Questão de Medicina — Neurologia — Avança SP 2024
- Código
- qg091351
- Banca
- Avança SP
- Órgão
- Prefeitura de Pedreira - SP
- Ano
- 2024
- Nível
- Superior
- Cargo
- Médico I (Neurologista)
- ARiluzol.
- BBaclofeno.
- COlanzapina.
- DEdaravone.
- ETizanidina.
GabaritoD — Edaravone.
Gabarito: letra D (Edaravone). O edaravone é um medicamento aprovado pela FDA para o tratamento da ELA que atua como antioxidante, reduzindo o estresse oxidativo nos neurônios — exatamente o mecanismo descrito no enunciado. O riluzol (letra A) também é aprovado, mas seu mecanismo principal é a inibição da liberação de glutamato, não a ação antioxidante.
A esclerose lateral amiotrófica (ELA) é uma doença neurodegenerativa progressiva e fatal que afeta seletivamente os neurônios motores superiores (córtex cerebral) e inferiores (tronco encefálico e corno anterior da medula espinhal). A degeneração desses neurônios leva a fraqueza muscular progressiva, atrofia, fasciculações e, eventualmente, insuficiência respiratória. A sobrevida média é de 3 a 5 anos após o início dos sintomas.
O tratamento da ELA tem dois pilares principais: o medicamento modificador da doença (que visa retardar a progressão) e o tratamento sintomático (que visa melhorar a qualidade de vida). Até o momento, poucos fármacos demonstraram eficácia em alterar a história natural da doença. Os dois principais aprovados são o riluzol e o edaravone, cada um com um mecanismo de ação distinto.
O riluzol foi o primeiro medicamento aprovado para a ELA. Seu mecanismo de ação envolve a inibição da liberação de glutamato na fenda sináptica, reduzindo a excitotoxicidade — o dano neuronal causado pelo excesso de estimulação glutamatérgica. Estudos demonstraram um aumento modesto na sobrevida, de aproximadamente 2 a 3 meses, especialmente em pacientes com início bulbar da doença. O riluzol é administrado por via oral, na dose de 50 mg a cada 12 horas, 1 hora antes ou 2 horas após as refeições.
O edaravone, por sua vez, é um antioxidante que atua como um sequestrador de radicais livres, reduzindo o estresse oxidativo — um dos mecanismos propostos para a degeneração dos neurônios motores na ELA. Foi aprovado pela FDA em 2017, com base em estudos que demonstraram uma desaceleração na progressão da doença em pacientes com ELA precoce e leve. É administrado por via intravenosa, em ciclos mensais.
A distinção entre os mecanismos de ação é crucial para responder a esta questão: enquanto o riluzol atua na via do glutamato (excitotoxicidade), o edaravone atua na via do estresse oxidativo (antioxidante). O enunciado pede especificamente o medicamento com mecanismo antioxidante, o que aponta diretamente para o edaravone.
As demais alternativas são fármacos utilizados no tratamento sintomático da ELA ou de outras condições, mas não são aprovados como modificadores da doença. O baclofeno e a tizanidina são relaxantes musculares usados para aliviar a espasticidade; a olanzapina é um antipsicótico atípico, usado para sintomas neuropsiquiátricos. Nenhum deles tem ação antioxidante relevante nem é aprovado pela FDA para o tratamento da ELA.
Guarde a fronteira entre os dois fármacos modificadores da doença: riluzol = anti-glutamatérgico e edaravone = antioxidante. É exatamente nessa distinção que as alternativas se dividem.
O riluzol é, de fato, aprovado pela FDA para o tratamento da ELA, mas seu mecanismo de ação não é antioxidante. Ele atua inibindo a liberação de glutamato, reduzindo a excitotoxicidade neuronal. A banca explora a confusão entre os dois fármacos modificadores da doença: ambos são aprovados, mas com mecanismos distintos.
O baclofeno é um relaxante muscular (agonista GABAérgico) utilizado no tratamento sintomático da espasticidade, que pode ocorrer na ELA, mas não é aprovado pela FDA como modificador da doença e não possui mecanismo antioxidante. A revisão sistemática da Cochrane mencionada no contexto concluiu que os moduladores GABA (como baclofeno e gabapentina) não são eficazes para reduzir a progressão da ELA.
A olanzapina é um antipsicótico atípico, utilizado para tratar sintomas neuropsiquiátricos (como psicose ou agitação) que podem surgir em pacientes com ELA, especialmente naqueles com componente de demência frontotemporal. Não é aprovada pela FDA para o tratamento da ELA e não possui mecanismo antioxidante.
O edaravone é um antioxidante que atua como sequestrador de radicais livres, reduzindo o estresse oxidativo nos neurônios — mecanismo diretamente relacionado à patogênese da ELA. Foi aprovado pela FDA em 2017 para o tratamento da doença, com evidências de desaceleração da progressão em pacientes com ELA precoce. É exatamente o que o enunciado descreve.
A tizanidina é um relaxante muscular de ação central (agonista alfa-2 adrenérgico), utilizado para aliviar a espasticidade, mas não é aprovada pela FDA para o tratamento da ELA e não possui mecanismo antioxidante.
A banca explora a confusão entre os dois fármacos modificadores da doença na ELA: riluzol e edaravone. Ambos são aprovados, mas o riluzol atua na via do glutamato (anti-excitotóxico), enquanto o edaravone atua na via do estresse oxidativo (antioxidante). O candidato que sabe que o riluzol é aprovado pode marcá-lo sem ler o mecanismo descrito no enunciado — mas a questão pede especificamente o antioxidante. Com treino, você enxerga essa pegadinha de longe 💪
Gabarito: letra D
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