Síndrome nefrótica na infância: critérios diagnósticos
Gabarito: letra B. A característica diagnóstica mais frequente da síndrome nefrótica nesta faixa etária é a proteinúria superior a 3,5 g/dia — na verdade, o critério pediátrico é proteinúria > 50 mg/kg/dia, que em uma criança de 6 anos (peso aproximado de 20 kg) corresponde a > 1 g/dia, e não 3,5 g/dia (valor de adulto). A banca, porém, considerou a alternativa B correta, pois a proteinúria nefrótica é o achado central e mais frequente da síndrome, enquanto as demais opções são complicações ou achados inespecíficos. A definição clássica exige proteinúria intensa + hipoalbuminemia + edema, com hiperlipidemia frequentemente associada.
A síndrome nefrótica é uma síndrome clínico-laboratorial caracterizada pela tríade clássica: proteinúria intensa (faixa nefrótica), hipoalbuminemia e edema, podendo haver hiperlipidemia e lipidúria. Na criança, a causa mais comum é a glomerulopatia de lesões mínimas, responsável por cerca de 80% dos casos em pré-púberes. O diagnóstico é essencialmente clínico-laboratorial, e a proteinúria é o marcador mais sensível e específico — sem ela, não há síndrome nefrótica.
Os critérios laboratoriais da síndrome nefrótica, conforme a literatura médica, incluem:
Proteinúria: excreção urinária de proteínas > 3,5 g/24h em adultos, ou > 50 mg/kg/24h em crianças (equivalente a > 40 mg/m²/h). Na prática, a relação proteína/creatinina em amostra isolada ≥ 3,0 também é aceita.
Hipoalbuminemia: albumina sérica < 3,5 g/dL (ou < 3,0 g/dL em alguns métodos).
Edema: geralmente periorbital e de membros inferiores, podendo evoluir para anasarca.
Hiperlipidemia: colesterol total, LDL e triglicerídeos elevados, presente na maioria dos casos.
A proteinúria é o achado mais frequente e o que define a síndrome — é a perda urinária de proteínas que desencadeia a hipoalbuminemia e, consequentemente, o edema por redução da pressão oncótica. As demais alternativas (creatinina elevada, hiponatremia, anemia, hipocalcemia) são complicações ou achados associados, mas não fazem parte da definição nem são tão frequentes quanto a proteinúria.
Pegadinha da banca: a alternativa B traz o valor de 3,5 g/dia, que é o critério de adulto, não de criança. Em pediatria, o correto é > 50 mg/kg/dia. A banca pode ter usado o valor de adulto de forma proposital ou por deslize, mas a intenção é que o aluno reconheça a proteinúria como o achado central. Fique atento: em provas de pediatria, o valor pediátrico é sempre o mais adequado.
Alternativa A — ❌ Incorreta
Níveis elevados de creatinina sérica indicam disfunção renal, que não faz parte da definição de síndrome nefrótica. Embora possa ocorrer em alguns casos (especialmente em glomerulopatias associadas), não é um achado frequente nem característico — a síndrome nefrótica pode cursar com função renal normal. A creatinina elevada sugere insuficiência renal, que é uma complicação ou causa secundária, não um critério diagnóstico.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A proteinúria é o achado laboratorial mais frequente e essencial da síndrome nefrótica. O valor de 3,5 g/dia é o critério para adultos; em crianças, o correto é > 50 mg/kg/dia. A alternativa usa o valor de adulto, mas a proteinúria intensa é, de fato, a característica diagnóstica mais frequente — sem ela, não se define a síndrome. A banca considerou correta por ser o marcador central, mesmo com o valor numérico tecnicamente inadequado para a faixa etária.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A hiponatremia pode ocorrer em pacientes com síndrome nefrótica, mas não é um critério diagnóstico nem um achado frequente. Geralmente está associada a edema grave, uso de diuréticos ou restrição hídrica, mas não define a síndrome. A hiponatremia é uma complicação possível, não uma característica diagnóstica.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A anemia microcítica não é uma manifestação típica da síndrome nefrótica. Embora possa haver perda urinária de proteínas ligadoras de ferro, isso raramente causa anemia clinicamente relevante. A anemia microcítica sugere deficiência de ferro, que não é uma consequência comum da síndrome nefrótica. Não faz parte do quadro clássico.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A hipocalcemia pode ocorrer na síndrome nefrótica devido à perda urinária de proteínas ligadoras de vitamina D, levando a níveis baixos de cálcio total (mas o cálcio ionizado costuma estar normal). No entanto, não é um achado frequente nem um critério diagnóstico — é uma alteração laboratorial secundária, geralmente sem manifestações clínicas. A hipocalcemia não é característica da síndrome.
Gabarito: letra B