Questão de Medicina — Oftalmologia — Avança SP 2024
Medicina›Oftalmologia
Código
qg091358
Banca
Avança SP
Órgão
Prefeitura de Pedreira - SP
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Médico I (Oftalmologista)
Lesões acometendo o trato óptico e as vias visuais superiores podem resultar em defeitos campimétricos característicos. Indique qual dos seguintes padrões de perda de campo visual é mais consistentemente associado a uma lesão do quiasma óptico:
AHemianopsia homônima lateral.
BEscotoma central unilateral.
CHemianopsia bitemporal.
DQuadrantanopsia superior.
EAnopsia total unilateral.
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GabaritoC — Hemianopsia bitemporal.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Defeitos campimétricos e localização das lesões nas vias visuais
Gabarito: letra C (Hemianopsia bitemporal). A hemianopsia bitemporal — perda dos hemicampos temporais de ambos os olhos — é o padrão campimétrico clássico e mais consistentemente associado à lesão do quiasma óptico, pois as fibras nasais (que cruzam no quiasma) são interrompidas bilateralmente. Essa correlação topográfica é um dos pilares da neuroftalmologia e está documentada em tabelas de defeitos do campo visual por localização da lesão.
O sistema visual é organizado de forma que cada ponto da retina tem uma representação específica ao longo da via óptica — é a somatotopia. As fibras da retina temporal de cada olho seguem ipsilateralmente (sem cruzar), enquanto as fibras da retina nasal cruzam no quiasma óptico. Por isso, uma lesão no quiasma interrompe as fibras nasais de ambos os olhos, eliminando a visão dos campos temporais de cada lado — daí o nome "bitemporal". Essa é a assinatura topográfica do quiasma, e a banca explora exatamente essa correlação.
Na prática clínica, a hemianopsia bitemporal é o achado clássico de tumores hipofisários que comprimem o quiasma por baixo, como o adenoma de hipófise. O paciente pode não perceber a perda periférica de imediato, mas a campimetria revela o defeito. É importante distinguir esse padrão dos demais: lesões pré-quiasmáticas (retina ou nervo óptico) causam defeitos monoculares, como escotoma central; lesões retroquiasmáticas (trato óptico, radiações ópticas, córtex) causam defeitos homônimos, ou seja, que afetam o mesmo lado do campo visual nos dois olhos.
A pegadinha desta questão está em confundir a hemianopsia homônima (lesão retroquiasmática) com a bitemporal (lesão quiasmática). A homônima afeta os hemicampos direitos ou esquerdos de ambos os olhos, enquanto a bitemporal afeta os hemicampos temporais. Guarde a fronteira: quiasma = bitemporal; pós-quiasma = homônima. É exatamente nessa distinção que as alternativas se dividem.
Defeitos campimétricos
1Pré-quiasmática (retina/nervo óptico)
Escotoma central unilateral
Anopsia total unilateral
2Quiasma óptico
Hemianopsia bitemporal
3Retroquiasmática (trato/radiações/córtex)
Hemianopsia homônima
Quadrantanopsia superior (lobo temporal)
Quadrantanopsia inferior (lobo parietal)
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Alternativa A — ❌ Incorreta
A hemianopsia homônima lateral (ou homônima) é o padrão de lesões retroquiasmáticas — trato óptico, radiações ópticas ou córtex visual —, não do quiasma. Nela, a perda atinge os hemicampos direitos ou esquerdos de ambos os olhos, pois as fibras já cruzaram no quiasma e seguem juntas no mesmo lado. A banca troca a localização da lesão: quiasma (bitemporal) por vias pós-quiasmáticas (homônima).
Alternativa B — ❌ Incorreta
O escotoma central unilateral é típico de lesão pré-quiasmática, especificamente da mácula ou do nervo óptico de um olho. A lesão quiasmática, por ser bilateral (afeta as fibras nasais dos dois olhos), produz um defeito binocular, não monocular. A alternativa confunde o nível da lesão: pré-quiasmática (monocular) com quiasmática (binocular).
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A hemianopsia bitemporal é o padrão patognomônico de lesão do quiasma óptico. As fibras nasais de ambos os olhos cruzam no quiasma; sua interrupção bilateral elimina os campos temporais de cada olho. É o achado clássico de compressão quiasmática, como no adenoma hipofisário. A alternativa espelha exatamente a correlação topográfica descrita na literatura: "Quiasma óptico → Hemianopsia bitemporal".
Alternativa D — ❌ Incorreta
A quadrantanopsia superior (perda de um quadrante superior do campo visual) é característica de lesão nas radiações ópticas do lobo temporal (alça de Meyer), não do quiasma. A quadrantanopsia inferior, por sua vez, associa-se a lesão das radiações ópticas do lobo parietal. A alternativa troca a localização: quiasma (bitemporal) por radiações ópticas temporais (quadrantanopsia superior).
Alternativa E — ❌ Incorreta
A anopsia total unilateral (amaurose de um olho) decorre de lesão pré-quiasmática — retina ou nervo óptico de um lado —, não do quiasma. A lesão quiasmática, por envolver as fibras de ambos os olhos, nunca produz perda total de um olho isoladamente. A alternativa confunde o nível da lesão: pré-quiasmática (monocular) com quiasmática (binocular).
NÃO CAIA NESSA!
A banca adora trocar os padrões campimétricos entre as localizações. Aqui, a armadilha é confundir hemianopsia homônima (pós-quiasma) com bitemporal (quiasma). Lembre: quiasma = perda dos campos temporais (bitemporal); trato/radiações/córtex = perda do mesmo lado nos dois olhos (homônima). Com treino, você enxerga essas trocas de longe 💪
PEGA ESSA DICA!
Para fixar, monte um mapa mental das vias visuais: retina/nervo óptico → defeito monocular (escotoma); quiasma → bitemporal; trato óptico → homônima incongruente; radiações temporais → quadrantanopsia superior; radiações parietais → quadrantanopsia inferior; córtex occipital → homônima congruente. Essa sequência cai recorrentemente em provas de oftalmologia e neurologia.