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Questão de Medicina — Nefrologia — Avança SP 2024

MedicinaNefrologia
Código
qg091316
Banca
Avança SP
Órgão
Prefeitura de Pedreira - SP
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Médico I (Nefrologista)
O biomarcador Cistatina C é frequentemente utilizado na avaliação da função renal em pacientes com doença renal crônica. Qual das seguintes afirmações descreve corretamente a importância do Cistatina C na prática clínica?
  1. ACistatina C é um biomarcador específico para o diagnóstico de nefrolitíase e não é útil na avaliação da função renal global.
  2. BCistatina C é preferível à creatinina para avaliar a função renal em pacientes com função muscular alterada ou desnutrição, pois é menos influenciado pela massa muscular e outros fatores.
  3. CCistatina C é utilizado principalmente para avaliar a presença de hipertensão arterial em pacientes com doença renal crônica, não sendo um indicador de função renal.
  4. DA dosagem de Cistatina C é indicada apenas após a confirmação do diagnóstico de doença renal crônica, servindo apenas para monitoramento e não para diagnóstico inicial.
  5. ECistatina C tem importância limitada no diagnóstico de doença renal, sendo o exame de escolha a dosagem de ureia e creatinina.
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GabaritoB — Cistatina C é preferível à creatinina para avaliar a função renal em pacientes com função muscular alterada ou desnutrição, pois é menos influenciado pela massa muscular e outros fatores.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Cistatina C na avaliação da função renal

Gabarito: letra B. A cistatina C é um biomarcador de função renal que, por ser produzida de forma constante por todas as células nucleadas e filtrada livremente pelo glomérulo, é menos influenciada pela massa muscular, idade, sexo e estado nutricional do que a creatinina — tornando-a particularmente útil em pacientes com função muscular alterada ou desnutrição. Essa é a vantagem clínica central que a alternativa B descreve corretamente.

A cistatina C é uma proteína de baixo peso molecular (cerca de 13 kDa) produzida de forma constante por todas as células nucleadas do organismo. Ela é livremente filtrada pelo glomérulo, reabsorvida e catabolizada nos túbulos proximais, não sendo secretada em quantidade significativa pelos túbulos. Por isso, sua concentração sérica reflete diretamente a taxa de filtração glomerular (TFG): quando a TFG cai, os níveis de cistatina C sobem de forma proporcional. Essa característica a torna um marcador endógeno de função renal comparável à creatinina, mas com uma vantagem importante: a creatinina é um produto do metabolismo muscular, então sua produção varia com a massa muscular, idade, sexo e dieta rica em proteínas. Já a cistatina C, por ser produzida de forma constante por todas as células nucleadas, não sofre essas influências — o que a torna mais precisa em populações específicas, como idosos, crianças, pacientes desnutridos ou com sarcopenia, amputados e portadores de doenças neuromusculares.

Na prática clínica, a cistatina C é usada principalmente em duas situações: (1) como confirmatório quando a creatinina e a TFG estimada por creatinina (CKD-EPI creatinina) são discordantes ou imprecisas, e (2) como alternativa em pacientes nos quais a creatinina é notoriamente pouco confiável, como os mencionados acima. As diretrizes KDIGO (Kidney Disease: Improving Global Outcomes) recomendam que, quando a TFG estimada por creatinina não for confiável, pode-se usar a TFG estimada por cistatina C ou a combinação de ambas (CKD-EPI creatinina-cistatina C). É importante destacar que a cistatina C não é um marcador específico de nenhuma doença renal em particular — ela avalia a função renal global, não diagnostica nefrolitíase, hipertensão ou qualquer outra condição específica. Também não é um exame de segunda linha restrito ao monitoramento: ela pode ser usada no diagnóstico inicial da DRC, especialmente quando há suspeita de que a creatinina esteja subestimando a perda de função renal.

A principal pegadinha desta questão é a tentativa de rebaixar a cistatina C a um papel secundário ou específico, quando na verdade ela é um marcador de função renal global com vantagens claras sobre a creatinina em situações específicas. A banca explora o desconhecimento sobre as indicações precisas do biomarcador, fazendo afirmações que misturam conceitos de outras doenças renais (nefrolitíase, hipertensão) com a avaliação da função renal. O candidato que sabe que a cistatina C é um marcador de TFG menos influenciado por fatores não renais elimina rapidamente as alternativas A, C, D e E.

Cistatina C
  • 1Produção constante (células nucleadas)
  • 2Filtração glomerular livre
  • 3Reflete a TFG
  • 4Vantagem sobre a creatinina
    • Menos influenciada por massa muscular
    • Menos influenciada por idade/sexo
    • Menos influenciada por estado nutricional
  • 5Indicações clínicas
    • TFG estimada por creatinina não confiável
    • Confirmação de DRC no diagnóstico inicial
  • 6Não é marcador de
    • Nefrolitíase
    • Hipertensão
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Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que a cistatina C é específica para o diagnóstico de nefrolitíase e não é útil na avaliação da função renal global. Isso é duplamente errado: a cistatina C não tem nenhuma relação com nefrolitíase (cálculos renais), e sua principal utilidade é justamente avaliar a função renal global, estimando a TFG. O erro aqui é a troca do papel do biomarcador — ele não diagnostica nenhuma doença renal específica, mas mede a função de filtração do rim como um todo.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Descreve corretamente a principal vantagem da cistatina C sobre a creatinina: ser menos influenciada pela massa muscular e outros fatores, como idade, sexo e estado nutricional. Isso a torna preferível em pacientes com função muscular alterada (sarcopenia, amputações, doenças neuromusculares) ou desnutrição, nos quais a creatinina pode subestimar a perda de função renal. A alternativa espelha exatamente a indicação clínica do biomarcador.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Afirma que a cistatina C é usada principalmente para avaliar hipertensão arterial em pacientes com DRC, não sendo um indicador de função renal. Isso é falso: a cistatina C é um marcador de função renal (TFG), não um marcador de hipertensão. A hipertensão é uma causa e consequência da DRC, mas é avaliada por medida direta da pressão arterial, não por biomarcadores séricos. A alternativa confunde o biomarcador de função renal com um marcador de uma comorbidade associada.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Afirma que a dosagem de cistatina C é indicada apenas após a confirmação do diagnóstico de DRC, servindo apenas para monitoramento e não para diagnóstico inicial. Isso é incorreto: a cistatina C pode e deve ser usada no diagnóstico inicial da DRC, especialmente quando a creatinina não é confiável (ex.: pacientes desnutridos, idosos, com baixa massa muscular). Não há nenhuma restrição que limite seu uso ao monitoramento pós-diagnóstico. A alternativa tenta rebaixar o biomarcador a um papel secundário que ele não tem.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Afirma que a cistatina C tem importância limitada no diagnóstico de doença renal, sendo o exame de escolha a dosagem de ureia e creatinina. Isso é incorreto por dois motivos: (1) a cistatina C tem importância significativa no diagnóstico de DRC, especialmente em populações específicas; (2) a ureia e a creatinina não são os exames de escolha isoladamente — a creatinina é usada para estimar a TFG (com equações como CKD-EPI), e a ureia é um marcador muito menos preciso, influenciado por dieta, hidratação e catabolismo proteico. A alternativa desvaloriza indevidamente a cistatina C e supervaloriza a ureia, que é um marcador inferior.

Gabarito: letra B

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