além disso, o MODY3 não tem tendência à progressão para diabetes tipo 1; pelo contrário, é uma forma não autoimune que responde bem a sulfonilureias. A banca troca o gene do MODY3 pelo gene do DNT, explorando a confusão entre os subtipos de diabetes monogênico. O erro específico é a associação incorreta entre o gene e o fenótipo clínico.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A alternativa C contém dois erros: primeiro, afirma que o DNT ocorre devido a uma deleção no cromossomo 6q24, mas o mecanismo correto é a duplicação paterna ou hipometilação materna da região 6q24, que leva à superexpressão de genes imprinted (PLAGL1 e HYMAI). Segundo, descreve o quadro como "hipoglicemia persistente", quando na verdade o DNT causa hiperglicemia. O crescimento intrauterino retardado pode ocorrer, mas a resolução espontânea da hiperglicemia é a característica definidora. A alternativa inverte o mecanismo genético e o sintoma, tornando-a claramente incorreta.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A alternativa D afirma que o DNT é causado por mutações no gene ABCC8, que afeta a sinalização do receptor de insulina, levando a resistência severa à insulina. Há dois erros: primeiro, o ABCC8 codifica a subunidade SUR1 do canal KATP, não o receptor de insulina; mutações nesse gene afetam a secreção de insulina, não a sensibilidade à insulina. Segundo, o DNT não é caracterizado por resistência à insulina, mas por deficiência de secreção. A resistência à insulina é típica do diabetes tipo 2, não do diabetes monogênico neonatal. A alternativa confunde o mecanismo fisiopatológico e o gene envolvido.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A alternativa E atribui o DNT a mutações no gene INS, que codifica a pré-proinsulina, levando a uma secreção deficiente de insulina que persiste e requer tratamento contínuo. Embora mutações no gene INS possam causar diabetes neonatal, elas estão mais associadas ao Diabetes Neonatal Permanente (DNP), não ao transitório. O DNP não entra em remissão e requer tratamento contínuo, enquanto o DNT tem remissão espontânea. A alternativa descreve corretamente o mecanismo do gene INS, mas o aplica ao subtipo errado, confundindo DNT com DNP.