Questão de Medicina — Endocrinologia — Avança SP 2024
Medicina›Endocrinologia
Código
qg091252
Banca
Avança SP
Órgão
Prefeitura de Pedreira - SP
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Médico I (Endocrinologista)
O tratamento da Síndrome Carcinoide envolve abordagens farmacológicas e cirúrgicas para controlar os sintomas e tratar o tumor subjacente. A escolha da terapia endócrina depende da gravidade dos sintomas e da extensão da doença. A alternativa que descreve corretamente uma abordagem endócrina no tratamento da Síndrome Carcinoide é:
AA administração de levotiroxina é a primeira linha de tratamento para controlar os sintomas associados à secreção hormonal pelo tumor carcinoide.
BO uso de inibidores da enzima de conversão da angiotensina (IECA) é essencial para controlar a hipertensão associada à secreção de serotonina pelo tumor.
COs análogos de somatostatina, como o octreotida, são utilizados para inibir a liberação de substâncias vasoativas pelo tumor e controlar os sintomas da síndrome.
DA terapia com bloqueadores dos canais de cálcio é a principal estratégia para controlar as crises de flushing e diarreia na Síndrome Carcinoide.
EO tratamento de escolha é a administração de glicocorticoides para reduzir a secreção hormonal e diminuir o tamanho do tumor carcinoide.
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GabaritoC — Os análogos de somatostatina, como o octreotida, são utilizados para inibir a liberação de substâncias vasoativas pelo tumor e controlar os sintomas da síndrome.
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Síndrome Carcinoide: tratamento endócrino
Gabarito: letra C. Os análogos de somatostatina, como octreotida e lanreotida, são a base do tratamento farmacológico da Síndrome Carcinoide, pois inibem a liberação de serotonina e outras substâncias vasoativas pelo tumor, controlando flushing e diarreia. As demais alternativas descrevem medicamentos sem papel estabelecido nessa síndrome (levotiroxina, IECA, bloqueadores de canal de cálcio, glicocorticoides).
A Síndrome Carcinoide é um conjunto de sintomas causados pela secreção de substâncias vasoativas — principalmente serotonina, mas também histamina, bradicinina, prostaglandinas e taquicininas — por tumores neuroendócrinos (tumores carcinoides), geralmente metastáticos no fígado. O flushing (rubor facial), a diarreia secretora, o broncoespasmo e a fibrose valvar cardíaca direita são as manifestações clássicas. O tratamento visa dois objetivos: controlar os sintomas da síndrome e tratar o tumor em si.
A terapia endócrina nesse contexto se baseia nos análogos de somatostatina. A somatostatina é um hormônio peptídico que inibe a liberação de diversos hormônios e neurotransmissores. Os análogos sintéticos (octreotida, lanreotida) ligam-se aos receptores de somatostatina (subtipo 2, principalmente) presentes em alta densidade nas células dos tumores carcinoides, bloqueando a exocitose das vesículas que contêm serotonina e outras aminas vasoativas. Isso reduz drasticamente os sintomas da síndrome, melhora a qualidade de vida e, em alguns casos, estabiliza o crescimento tumoral. São considerados a primeira linha de tratamento sintomático, sendo também utilizados no controle de outras síndromes por tumores neuroendócrinos, como o insulinoma e o glucagonoma.
A escolha da alternativa correta exige distinguir o papel de cada classe farmacológica. Enquanto os análogos de somatostatina atuam diretamente na fisiopatologia da síndrome (inibindo a secreção hormonal), as outras opções citadas — levotiroxina, IECA, bloqueadores de canais de cálcio e glicocorticoides — não têm indicação estabelecida para o controle dos sintomas da Síndrome Carcinoide. A banca explora exatamente essa confusão: o candidato pode associar o flushing a um problema cardiovascular (e pensar em IECA ou bloqueador de canal de cálcio) ou a um desequilíbrio hormonal genérico (e pensar em levotiroxina ou glicocorticoide), quando na verdade o mecanismo é a secreção tumoral de aminas vasoativas, que só os análogos de somatostatina conseguem inibir de forma eficaz.
Guarde o mecanismo: a Síndrome Carcinoide é uma síndrome de hipersecreção hormonal tumoral, e a terapia endócrina de escolha é a que bloqueia essa secreção — os análogos de somatostatina. É esse critério que separa a alternativa correta das demais.
Alternativa A — ❌ Incorreta
A levotiroxina é a reposição do hormônio tireoidiano (T4), utilizada no hipotireoidismo. Não há qualquer papel da levotiroxina no controle dos sintomas da Síndrome Carcinoide, que são mediados por serotonina e outras aminas vasoativas, não por hormônios tireoidianos. A alternativa confunde "terapia endócrina" com "hormônio tireoidiano", mas o tratamento da síndrome não envolve reposição hormonal tireoidiana.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Os inibidores da enzima conversora de angiotensina (IECA) são anti-hipertensivos que atuam no sistema renina-angiotensina-aldosterona. A Síndrome Carcinoide não causa hipertensão como manifestação principal — o flushing é um fenômeno vasomotor paroxístico, não hipertensão crônica — e os IECA não têm papel no controle dos sintomas da síndrome. A alternativa tenta associar o flushing a um problema cardiovascular, mas o mecanismo é a liberação de serotonina, não a ativação do sistema renina-angiotensina.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Os análogos de somatostatina (octreotida, lanreotida) são a terapia endócrina de primeira linha para controle dos sintomas da Síndrome Carcinoide. Eles se ligam aos receptores de somatostatina nas células tumorais e inibem a liberação de serotonina e outras substâncias vasoativas, controlando o flushing, a diarreia e demais manifestações. A alternativa descreve exatamente esse mecanismo: "inibir a liberação de substâncias vasoativas pelo tumor e controlar os sintomas da síndrome".
Alternativa D — ❌ Incorreta
Os bloqueadores dos canais de cálcio são anti-hipertensivos e antiarrítmicos. Embora possam ter algum efeito sintomático inespecífico em casos isolados, não são a principal estratégia para controlar as crises de flushing e diarreia na Síndrome Carcinoide. O tratamento de escolha para esses sintomas são os análogos de somatostatina, que atuam na causa (a secreção hormonal tumoral), não os bloqueadores de canal de cálcio, que atuam na musculatura vascular.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Os glicocorticoides (como prednisona) têm papel no controle de sintomas em algumas síndromes paraneoplásicas, mas não reduzem a secreção hormonal dos tumores carcinoides nem diminuem o tamanho do tumor. O tratamento endócrino de escolha para a Síndrome Carcinoide são os análogos de somatostatina. A alternativa atribui aos glicocorticoides um efeito que eles não possuem nesse contexto.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre "terapia endócrina" e "hormônios" de forma genérica. O candidato pode associar flushing a problema cardiovascular (IECA, bloqueador de canal de cálcio) ou pensar que qualquer hormônio serve (levotiroxina, glicocorticoide). O ponto-chave é lembrar que a Síndrome Carcinoide é uma síndrome de hipersecreção de serotonina por tumor neuroendócrino, e a terapia endócrina específica é a que bloqueia essa secreção: os análogos de somatostatina. Com esse raciocínio, você elimina as quatro distratoras de uma vez.