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Questão de Português — Sintaxe — Avança SP 2024

PortuguêsSintaxe
Código
qg091716
Banca
Avança SP
Órgão
Prefeitura de Rio Claro - SP
Ano
2024
Nível
Médio
Cargo
Agente Escolar
Leia o texto para responder à questão.

A preguiça

    Tenho uma simpatia visceral pela preguiça. Aquele bicho que passa a vida pendurado pelo rabo, de cabeça para baixo, e se dedica à contemplação das coisas pelo inverso. Há outros animais contemplativos na natureza, mas nenhum com tanta convicção da própria inutilidade. O boi, por exemplo, é lento e filosófico, mas há uma certa empáfia na sua ponderação. O boi tem o ar de quem está só esperando que lhe peçam uma opinião. O boi tem teses sobre a vida, é que até hoje ninguém se interessou em saber. O hipopótamo é outro falso acomodado. Só o fato de ser anfíbio denuncia uma inquietação secreta. O hipopótamo tinha outros planos. O elefante? Um megalomaníaco. Depressivo. Não passou da fase anal retentiva, o que se manifesta em excessivos cuidados com a higiene e em certos pudores irracionais. Um elefante nunca morre na frente dos outros, e o que é mais íntimo do que a morte? A vida é uma provação para o elefante. 
    A preguiça não quer nem saber. A preguiça é um macaco que deu errado, um equívoco da evolução, e ela se esforça para não chamar a atenção para o erro. Se me descobrirem, me extinguem. Uma vez perguntaram a Darwin sobre a preguiça e ele fingiu que procurava um lápis embaixo da mesa. Todo animal tem uma função no universo. Pode ser a mais prosaica, como comer formiga, mas tem. Menos a preguiça. A preguiça não serve para nada. É uma espectadora do drama da criação. E mesmo como espectadora é incompetente, pois vê tudo de cabeça para baixo. Ao contrário. O Sol não se levanta para a preguiça, ele cai do horizonte como um ovo da galinha. O céu é o chão e o chão é o céu da preguiça. O espantoso é que com tanto sangue lhe subindo à cabeça a preguiça não tivesse desenvolvido o melhor cérebro do mundo animal.
    Há quem diga que desenvolveu, que a preguiça já pensou em tudo e resolveu que não valia a pena. Com duas semanas de existência, com o sangue fazendo o cérebro crescer duas vezes mais depressa do que o de qualquer outra espécie, a preguiça já tinha esquematizado toda a progressão da vida na Terra, desde o homemmacaco até o Clóvis Bornay, desde a roda até o foguete e desde o tambor tribal até a ONU. E desistiu, antes de começar. Hoje o sangue lhe sobe à cauda, a preguiça não quer nem saber. Alguns frutos que estiverem à mão, pensamentos leves... Para a preguiça nenhuma crise é novidade: o mundo está de pernas para o ar há muito tempo.

VERISSIMO, L. F. Verissimo antológico — meio século de crônicas, ou coisa parecida. São Paulo: Objetiva, 2020.
O sentido estabelecido entre a oração subordinada e a oração principal em “Se me descobrirem, me extinguem.” é de:
  1. Aconcessão.
  2. Bcondição.
  3. Cadição.
  4. Dexplicação.
  5. Efinalidade.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — condição.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Orações Subordinadas Adverbiais: Condição em "Se me descobrirem, me extinguem."

Gabarito: letra B. A oração "Se me descobrirem" estabelece com a principal "me extinguem" uma relação de condição: a ação de "extinguir" depende da ocorrência de "descobrirem". A conjunção "se" é a marca clássica da oração subordinada adverbial condicional, como se lê no trecho do texto: "Se me descobrirem, me extinguem."

O Comando

A questão pede que você identifique a relação de sentido entre a oração subordinada e a principal. Isso é uma tarefa de análise sintática com foco semântico: não basta saber que é uma subordinada adverbial; é preciso reconhecer qual circunstância ela expressa (condição, concessão, causa, finalidade etc.). O verbo do enunciado — "estabelecido" — indica que você deve buscar o valor lógico que a conjunção "se" imprime ao período.

O Texto

No trecho, o cronista atribui à preguiça um pensamento: ela teme ser descoberta como um "erro da evolução" e, por isso, evita chamar atenção. A frase "Se me descobrirem, me extinguem" expressa uma hipótese: a extinção só ocorrerá se houver a descoberta. A relação é de dependência condicional — a realização do fato da oração principal está condicionada ao fato da subordinada.

A Técnica

Para resolver, basta reconhecer o valor da conjunção "se" quando introduz oração adverbial: ela é a conjunção condicional por excelência (assim como "caso", "contanto que", "desde que", "salvo se"). A oração condicional exprime a condição necessária para que o fato da principal se realize ou deixe de se realizar. No período, "me descobrirem" é a condição; "me extinguem" é o fato que depende dela. Não há concessão (que seria "embora me descubram"), nem adição ("e"), nem explicação ("porque"), nem finalidade ("para que").

NÃO CAIA NESSA!

A banca oferece outras relações adverbiais para testar se você conhece o valor semântico das conjunções. A palavra "se" é o gatilho: ela só é condicional quando não for conjunção integrante (caso em que introduz oração substantiva, como em "Não sei se ele virá"). Aqui, o "se" não introduz um objeto, mas uma circunstância.

1Condicional
Conjunção "se"
Dependência entre fatos
2Concessiva
Conjunções "embora", "ainda que"
Contraste/oposição
3Aditiva
Conjunções "e", "nem"
Soma de informações
4Explicativa
Conjunções "porque", "pois"
Justificativa
5Final
Conjunções "para que", "a fim de que"
Propósito/objetivo
Orações subordinadas adverbiais
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Orações subordinadas adverbiais: Condicional (Conjunção "se", Dependência entre fatos); Concessiva (Conjunções "embora", "ainda que", Contraste/oposição); Aditiva (Conjunções "e", "nem", Soma de informações); Explicativa (Conjunções "porque", "pois", Justificativa); Final (Conjunções "para que", "a fim de que", Propósito/objetivo)

Alternativa A — ❌ Incorreta

Concessão seria expressa por conjunções como "embora", "ainda que", "mesmo que". A ideia concessiva é de contraste ou quebra de expectativa ("Embora me descubram, não me extinguem"). No trecho, não há essa oposição; há uma relação de dependência entre os fatos.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A oração "Se me descobrirem" é subordinada adverbial condicional, pois expressa a condição para que a ação de "me extinguem" ocorra. A conjunção "se" é o conector típico dessa relação. No texto, a preguiça raciocina: a extinção é uma consequência possível se houver a descoberta. A relação é de condição necessária.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Adição seria marcada por "e", "nem", "mas também". A oração aditiva apenas soma informações, sem dependência lógica. Aqui, a subordinada não soma; ela condiciona a principal.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Explicação seria introduzida por "porque", "pois", "visto que". A oração explicativa justifica ou explica o fato da principal. No trecho, "me descobrirem" não explica por que me extinguem; ela estabelece a condição para isso.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Finalidade seria expressa por "para que", "a fim de que". A oração final indica o objetivo ou propósito da ação principal. Aqui, "me descobrirem" não é o objetivo de "me extinguem"; é a condição para que isso aconteça.

PEGA ESSA DICA!

Ao identificar o valor de uma oração subordinada adverbial, pergunte: "essa oração responde a qual pergunta?" — condição responde a "sob que condição?", concessão a "apesar de quê?", finalidade a "para quê?". Isso evita confusão entre as relações.

Gabarito: letra B.

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