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Questão de Medicina — Oftalmologia — Avança SP 2024

MedicinaOftalmologia
Código
qg091367
Banca
Avança SP
Órgão
Prefeitura de Pedreira - SP
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Médico I (Oftalmologista)
No contexto da retinopatia da prematuridade, marque a alternativa correta:
  1. AA retinopatia da prematuridade é mais prevalente em recém-nascidos com peso ao nascer superior a 1500 gramas e gestação acima de 32 semanas.
  2. BA administração de oxigênio suplementar em baixas concentrações aos prematuros não tem sido associada ao desenvolvimento de retinopatia da prematuridade
  3. CO tratamento com laser para a retinopatia da prematuridade é mais eficaz quando aplicado nas fases iniciais da doença, especificamente antes do estágio 3.
  4. DA ausência de vascularização periférica na retina observada ao exame de fundo de olho é um achado normal em recém-nascidos a termo.
  5. EA retinopatia da prematuridade regredida, sem tratamento, não apresenta riscos de complicações a longo prazo, como descolamento de retina.
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GabaritoC — O tratamento com laser para a retinopatia da prematuridade é mais eficaz quando aplicado nas fases iniciais da doença, especificamente antes do estágio 3.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Retinopatia da prematuridade (ROP)

Gabarito: letra C. O tratamento com laser na retinopatia da prematuridade é mais eficaz quando aplicado nas fases iniciais da doença, especificamente antes do estágio 3 — momento em que a doença ainda é potencialmente reversível e a ablação da retina avascular periférica impede a progressão para o descolamento tracional. As demais alternativas invertem os fatores de risco, negam a associação com oxigênio, confundem o achado de imaturidade retiniana com normalidade do termo e ignoram as sequelas tardias da ROP regredida.

A retinopatia da prematuridade é uma vasoproliferação retiniana que ocorre em recém-nascidos prematuros, especialmente naqueles com baixo peso ao nascer e idade gestacional reduzida. A fisiopatologia envolve duas fases: na primeira, a hiperóxia relativa (mesmo com oxigênio suplementar em concentrações consideradas seguras) suprime o fator de crescimento endotelial vascular (VEGF), interrompendo a vascularização retiniana normal; na segunda, a retina avascular torna-se hipóxica, estimulando a produção excessiva de VEGF e a formação de neovasos anormais na junção entre retina vascularizada e avascular. Esses neovasos podem sangrar, fibrosar e tracionar a retina, levando ao descolamento.

Os fatores de risco clássicos são: peso ao nascer < 1500 g, idade gestacional < 32 semanas e exposição ao oxigênio suplementar — quanto menor o peso e a idade gestacional, maior o risco. A triagem oftalmológica é indicada justamente para prematuros com peso ao nascer ≤ 1500 g ou idade gestacional ≤ 32 semanas, além daqueles com peso entre 1500 e 2000 g e curso clínico instável. A doença é classificada em estágios 1 a 5: estágio 1 (linha de demarcação), estágio 2 (crista), estágio 3 (proliferação fibrovascular extra-retiniana), estágio 4 (descolamento parcial) e estágio 5 (descolamento total). A doença plus (dilatação e tortuosidade vasculares) e a doença pré-plus indicam atividade e gravidade.

O tratamento de escolha é a fotocoagulação com laser na retina avascular periférica, que reduz a produção de VEGF e faz regredir a neovascularização. A eficácia é máxima quando aplicada na doença limiar ou pré-limiar, ou seja, antes do estágio 3 com doença plus — exatamente o que afirma a alternativa C. O tratamento tardio, já nos estágios 4 e 5, tem eficácia limitada e o prognóstico visual é reservado. A alternativa mais recente é a injeção intravítrea de anti-VEGF (como bevacizumabe), que também é eficaz, mas o laser permanece como padrão-ouro em muitos serviços.

A ROP regredida não é isenta de complicações: mesmo após regressão espontânea ou tratada, o paciente pode desenvolver miopia, estrabismo, ambliopia, glaucoma, catarata e descolamento de retina tardio — daí a necessidade de seguimento oftalmológico prolongado. A alternativa E, portanto, está duplamente errada: a ROP regredida sem tratamento pode sim evoluir com descolamento de retina, e mesmo a regredida com tratamento exige vigilância.

A pegadinha central desta questão é a inversão dos fatores de risco (alternativa A) e a negação da associação com oxigênio (alternativa B), ambas contrariando a literatura consolidada. A alternativa D confunde a imaturidade retiniana do prematuro com um achado normal do recém-nascido a termo — no termo, a vascularização retiniana já está completa até a ora serrata.

Guarde o tripé que decide a questão: fatores de risco (baixo peso + prematuridade + oxigênio), janela terapêutica (antes do estágio 3) e sequelas tardias (descolamento, miopia, glaucoma). É exatamente nesses três eixos que as alternativas se dividem.

Alternativa A — ❌ Incorreta

Inverte os fatores de risco. A ROP é mais prevalente em recém-nascidos com peso ao nascer INFERIOR a 1500 g e gestação MENOR que 32 semanas — quanto menor o peso e a idade gestacional, maior o risco. A alternativa afirma o oposto (superior a 1500 g e acima de 32 semanas), o que contraria toda a literatura e os critérios de triagem neonatal.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Nega uma associação bem estabelecida. A administração de oxigênio suplementar, mesmo em concentrações consideradas seguras, é um dos principais fatores de risco para o desenvolvimento de ROP. A hiperóxia relativa na fase inicial suprime o VEGF e interrompe a vascularização retiniana, desencadeando a cascata que leva à neovascularização. A alternativa está errada ao afirmar que "não tem sido associada".

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Correta e espelha a conduta consagrada. O laser é mais eficaz quando aplicado antes do estágio 3, na fase de doença limiar ou pré-limiar, quando ainda é possível ablar a retina avascular e interromper a produção de VEGF antes que a neovascularização extra-retiniana e o descolamento tracional se instalem. O tratamento tardio (estágios 4 e 5) tem eficácia limitada e pior prognóstico.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Confunde imaturidade com normalidade. A ausência de vascularização periférica (retina avascular) é um achado esperado no prematuro, não no recém-nascido a termo. No termo, a vascularização retiniana está completa até a ora serrata. A presença de retina avascular periférica em um RN a termo seria, na verdade, um achado anormal e um alerta para outras condições.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Subestima as sequelas tardias. A ROP regredida, mesmo sem tratamento, pode evoluir com complicações a longo prazo, incluindo descolamento de retina, miopia, estrabismo, ambliopia e glaucoma. A regressão não elimina o risco de descolamento tardio, que pode ocorrer anos depois, razão pela qual o seguimento oftalmológico prolongado é obrigatório.

NÃO CAIA NESSA!

A banca inverte os fatores de risco (alternativa A) e nega a associação com oxigênio (alternativa B) — duas armadilhas clássicas. O candidato que decora "baixo peso + prematuridade + oxigênio" como tríade de risco reconhece a inversão de longe. Fique atento também à alternativa E: a ROP regredida não é benigna, e o descolamento tardio é uma complicação real.

PEGA ESSA DICA!

Para questões de ROP, monte mentalmente o quadro: fatores de risco (peso < 1500 g, IG < 32 semanas, oxigênio), classificação (estágios 1–5, doença plus), tratamento (laser antes do estágio 3, anti-VEGF) e sequelas (miopia, descolamento, glaucoma). Se a alternativa contrariar qualquer um desses quatro pilares, está errada.

Gabarito: letra C

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