Uma criança com lúpus eritematoso sistêmico (LES) apresenta episódios de dor de cabeça, convulsões e alterações de comportamento. O exame neurológico revela sinais de comprometimento cognitivo e motor, e os exames de imagem mostram lesões em substância branca. O achado neurológico mais comum em crianças com LES que está relacionado a essas manifestações é:
ALeucoencefalopatia difusa.
BAtrofia do hipocampo.
CHemorragia subaracnóidea.
DInfecção viral do sistema nervoso central.
ETumor cerebral primário.
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GabaritoA — Leucoencefalopatia difusa.
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Lúpus eritematoso sistêmico neuropsiquiátrico: o achado de imagem mais comum
Gabarito: letra A (Leucoencefalopatia difusa). Em crianças com LES e manifestações neuropsiquiátricas — cefaleia, convulsões, alterações de comportamento, comprometimento cognitivo e motor — o achado de neuroimagem mais característico é a leucoencefalopatia difusa, que corresponde a lesões na substância branca cerebral, exatamente como descrito no enunciado. Essa é a apresentação típica do envolvimento do sistema nervoso central pelo lúpus, que cursa com inflamação e dano à substância branca.
O lúpus eritematoso sistêmico (LES) é uma doença autoimune multissistêmica crônica, caracterizada pela produção de autoanticorpos e deposição de imunocomplexos que levam à inflamação de diversos órgãos. Quando o sistema nervoso é acometido, temos o chamado LES neuropsiquiátrico (LESNP), que pode envolver qualquer área do sistema nervoso, com comprometimento difuso ou focal do sistema nervoso central (SNC), bem como do sistema nervoso periférico (SNP). O comprometimento difuso manifesta-se como disfunção cognitiva, estado confusional agudo, cefaleia, meningite asséptica e transtornos do humor; o comprometimento focal manifesta-se como doença cerebrovascular, mielopatia, distúrbios do movimento, síndromes desmielinizantes e convulsões.
Na neuroimagem, o achado mais comum e característico do LESNP é a leucoencefalopatia difusa, que se traduz por lesões na substância branca cerebral, visíveis na ressonância magnética como hiperintensidades em T2 e FLAIR. Essas lesões refletem a inflamação e o dano à substância branca, que podem ser decorrentes de fenômenos isquêmicos, desmielinizantes ou inflamatórios diretos. É importante destacar que, embora outras alterações possam ocorrer, como atrofia cerebral, a leucoencefalopatia difusa é o padrão mais frequentemente observado em crianças com LES e manifestações neuropsiquiátricas.
A banca explora aqui a associação direta entre o quadro clínico descrito (cefaleia, convulsões, alterações de comportamento, comprometimento cognitivo e motor) e o achado de imagem correspondente (lesões em substância branca). O candidato que conhece a fisiopatologia do LESNP e seus correlatos de imagem identifica prontamente a leucoencefalopatia difusa como a resposta correta, eliminando as demais alternativas que representam outras entidades neurológicas não relacionadas ao lúpus.
Guarde a relação: LES neuropsiquiátrico → lesões em substância branca → leucoencefalopatia difusa. É esse o critério que separa a alternativa correta das demais, que descrevem outras condições neurológicas com apresentações clínicas e de imagem distintas.
LES neuropsiquiátrico (LESNP)
1Manifestações clínicas
Cefaleia
Convulsões
Alterações de comportamento
Comprometimento cognitivo e motor
2Achado de imagem mais comum
Leucoencefalopatia difusa
Lesões na substância branca
Hiperintensidade em T2/FLAIR
3Outros achados possíveis
Atrofia cerebral
Eventos vasculares
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A leucoencefalopatia difusa é o achado de neuroimagem mais comum em crianças com LES e manifestações neuropsiquiátricas. O enunciado descreve exatamente esse quadro: cefaleia, convulsões, alterações de comportamento, comprometimento cognitivo e motor, com lesões em substância branca nos exames de imagem. A leucoencefalopatia difusa corresponde a essas lesões na substância branca cerebral, sendo a manifestação típica do envolvimento do SNC pelo lúpus.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A atrofia do hipocampo é um achado mais associado a epilepsias do lobo temporal, doenças neurodegenerativas ou quadros de encefalite límbica, não sendo o achado característico do LES neuropsiquiátrico. Embora possa haver atrofia cerebral em casos avançados de LES, a atrofia isolada do hipocampo não é a manifestação mais comum nem a que melhor explica o quadro clínico descrito, que aponta para lesões difusas da substância branca.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A hemorragia subaracnóidea é uma condição aguda, geralmente decorrente de ruptura de aneurisma ou trauma, e não uma manifestação típica do LES. Embora o LES possa cursar com eventos vasculares, como acidente vascular cerebral isquêmico ou hemorrágico, a hemorragia subaracnóidea não é o achado mais comum nem o que melhor se correlaciona com o quadro clínico descrito, que sugere um comprometimento difuso e crônico da substância branca.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A infecção viral do sistema nervoso central é uma complicação possível em pacientes imunossuprimidos, mas não é a manifestação neurológica primária do LES. O quadro descrito — cefaleia, convulsões, alterações de comportamento e lesões em substância branca — é mais compatível com o envolvimento autoimune do SNC pelo lúpus do que com uma infecção viral, que geralmente cursa com febre, sinais meníngeos e alterações liquóricas características.
Alternativa E — ❌ Incorreta
O tumor cerebral primário é uma neoplasia do SNC que pode causar cefaleia, convulsões e déficits focais, mas não é uma manifestação do LES. A presença de doença autoimune sistêmica como o LES, associada a lesões difusas em substância branca, aponta para o envolvimento lúpico do SNC, e não para uma neoplasia, que teria um padrão de imagem diferente, geralmente com lesão expansiva única e efeito de massa.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre as complicações neurológicas do LES e outras doenças do SNC. O candidato que não conhece o espectro do LESNP pode ser atraído por alternativas como hemorragia subaracnóidea ou tumor cerebral, que são condições neurológicas graves, mas não estão relacionadas ao lúpus. A chave é associar o quadro clínico (cefaleia, convulsões, alterações de comportamento, comprometimento cognitivo e motor) com o achado de imagem (lesões em substância branca) para identificar a leucoencefalopatia difusa como a manifestação típica.
PEGA ESSA DICA!
Para questões sobre LES neuropsiquiátrico, memorize o espectro de manifestações do SNC: disfunção cognitiva, cefaleia, convulsões, psicose, transtornos de humor, meningite asséptica, mielite transversa e síndromes desmielinizantes. Na neuroimagem, o achado mais comum é a leucoencefalopatia difusa, com lesões na substância branca. Essa associação clínico-radiológica é a chave para resolver questões como esta.