Um adolescente de 14 anos apresenta queixa de cefaleia holocraniana, pulsátil, de moderada intensidade, associada a náuseas e fotofobia. A dor piora com atividade física e melhora com repouso em ambiente escuro. Ao exame neurológico, você observa rigidez nucal e sinal de Kernig positivo. Qual a principal hipótese diagnóstica e a conduta inicial recomendada?
AEnxaqueca; tratamento com analgésicos e antieméticos.
BMeningite; punção lombar para análise do líquor e antibioticoterapia empírica.
CTumor cerebral; ressonância magnética de crânio.
DCefaleia tensional; tratamento com relaxantes musculares e terapia cognitivocomportamental.
EHemorragia subaracnóidea; tomografia computadorizada de crânio e arteriografia cerebral.
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GabaritoB — Meningite; punção lombar para análise do líquor e antibioticoterapia empírica.
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Cefaleia com sinais meníngeos: meningite versus enxaqueca
Gabarito: letra B. A presença de rigidez nucal e sinal de Kernig positivo, somada à cefaleia com fotofobia e náuseas, aponta para meningite — a conduta inicial é a punção lombar para análise do líquor e antibioticoterapia empírica. A enxaqueca, embora explique a cefaleia pulsátil com fotofobia e náuseas, não cursa com sinais meníngeos, que são o diferencial decisivo neste caso.
A cefaleia é um dos sintomas mais comuns na prática médica, e a principal tarefa do clínico é distinguir as formas primárias (como enxaqueca e cefaleia tensional) das secundárias, que indicam doença orgânica subjacente. As cefaleias primárias são condições em si mesmas, geralmente benignas e crônicas; as secundárias são sintomas de outra patologia, como infecção, neoplasia ou hemorragia. Nesta questão, o adolescente apresenta uma cefaleia que, isoladamente, lembraria enxaqueca — pulsátil, holocraniana, com náuseas, fotofobia e piora com atividade física. Porém, o exame neurológico revela rigidez nucal e sinal de Kernig positivo, que são sinais meníngeos clássicos e não fazem parte do quadro de enxaqueca. A presença desses sinais é o ponto-chave que direciona o diagnóstico para uma causa secundária, especificamente a meningite.
A meningite é a inflamação das meninges, geralmente de origem infecciosa (bacteriana ou viral). O quadro clássico inclui cefaleia, febre, rigidez de nuca e alteração do nível de consciência. Os sinais de Kernig e Brudzinski são manobras semiológicas que indicam irritação meníngea. O diagnóstico é confirmado pela análise do líquido cefalorraquidiano (LCR) obtido por punção lombar, que mostra alterações características conforme o agente etiológico. Na meningite bacteriana, o LCR costuma estar turvo, com pleocitose neutrofílica, glicose diminuída e proteínas aumentadas. O tratamento deve ser iniciado imediatamente, de forma empírica, com antibioticoterapia de amplo espectro, sem aguardar o resultado da cultura, pois o atraso está associado a pior prognóstico.
A enxaqueca, por sua vez, é uma cefaleia primária com critérios diagnósticos bem definidos: crises de 4 a 72 horas, dor pulsátil, unilateral, de intensidade moderada a forte, que piora com atividade física e se associa a náuseas, vômitos, fotofobia e fonofobia. O diagnóstico é essencialmente clínico, e o exame neurológico é normal entre as crises. A presença de sinais meníngeos, como rigidez de nuca e Kernig, não faz parte do quadro de enxaqueca e deve sempre levantar a suspeita de uma causa secundária, como meningite ou hemorragia subaracnóidea. A hemorragia subaracnóidea também pode cursar com rigidez de nuca, mas o quadro típico é de cefaleia de início súbito e intensidade máxima (cefaleia em trovoada), o que não é descrito no enunciado.
A distinção entre enxaqueca e meningite é crucial, pois a conduta é completamente diferente: na enxaqueca, o tratamento é sintomático com analgésicos e antieméticos; na meningite, é uma emergência médica que exige punção lombar e antibioticoterapia imediata. A banca explora exatamente essa confusão: o candidato que se fixa apenas nas características da cefaleia (pulsátil, fotofobia, náuseas) pode ser levado a escolher a enxaqueca, ignorando os sinais meníngeos que são o dado mais importante do exame físico. Guarde este critério: sinais meníngeos (rigidez de nuca, Kernig, Brudzinski) + cefaleia = pensar em meningite ou hemorragia subaracnóidea, nunca em cefaleia primária.
Cefaleia
1Primária (benigna)
Enxaqueca
Pulsátil, fotofobia, náuseas
Sem sinais meníngeos
Tensional
Aperto, bilateral, sem náuseas
2Secundária (sinal de doença)
Meningite
Sinais meníngeos (rigidez, Kernig)
Conduta: punção lombar + ATB empírica
Hemorragia subaracnóidea
Cefaleia em trovoada
Conduta: TC de crânio
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Alternativa A — ❌ Incorreta
A enxaqueca explica a cefaleia pulsátil, holocraniana, com náuseas, fotofobia e piora com atividade física. Porém, a presença de rigidez nucal e sinal de Kernig positivo não faz parte do quadro de enxaqueca e indica irritação meníngea, o que afasta o diagnóstico de cefaleia primária. O tratamento com analgésicos e antieméticos seria adequado para uma crise de enxaqueca, mas não para uma meningite, que exige antibioticoterapia imediata.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A meningite é a principal hipótese diagnóstica diante de cefaleia associada a rigidez nucal e sinal de Kernig positivo. A conduta inicial é a punção lombar para análise do líquor, que confirma o diagnóstico, e o início imediato de antibioticoterapia empírica, sem aguardar o resultado da cultura, pois o atraso no tratamento está associado a pior prognóstico. A punção lombar deve ser realizada após a exclusão de hipertensão intracraniana, se houver suspeita.
Alternativa C — ❌ Incorreta
O tumor cerebral pode causar cefaleia, mas geralmente se apresenta com sinais neurológicos focais, papiledema ou início recente e progressivo. A rigidez nucal e o sinal de Kernig não são características de tumor cerebral, e sim de irritação meníngea. A ressonância magnética de crânio seria indicada para investigar neoplasia, mas não é a conduta inicial diante de um quadro sugestivo de meningite.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A cefaleia tensional é caracterizada por dor bilateral, em aperto ou pressão, de intensidade leve a moderada, que não piora com atividade física e não se associa a náuseas ou vômitos. O quadro descrito no enunciado — cefaleia pulsátil com náuseas, fotofobia e piora com atividade física — é compatível com enxaqueca, e a presença de sinais meníngeos afasta a cefaleia tensional. O tratamento com relaxantes musculares e terapia cognitivo-comportamental não é a conduta para meningite.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A hemorragia subaracnóidea pode causar rigidez de nuca, mas o quadro típico é de cefaleia de início súbito e intensidade máxima (cefaleia em trovoada), frequentemente descrita como a pior dor de cabeça da vida. O enunciado descreve uma cefaleia de moderada intensidade, que piora com atividade física e melhora com repouso, o que não é característico de hemorragia subaracnóidea. A tomografia computadorizada de crânio é o exame inicial para hemorragia subaracnóidea, mas não é a principal hipótese diagnóstica neste caso.