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Questão de Medicina — Oftalmologia — Avança SP 2024

MedicinaOftalmologia
Código
qg091361
Banca
Avança SP
Órgão
Prefeitura de Pedreira - SP
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Médico I (Oftalmologista)
As lesões afetando o nervo trigêmeo podem levar a diversas manifestações oculares devido à sua função sensorial e motoras. NÃO é tipicamente associado a uma lesão do V par craniano:
  1. ADiminuição do reflexo corneano.
  2. BAnestesia da córnea.
  3. CMiose.
  4. DQueratite neurotrófica.
  5. EPtose palpebral.
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GabaritoE — Ptose palpebral.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Lesões do nervo trigêmeo (V par craniano) e manifestações oculares

Gabarito: letra E. A ptose palpebral NÃO é tipicamente associada à lesão do V par craniano, pois a elevação da pálpebra é função do músculo levantador da pálpebra superior, inervado pelo III par craniano (oculomotor). As demais alternativas (diminuição do reflexo corneano, anestesia da córnea, queratite neurotrófica e miose) estão relacionadas à disfunção do trigêmeo, seja pela perda da sensibilidade corneana, seja pela interferência no arco reflexo ou na inervação simpática.

O nervo trigêmeo (V par) é um nervo misto, com função predominantemente sensitiva para a face e motora para os músculos da mastigação. Sua porção sensitiva é responsável pela inervação da córnea, da conjuntiva e da pele da face, dividindo-se em três ramos: oftálmico (V1), maxilar (V2) e mandibular (V3). A lesão do V par compromete a sensibilidade corneana, o que leva à diminuição ou abolição do reflexo corneano (arco reflexo cujo componente aferente é o V1 e o eferente é o VII par) e à anestesia da córnea. A perda da sensibilidade corneana predispõe à queratite neurotrófica, uma degeneração do epitélio corneano por falta de estímulo trófico e de proteção reflexa. Já a miose, embora não seja uma manifestação clássica de lesão isolada do V par, pode ocorrer em lesões do gânglio de Gasser ou do tronco encefálico que acometam simultaneamente as vias simpáticas, como na síndrome de Horner, que cursa com miose, ptose e anidrose. A ptose palpebral, por sua vez, é causada por lesão do III par craniano (que inerva o músculo levantador da pálpebra superior) ou por disfunção simpática (músculo de Müller), não sendo uma consequência direta da lesão do trigêmeo.

Na prática clínica, o exame do V par craniano inclui a avaliação da sensibilidade facial (tátil e dolorosa) nos territórios de V1, V2 e V3, a motricidade da mandíbula (força de fechamento e lateralização), e os reflexos axiais da face, como o reflexo glabelar e o corneopalpebral. O reflexo corneano é testado tocando suavemente a córnea com um fio de algodão, esperando-se o piscamento bilateral; a ausência desse reflexo indica lesão do componente aferente (V1) ou eferente (VII). A queratite neurotrófica é uma complicação tardia da perda da sensibilidade corneana, caracterizada por opacidade, edema e ulceração da córnea, frequentemente indolor.

A distinção crucial para esta questão é entre as manifestações oculares decorrentes da disfunção sensitiva do trigêmeo (reflexo corneano diminuído, anestesia corneana, queratite neurotrófica) e aquelas decorrentes de disfunção motora ou autonômica de outros nervos (ptose por lesão do III par ou do simpático). A miose, embora não seja uma manifestação típica de lesão isolada do V par, pode aparecer em lesões associadas que comprometam a via simpática, como na síndrome de Horner, que também causa ptose discreta. No entanto, a ptose palpebral é classicamente atribuída à lesão do III par craniano ou à síndrome de Horner, não sendo uma consequência direta da lesão do trigêmeo.

A banca explora a confusão entre as manifestações sensitivas do trigêmeo e as manifestações motoras do oculomotor. O candidato que associa a ptose à lesão do V par pode estar pensando na síndrome de Horner, que cursa com ptose e miose, mas essa síndrome é causada por lesão da via simpática cervical, não do trigêmeo. A miose, por sua vez, pode ser uma manifestação de lesão do tronco encefálico que acometa o núcleo de Edinger-Westphal (III par) ou a via simpática, mas não é uma consequência direta da lesão isolada do V par. Portanto, a alternativa que NÃO é tipicamente associada à lesão do V par é a ptose palpebral.

Lesão do V par (trigêmeo)
  • 1Manifestações típicas
    • Reflexo corneano diminuído
    • Anestesia da córnea
    • Queratite neurotrófica
    • Miose (lesões associadas)
  • 2Não associada
    • Ptose palpebral
      • III par (levantador)
      • Simpático (Müller)
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Alternativa A — ✅ Correta (manifestação associada)

A diminuição do reflexo corneano é uma manifestação típica de lesão do V par craniano, pois o componente aferente desse reflexo é o ramo oftálmico (V1) do trigêmeo. A lesão do V1 interrompe a via sensitiva, resultando em hipoestesia ou anestesia corneana e, consequentemente, em reflexo corneano diminuído ou abolido.

Alternativa B — ✅ Correta (manifestação associada)

A anestesia da córnea é uma consequência direta da lesão do V par craniano, especificamente do ramo oftálmico (V1), que inerva a córnea e a conjuntiva. A perda da sensibilidade corneana é um dos achados mais característicos da neuropatia do trigêmeo.

Alternativa C — ✅ Correta (manifestação associada)

A miose pode estar associada à lesão do V par craniano em casos de lesão do gânglio de Gasser ou do tronco encefálico que acometam simultaneamente as vias simpáticas, como na síndrome de Horner. Embora não seja uma manifestação isolada clássica, a miose pode ocorrer em lesões do trigêmeo que se estendem às estruturas adjacentes.

Alternativa D — ✅ Correta (manifestação associada)

A queratite neurotrófica é uma complicação bem estabelecida da lesão do V par craniano, resultante da perda da sensibilidade corneana. A falta de estímulo trófico e de proteção reflexa leva à degeneração do epitélio corneano, com opacidade, edema e ulceração.

Alternativa E — ❌ Incorreta ⟵ GABARITO

A ptose palpebral NÃO é tipicamente associada à lesão do V par craniano. A elevação da pálpebra superior é realizada pelo músculo levantador da pálpebra superior, inervado pelo III par craniano (oculomotor), e pelo músculo de Müller, inervado pela via simpática. A ptose é, portanto, uma manifestação de lesão do III par ou de disfunção simpática (síndrome de Horner), não do trigêmeo.

NÃO CAIA NESSA!

A banca tenta confundir a ptose palpebral com a síndrome de Horner, que cursa com ptose e miose. No entanto, a síndrome de Horner é causada por lesão da via simpática cervical, não do trigêmeo. A miose, embora possa aparecer em lesões do tronco que acometam o simpático, não é uma manifestação isolada do V par. A ptose é classicamente atribuída ao III par craniano ou ao simpático, nunca ao trigêmeo.

Gabarito: letra E — a ptose palpebral é a única alternativa que NÃO é tipicamente associada à lesão do V par craniano.

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