Em pacientes com colagenoses, como o lúpus eritematoso sistêmico, a avaliação da função renal é essencial devido às possíveis complicações renais. Qual das seguintes características é mais indicativa de envolvimento renal em pacientes com lúpus eritematoso sistêmico?
AAumento significativo dos níveis de ácido úrico no sangue, indicando uma possível gota associada.
BPresença de cilindros hialinos na urina, sugerindo uma desidratação severa.
CDetecção de anticorpos anti-DNA de cadeia dupla e a presença de hematúria e proteinúria, indicando a possível presença de lúpus nefrítico.
DElevação dos níveis de cálcio sérico, sugerindo hiperparatireoidismo secundário.
EAumento dos níveis de colesterol LDL no sangue, que é um marcador específico para dislipidemia primária.
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GabaritoC — Detecção de anticorpos anti-DNA de cadeia dupla e a presença de hematúria e proteinúria, indicando a possível presença de lúpus nefrítico.
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Lúpus Eritematoso Sistêmico: envolvimento renal
Gabarito: letra C. A nefrite lúpica é uma das manifestações mais graves do lúpus eritematoso sistêmico (LES) e sua suspeita se baseia na combinação de achados clínicos e laboratoriais: presença de anticorpos anti-DNA de dupla cadeia (marcador de atividade da doença e de nefrite) associada a hematúria e proteinúria no exame de urina. As demais alternativas descrevem alterações laboratoriais que não são específicas nem indicativas de envolvimento renal no LES.
O lúpus eritematoso sistêmico é uma doença autoimune multissistêmica crônica, caracterizada por períodos de atividade e remissão. O envolvimento renal, denominado nefrite lúpica, é uma das complicações mais temidas, pois pode levar à insuficiência renal crônica e à necessidade de diálise ou transplante. A patogênese envolve a deposição de imunocomplexos nos glomérulos, desencadeando uma resposta inflamatória que lesa o tecido renal.
O diagnóstico de nefrite lúpica se baseia em uma combinação de achados. Os anticorpos anti-DNA de dupla cadeia (anti-dsDNA) são altamente específicos para o LES e sua presença, especialmente em títulos elevados, correlaciona-se com atividade da doença, particularmente com a nefrite. A hematúria (presença de hemácias na urina) e a proteinúria (perda de proteínas na urina) são os marcadores laboratoriais clássicos de lesão glomerular. A proteinúria pode variar de leve a nefrótica (acima de 3,5 g/24h), e a hematúria pode ser microscópica ou macroscópica. A combinação desses três achados — anti-dsDNA positivo, hematúria e proteinúria — é fortemente indicativa de nefrite lúpica ativa.
Para confirmar o diagnóstico e classificar a lesão, a biópsia renal é frequentemente necessária, guiando a decisão terapêutica. O tratamento da nefrite lúpica envolve imunossupressão, com corticosteroides e agentes como micofenolato de mofetila ou ciclofosfamida, além de medidas de suporte como controle da pressão arterial e uso de inibidores da enzima conversora de angiotensina (IECA) ou bloqueadores do receptor de angiotensina (BRA) para reduzir a proteinúria.
A banca explora a confusão entre alterações laboratoriais inespecíficas e os marcadores específicos de nefrite lúpica. É fundamental que o candidato conheça os critérios diagnósticos e os marcadores de atividade da doença para responder corretamente.
O aumento do ácido úrico no sangue (hiperuricemia) não é um marcador de envolvimento renal no LES. Embora possa ocorrer em pacientes com insuficiência renal (por redução da excreção), não é específico nem indicativo de nefrite lúpica. A gota é uma condição associada à deposição de cristais de urato, mas não é uma complicação renal típica do lúpus. A alternativa confunde um achado inespecífico com um marcador de atividade da doença.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Cilindros hialinos na urina são compostos principalmente por proteínas (uromodulina) e podem aparecer em situações de desidratação, exercício intenso ou estresse, mas não são específicos de nefrite lúpica. Na nefrite lúpica, os cilindros mais característicos são os hemáticos, leucocitários ou granulosos, refletindo a inflamação glomerular. A alternativa descreve um achado inespecífico e não indica envolvimento renal pelo lúpus.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Esta alternativa reúne os três elementos-chave para a suspeita de nefrite lúpica: a presença de anticorpos anti-DNA de dupla cadeia (anti-dsDNA), que são marcadores de atividade da doença e estão fortemente associados à nefrite; a hematúria, que indica sangramento no trato urinário, geralmente de origem glomerular; e a proteinúria, que reflete a perda de proteínas pela barreira de filtração glomerular lesada. A combinação desses achados é altamente sugestiva de lúpus nefrítico e justifica a investigação e o tratamento adequados.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A elevação do cálcio sérico (hipercalcemia) sugere hiperparatireoidismo, neoplasias ou outras condições, mas não é um marcador de envolvimento renal no LES. O hiperparatireoidismo secundário pode ocorrer na doença renal crônica avançada, mas não é uma manifestação inicial ou específica da nefrite lúpica. A alternativa confunde uma complicação tardia da insuficiência renal com um marcador precoce de nefrite.
Alternativa E — ❌ Incorreta
O aumento do colesterol LDL é um marcador de dislipidemia, que pode estar presente em pacientes com síndrome nefrótica (devido à perda de proteínas e ao aumento da síntese hepática de lipoproteínas), mas não é um marcador específico de envolvimento renal no LES. A dislipidemia é uma comorbidade comum no lúpus, mas não indica nefrite. A alternativa descreve um achado inespecífico e não relacionado diretamente à lesão renal lúpica.