Questão de Medicina — Ortopedia e Traumatologia — Avança SP 2024
Medicina›Ortopedia e Traumatologia
Código
qg091383
Banca
Avança SP
Órgão
Prefeitura de Pedreira - SP
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Médico I (Ortopedista)
As lesões meniscais são comuns em pacientes com trauma do joelho ou degeneração. Sobre o diagnóstico dessas lesões:
AO teste de McMurray tem alta sensibilidade e especificidade para lesões meniscais, sendo considerado padrão-ouro na avaliação clínica.
BA RM é a técnica de imagem de escolha para diagnóstico de lesões meniscais, capaz de diferenciar lesões agudas de degenerativas pela intensidade do sinal do menisco.
CSinais de "pico de papagaio" na RM indicam uma lesão meniscal complexa, com alta probabilidade de necessidade de intervenção cirúrgica.
DLesões do corno posterior do menisco medial são melhor avaliadas pela ultrassonografia devido à sua localização anatômica e proximidade com o ligamento colateral medial.
EA artrografia CT (tomografia computadorizada com contraste intra-articular) é superior à RM na avaliação de pequenas rupturas meniscais e na detecção de lesões intrasubstanciais.
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GabaritoB — A RM é a técnica de imagem de escolha para diagnóstico de lesões meniscais, capaz de diferenciar lesões agudas de degenerativas pela intensidade do sinal do menisco.
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Diagnóstico das lesões meniscais do joelho
Gabarito: letra B. A ressonância magnética (RM) é o método de imagem de escolha para o diagnóstico das lesões meniscais, sendo capaz de diferenciar lesões agudas de degenerativas pela análise da intensidade do sinal do menisco — as agudas apresentam sinal aumentado que não atinge a superfície articular, enquanto as degenerativas mostram alterações de sinal intrasubstanciais. As demais alternativas contêm erros conceituais: o teste de McMurray não é padrão-ouro, o sinal de "pico de papagaio" não é um achado de RM, a ultrassonografia não é o método ideal para o corno posterior do menisco medial e a artrografia por TC não é superior à RM para pequenas rupturas. As lesões meniscais são extremamente comuns na prática ortopédica, podendo resultar de trauma agudo (mecanismo de torção com o pé fixo no chão) ou de processo degenerativo, mais frequente em pacientes idosos. O menisco medial é o mais acometido, especialmente em sua porção posterior, por ser menos móvel que o menisco lateral. O diagnóstico envolve a combinação da história clínica, do exame físico com manobras específicas e dos exames de imagem, sendo a RM o padrão-ouro não invasivo para a avaliação meniscal. A RM é superior às demais técnicas por sua capacidade de demonstrar com alta resolução os tecidos moles intra-articulares, incluindo meniscos, ligamentos, cartilagem e sinóvia. Nas lesões meniscais, a RM permite não apenas confirmar a presença da lesão, mas também caracterizar sua extensão, localização (corno anterior, corpo ou corno posterior), orientação (vertical, horizontal, oblíqua ou complexa) e diferenciar lesões traumáticas de degenerativas. Essa diferenciação é feita pela análise do sinal: nas lesões agudas, observa-se aumento do sinal intrameniscal que pode ou não atingir a superfície articular, enquanto nas lesões degenerativas há alterações de sinal difusas, frequentemente associadas a alterações degenerativas da cartilagem articular. O exame físico, embora importante, tem limitações. O teste de McMurray, por exemplo, é uma manobra clássica que consiste na rotação da tíbia com o joelho fletido, reproduzindo dor ou estalido na linha articular, mas sua sensibilidade e especificidade são moderadas, variando conforme a literatura, e não é considerado padrão-ouro. O padrão-ouro para o diagnóstico definitivo das lesões meniscais é a artroscopia, que permite a visualização direta da articulação. A RM, por sua vez, é o exame de imagem de escolha, com alta acurácia, mas não substitui a artroscopia como referência diagnóstica. A ultrassonografia, embora útil para avaliar estruturas superficiais como tendões e bursas, tem papel limitado na avaliação meniscal, especialmente do corno posterior do menisco medial, devido à sua localização profunda e à proximidade com estruturas ósseas que dificultam a visualização. A artrografia por TC, que consiste na injeção de contraste intra-articular seguida de tomografia, foi utilizada no passado, mas foi superada pela RM, que oferece melhor contraste de tecidos moles e não utiliza radiação ionizante. A RM é particularmente sensível para detectar pequenas rupturas meniscais e lesões intrasubstanciais, que podem não ser visíveis na artrografia por TC. A pegadinha central desta questão está na tentativa de confundir o candidato com informações parcialmente corretas, mas com erros conceituais importantes. A alternativa A, por exemplo, atribui ao teste de McMurray características de padrão-ouro, o que é incorreto. A alternativa C menciona o sinal de "pico de papagaio", que não é um achado descrito na RM para lesões meniscais — esse termo é utilizado em outros contextos, como na radiografia de coluna cervical para descrever osteófitos. A alternativa D sugere a ultrassonografia para avaliar o corno posterior do menisco medial, o que é tecnicamente inadequado. A alternativa E superestima a artrografia por TC em relação à RM, o que contraria a prática clínica atual. Guarde o critério decisivo: a RM é o método de imagem de escolha para lesões meniscais, capaz de diferenciar lesões agudas de degenerativas pela intensidade do sinal. É exatamente esse conceito que separa a alternativa correta das demais.
