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Questão de Medicina — Neurologia — Avança SP 2024

MedicinaNeurologia
Código
qg091325
Banca
Avança SP
Órgão
Prefeitura de Pedreira - SP
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Médico I (Neurologista Infantil)
Uma criança de 3 anos, previamente hígida, é trazida ao pronto-socorro após apresentar uma crise convulsiva tônico-clônica generalizada. A mãe relata que a criança teve febre alta nas últimas 24 horas. O exame físico é normal, exceto pela febre. Qual a causa mais provável da crise convulsiva nesse caso?
  1. AEpilepsia idiopática.
  2. BTumor cerebral.
  3. CMeningite bacteriana.
  4. DConvulsão febril.
  5. EHipoglicemia.
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GabaritoD — Convulsão febril.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Convulsão febril na infância

Gabarito: letra D. A criança de 3 anos, previamente hígida, com crise tônico-clônica generalizada associada a febre alta nas últimas 24 horas, sem outras alterações ao exame físico, preenche os critérios clássicos de convulsão febril simples — a causa mais provável e a mais comum de crise convulsiva nessa faixa etária. O diagnóstico é essencialmente clínico, baseado na história e no exame físico, conforme a definição de crise febril como aquela em que o único agente provocador agudo é a febre, em crianças entre 1 mês e 5 anos, sem história prévia de epilepsia.

A convulsão febril é o transtorno convulsivo mais comum da infância, afetando 2% a 5% das crianças. O quadro típico é exatamente o descrito no enunciado: criança pequena, previamente hígida, que apresenta crise generalizada nas primeiras 24 horas de elevação da temperatura, geralmente por infecção de vias aéreas superiores. O exame físico normal, exceto pela febre, reforça o diagnóstico, pois não há sinais de comprometimento neurológico focal, meningismo ou rebaixamento do nível de consciência que sugeririam outra etiologia.

A crise febril simples é definida como uma crise tônico-clônica generalizada isolada, com duração inferior a 15 minutos, não recorrente em 24 horas, em criança de 6 meses a 5 anos, sem déficits neurológicos prévios e sem crises afebris anteriores. Já a crise febril complexa é aquela com duração maior que 15 minutos, focal, ou que recorre mais de uma vez no mesmo episódio febril, ou associada a anormalidades neurológicas pós-ictais, como a paralisia de Todd. No caso apresentado, a crise foi única, generalizada e em criança de 3 anos — o que configura o padrão simples.

O diagnóstico diferencial é importante e inclui meningite, encefalite, distúrbios metabólicos (hipoglicemia, hipocalcemia, hipernatremia) e traumatismo craniano. No entanto, a ausência de sinais meníngeos, o exame neurológico normal e o contexto de febre alta em criança previamente hígida tornam a convulsão febril a hipótese mais provável. A punção lombar é indicada apenas em situações específicas: presença de sinais meníngeos, uso recente de antibióticos ou crianças menores de 18 meses com deterioração clínica. Nos casos de crise febril simples, não estão recomendados exames laboratoriais de rotina, EEG ou exames de imagem.

O prognóstico é benigno: as crises febris simples não causam dano neurológico permanente, não aumentam o risco de epilepsia de forma significativa (cerca de 1% a 1,5%, pouco acima da população geral) e tendem a cessar espontaneamente com a idade. O tratamento da crise aguda é o mesmo de qualquer crise convulsiva, e a profilaxia contínua com fenobarbital ou valproato não é recomendada, pois os efeitos adversos superam os benefícios. A conduta se concentra no controle da febre e na orientação aos pais.

A pegadinha desta questão está em considerar outras causas graves (meningite, tumor, hipoglicemia) diante de uma crise convulsiva com febre, quando o quadro clínico típico aponta claramente para a convulsão febril. A banca explora o reflexo do candidato em pensar em causas mais "graves", mas a epidemiologia e a apresentação clínica favorecem o diagnóstico mais comum e benigno. Guarde o critério: criança de 6 meses a 5 anos, crise generalizada, febre > 38°C, exame neurológico normal e sem história de epilepsia = convulsão febril simples até prova em contrário.

Alternativa A — ❌ Incorreta

A epilepsia idiopática é caracterizada por crises recorrentes e não provocadas, sem fator desencadeante agudo identificável. No caso, a crise foi claramente provocada pela febre, em criança previamente hígida, sem história de crises anteriores — o que afasta o diagnóstico de epilepsia. A convulsão febril é uma crise provocada, não uma epilepsia.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Tumor cerebral é uma causa rara de crise convulsiva na infância e geralmente se manifesta com outros sinais neurológicos, como cefaleia, déficits focais, alterações de comportamento ou hipertensão intracraniana. O exame físico normal, exceto pela febre, e o contexto de doença febril aguda tornam essa hipótese muito improvável. Não há indicação de neuroimagem de rotina na crise febril simples.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A meningite bacteriana é uma emergência que pode cursar com crise convulsiva e febre, mas geralmente se acompanha de sinais meníngeos (rigidez de nuca, Kernig, Brudzinski), rebaixamento do nível de consciência, irritabilidade ou outros sinais de toxemia. O exame físico normal, exceto pela febre, e a criança previamente hígida tornam essa hipótese menos provável. A punção lombar é reservada para casos com suspeita clínica, não para toda crise febril.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A convulsão febril é a causa mais provável e mais comum de crise convulsiva em crianças de 6 meses a 5 anos com febre. O quadro preenche todos os critérios: criança de 3 anos, crise tônico-clônica generalizada, febre alta nas últimas 24 horas, exame físico normal exceto pela febre e ausência de história prévia de epilepsia. O diagnóstico é clínico e o prognóstico é benigno.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A hipoglicemia pode causar crise convulsiva, mas geralmente ocorre em contexto específico (jejum prolongado, diabetes, erro inato do metabolismo) e costuma cursar com outros sinais como sudorese, palidez, taquicardia e alteração do nível de consciência. No caso, o contexto é de febre alta em criança previamente hígida, sem fatores de risco para hipoglicemia. A glicemia capilar deve ser verificada na avaliação inicial, mas não é a causa mais provável.

Gabarito: letra D — a convulsão febril simples é a causa mais provável da crise convulsiva nessa criança, pelo quadro clínico típico e pela epidemiologia.

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