Questão de Medicina — Pneumologia — Avança SP 2024
Medicina›Pneumologia
Código
qg091452
Banca
Avança SP
Órgão
Prefeitura de Pedreira - SP
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Médico de Família e Comunidade
A tuberculose pulmonar continua sendo um grave problema de saúde pública em muitos países, incluindo o Brasil. Qual dos seguintes fatores é mais fortemente associado ao aumento do risco de desenvolvimento de tuberculose pulmonar ativa em indivíduos infectados pelo Mycobacterium tuberculosis?
ABaixa exposição à luz solar.
BConsumo excessivo de proteínas na dieta.
CVacinação prévia com BCG.
DPrática regular de atividade física intensa.
EPresença de diabetes mellitus.
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GabaritoE — Presença de diabetes mellitus.
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Tuberculose: fatores de risco para doença ativa
Gabarito: letra E. O diabetes mellitus é um fator de risco bem estabelecido para o desenvolvimento de tuberculose pulmonar ativa em indivíduos infectados pelo Mycobacterium tuberculosis, pois compromete a imunidade celular do hospedeiro. As demais alternativas (baixa exposição solar, consumo excessivo de proteínas, vacinação prévia com BCG e prática regular de atividade física intensa) não são fatores de risco reconhecidos para a reativação da doença.
A tuberculose é uma doença infecciosa causada principalmente pelo Mycobacterium tuberculosis, um bacilo álcool-ácido-resistente (BAAR). Após a infecção primária, o sistema imunológico suprime a replicação dos bacilos em cerca de 95% dos casos, levando à chamada infecção latente. Nessa fase, os bacilos permanecem viáveis dentro de granulomas, podendo reativar-se anos depois, quando há comprometimento da imunidade celular do hospedeiro. O risco de desenvolver doença ativa ao longo da vida é de aproximadamente 5% a 10% para pessoas saudáveis infectadas, mas esse risco aumenta significativamente em indivíduos com condições que afetam a resposta imune.
O diabetes mellitus é um fator de risco clássico para a reativação da tuberculose. A hiperglicemia crônica prejudica a função dos macrófagos e a resposta imune mediada por células T, facilitando a multiplicação bacilar. Estudos epidemiológicos mostram que diabéticos têm risco cerca de 2 a 3 vezes maior de desenvolver tuberculose ativa em comparação com não diabéticos. Além do diabetes, outros fatores que comprometem a imunidade celular incluem: coinfecção pelo HIV (o maior fator de risco conhecido), uso de imunossupressores (como corticoides e inibidores do TNF), desnutrição, insuficiência renal crônica, silicose, neoplasias e tabagismo.
A vacinação com BCG, por sua vez, é uma medida preventiva que reduz o risco de formas graves da tuberculose (como a meningite tuberculosa e a tuberculose miliar) em crianças, mas não aumenta o risco de doença ativa em adultos. A prática regular de atividade física intensa, o consumo excessivo de proteínas e a baixa exposição à luz solar não são fatores de risco reconhecidos para a reativação da tuberculose. Pelo contrário, a atividade física moderada e uma nutrição adequada são geralmente benéficas para o sistema imunológico.
A pegadinha desta questão está em distinguir fatores que aumentam o risco de infecção (exposição ao bacilo) daqueles que aumentam o risco de adoecimento após a infecção (reativação). O diabetes mellitus se enquadra no segundo grupo, sendo um dos principais fatores de risco para a progressão de infecção latente para doença ativa. Guarde essa distinção: é exatamente nela que as alternativas se dividem.
Fatores de risco para TB ativa
1Comprometem imunidade celular
Diabetes mellitus
HIV (maior fator)
Imunossupressores
Desnutrição
Insuficiência renal crônica
Silicose
Neoplasias
Tabagismo
2Não são fatores de risco
Baixa exposição solar
Excesso de proteínas
Vacinação BCG
Atividade física intensa
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Alternativa A — ❌ Incorreta
A baixa exposição à luz solar não é um fator de risco para tuberculose ativa. Embora a vitamina D, sintetizada pela exposição solar, tenha algum papel na imunidade, não há evidência robusta de que a baixa exposição solar aumente o risco de reativação da tuberculose. A banca incluiu essa alternativa como distrator, explorando a associação intuitiva entre vitamina D e imunidade, mas sem fundamento científico sólido.
Alternativa B — ❌ Incorreta
O consumo excessivo de proteínas na dieta não é um fator de risco para tuberculose ativa. Na verdade, a desnutrição proteico-calórica é que está associada ao aumento do risco de reativação, pois compromete a imunidade celular. O excesso de proteínas, por si só, não tem relação comprovada com a reativação da tuberculose. A banca inverteu o conceito: o risco está na desnutrição, não no excesso.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A vacinação prévia com BCG não aumenta o risco de tuberculose ativa. Pelo contrário, a BCG é uma vacina que protege contra formas graves da doença, especialmente em crianças. Embora sua eficácia na prevenção da tuberculose pulmonar em adultos seja variável, ela não é um fator de risco para reativação. A banca explora aqui a confusão entre vacinação e infecção natural: a vacina não causa doença ativa.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A prática regular de atividade física intensa não é um fator de risco para tuberculose ativa. Embora o exercício extremo possa causar imunossupressão transitória, não há evidência de que a atividade física intensa aumente o risco de reativação da tuberculose. Pelo contrário, a atividade física moderada é benéfica para o sistema imunológico. A banca incluiu essa alternativa como distrator, explorando a noção de que o estresse físico poderia comprometer a imunidade.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
O diabetes mellitus é um fator de risco bem estabelecido para o desenvolvimento de tuberculose pulmonar ativa. A hiperglicemia crônica compromete a função dos macrófagos e a resposta imune mediada por células T, facilitando a reativação de focos latentes. O diabetes é reconhecido como um dos principais fatores de risco para a progressão de infecção latente para doença ativa, juntamente com a coinfecção pelo HIV, uso de imunossupressores e desnutrição.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre fatores de risco para infecção (exposição ao bacilo) e fatores de risco para adoecimento (reativação). O diabetes mellitus é um fator de risco para adoecimento, não para infecção. Alternativas como baixa exposição solar e consumo excessivo de proteínas parecem plausíveis, mas não têm fundamento científico. Fique atento: a questão pergunta especificamente sobre o risco de desenvolvimento de tuberculose ativa em indivíduos já infectados.