Método de imagem
Papel no diagnóstico de lesões meniscais
Diferenciação aguda × degenerativa
RM (Ressonância Magnética)
Método de escolha; padrão-ouro não invasivo; alta sensibilidade e especificidade
Sim — pela intensidade do sinal intrameniscal (aguda: sinal aumentado que pode ou não atingir a superfície articular; degenerativa: alterações intrasubstanciais difusas)
Artroscopia
Padrão-ouro definitivo (visualização direta)
Não se aplica (método invasivo de confirmação)
Ultrassonografia
Limitado; difícil avaliação do corno posterior do menisco medial (localização profunda)
Não
Artrografia por TC
Superada pela RM; inferior para pequenas rupturas e lesões intrasubstanciais
Não
Diagnóstico de lesões meniscais: Exame físico (Teste de McMurray, sensibilidade e especificidade moderadas); Imagem de escolha (RM (padrão-ouro não invasivo), diferencia aguda de degenerativa, pelo sinal intrameniscal); Padrão-ouro definitivo (Artroscopia, visualização direta); Métodos limitados (Ultrassonografia, corno posterior é profundo, Artrografia por TC, superada pela RM)
Alternativa A — ❌ Incorreta
O teste de McMurray tem sensibilidade e especificidade moderadas, não sendo considerado padrão-ouro. O padrão-ouro para o diagnóstico definitivo das lesões meniscais é a artroscopia, que permite a visualização direta da articulação. A alternativa erra ao atribuir ao teste de McMurray características de exame de referência, quando na verdade ele é apenas uma manobra de exame físico com acurácia limitada.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A RM é a técnica de imagem de escolha para o diagnóstico de lesões meniscais, com alta sensibilidade e especificidade. Ela é capaz de diferenciar lesões agudas de degenerativas pela análise da intensidade do sinal do menisco: lesões agudas apresentam aumento do sinal que pode ou não atingir a superfície articular, enquanto lesões degenerativas mostram alterações de sinal intrasubstanciais, frequentemente associadas a alterações degenerativas da cartilagem. Essa capacidade de diferenciação é fundamental para orientar a conduta terapêutica.
Alternativa C — ❌ Incorreta
O sinal de "pico de papagaio" não é um achado descrito na RM para lesões meniscais. Esse termo é utilizado em outros contextos, como na radiografia de coluna cervical para descrever osteófitos anteriores. A alternativa inventa um sinal de imagem que não corresponde à realidade, confundindo o candidato com uma terminologia aparentemente técnica, mas sem fundamento na literatura ortopédica.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A ultrassonografia tem papel limitado na avaliação meniscal, especialmente do corno posterior do menisco medial, devido à sua localização profunda e à proximidade com estruturas ósseas que dificultam a visualização. O método de imagem de escolha para essa região é a RM, que oferece melhor contraste de tecidos moles e permite a avaliação detalhada de toda a estrutura meniscal. A alternativa erra ao sugerir a ultrassonografia como método ideal para essa avaliação.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A artrografia por TC não é superior à RM na avaliação de pequenas rupturas meniscais e lesões intrasubstanciais. A RM oferece melhor contraste de tecidos moles, não utiliza radiação ionizante e é mais sensível para detectar essas lesões. A artrografia por TC foi utilizada no passado, mas foi superada pela RM, que se tornou o padrão-ouro não invasivo para a avaliação meniscal. A alternativa inverte a hierarquia dos métodos de imagem, contrariando a prática clínica atual. Gabarito: letra B