O câncer gástrico é uma neoplasia que pode se apresentar de diferentes formas. Qual das alternativas a seguir descreve corretamente uma característica do adenocarcinoma gástrico, o tipo mais comum de câncer gástrico?
ACaracteriza-se por uma rápida metástase para o fígado, mas raramente para os linfonodos regionais.
BÉ predominantemente encontrado em pacientes jovens e está associado a uma alta taxa de sobrevivência a longo prazo.
CApresenta um padrão de crescimento que é tipicamente difuso e não forma massas bem definidas.
DÉ frequentemente causado por infecção viral, sendo a infecção por HPV a principal etiologia.
ENormalmente se origina da mucosa gástrica e pode ser assintomático em estágios iniciais, apresentando sintomas como dor abdominal, perda de peso e sangramento.
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GabaritoE — Normalmente se origina da mucosa gástrica e pode ser assintomático em estágios iniciais, apresentando sintomas como dor abdominal, perda de peso e sangramento.
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Adenocarcinoma gástrico: características clínicas e histopatológicas
Gabarito: letra E. O adenocarcinoma gástrico, tipo mais comum de câncer de estômago, origina-se da mucosa gástrica e, em estágios iniciais, pode ser assintomático; quando sintomático, manifesta-se com dor abdominal, perda de peso e sangramento — exatamente o que descreve a alternativa E. As demais alternativas apresentam erros conceituais: metástase linfonodal é precoce e comum (não rara), a doença predomina em idosos (não jovens), o padrão difuso é um subtipo específico (não o padrão típico de todos), e a etiologia está ligada ao Helicobacter pylori (não ao HPV).
O adenocarcinoma gástrico é uma neoplasia maligna epitelial que se origina das células da mucosa do estômago. É o tipo histológico mais frequente de câncer gástrico, correspondendo a cerca de 90-95% dos casos. A doença tem apresentado declínio mundial de incidência e mortalidade, em parte pela refrigeração dos alimentos, redução do uso de conservantes e pelo reconhecimento da infecção por Helicobacter pylori como fator de risco — bactéria classificada como carcinógeno do grupo I pela OMS. A infecção crônica por essa bactéria leva a gastrite crônica, atrofia, metaplasia intestinal e, em uma cascata, ao adenocarcinoma do tipo intestinal.
Existem dois subtipos histológicos principais: o tipo intestinal (diferenciado) e o tipo difuso (indiferenciado). O tipo intestinal é mais comum em pacientes idosos, associado à metaplasia intestinal e com prognóstico ligeiramente melhor. O tipo difuso está associado a idade mais jovem, células em anel de sinete, perda da expressão da E-caderina, metástases precoces e prognóstico mais sombrio. O padrão de crescimento difuso, que infiltra a parede gástrica sem formar massa bem definida (linite plástica), é característico do subtipo difuso — não do adenocarcinoma como um todo.
A apresentação clínica é insidiosa. Nos estágios iniciais, o tumor pode ser completamente assintomático, o que dificulta o diagnóstico precoce. Quando os sintomas aparecem, os mais comuns são perda de peso, náuseas e epigastralgia (dor na região superior do abdome). Também podem ocorrer saciedade precoce, disfagia (quando o tumor compromete a cárdia ou a junção gastroesofágica) e hemorragia digestiva, que se manifesta como sangramento. Os locais metastáticos mais comuns são fígado, superfícies peritoneais (causando ascite), linfonodos distantes e, menos comumente, ovários (tumor de Krukenberg) e pulmões.
A disseminação linfonodal é precoce e frequente no adenocarcinoma gástrico — os linfonodos regionais são um dos primeiros sítios de metástase, e o comprometimento linfonodal é parte fundamental do estadiamento TNM. A metástase hepática também é comum, mas não ocorre "rapidamente" em detrimento dos linfonodos: ambos são sítios frequentes de disseminação. A doença é predominantemente de adultos mais velhos, com pico de incidência entre 60 e 70 anos, e a sobrevida em longo prazo é baixa quando diagnosticada em estágios avançados — não há "alta taxa de sobrevivência a longo prazo" como regra.
A etiologia viral não é a principal no adenocarcinoma gástrico. O HPV está associado a carcinomas de colo de útero, vulva, vagina, orofaringe e ânus — não ao estômago. A infecção bacteriana por Helicobacter pylori é o principal fator infeccioso relacionado ao câncer gástrico, além de outros fatores como dieta rica em sal e defumados, tabagismo e obesidade (esta última associada a adenocarcinomas de esôfago e cárdia).
Guarde a tríade que define a alternativa correta: origem na mucosa gástrica + possível assintomatologia inicial + sintomas clássicos (dor, perda de peso, sangramento). É exatamente essa combinação que separa a letra E das demais, que erram ao trocar o padrão de metástase, a faixa etária, o subtipo histológico ou a etiologia.
Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que o adenocarcinoma gástrico metastatiza rapidamente para o fígado, mas raramente para linfonodos regionais. O erro está na segunda parte: a disseminação para linfonodos regionais é precoce e frequente — é um dos primeiros e mais comuns sítios de metástase, sendo componente essencial do estadiamento. A metástase hepática também é comum, mas não ocorre "em detrimento" dos linfonodos; ambos são sítios frequentes. A banca inverte a realidade: quem raramente metastatiza para linfonodos seria uma neoplasia de comportamento biológico totalmente diferente.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Afirma que o adenocarcinoma gástrico é predominantemente encontrado em pacientes jovens e associado a alta taxa de sobrevivência a longo prazo. Duplo erro: a doença é predominantemente de adultos mais velhos (pico entre 60-70 anos), e a sobrevida em longo prazo é baixa, especialmente porque o diagnóstico costuma ser tardio — muitos casos já estão avançados ou metastáticos na apresentação. O subtipo difuso, sim, está associado a idade mais jovem, mas isso não torna a afirmação correta, pois ela generaliza para o adenocarcinoma como um todo e ainda erra o prognóstico.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Afirma que o adenocarcinoma gástrico apresenta padrão de crescimento tipicamente difuso e não forma massas bem definidas. O erro está na generalização: o padrão difuso é característico do subtipo histológico difuso (indiferenciado), que infiltra difusamente a parede gástrica (linite plástica). Porém, o tipo intestinal (diferenciado) tende a formar massas mais bem definidas, frequentemente ulceradas. A afirmação descreve apenas um dos subtipos como se fosse o padrão de todos os adenocarcinomas gástricos — é uma generalização indevida.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Afirma que o adenocarcinoma gástrico é frequentemente causado por infecção viral, sendo o HPV a principal etiologia. Erro grave de etiologia: o principal agente infeccioso relacionado ao câncer gástrico é a bactéria *Helicobacter pylori*, não um vírus. O HPV está associado a carcinomas de colo de útero, vulva, vagina, orofaringe e ânus — não ao estômago. Outros vírus relacionados a neoplasias incluem hepatites B e C (carcinoma hepatocelular), Epstein-Barr (linfoma de Burkitt e carcinoma de nasofaringe) e HTLV (leucemia de células T do adulto), mas nenhum deles é a principal etiologia do adenocarcinoma gástrico.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Descreve corretamente o adenocarcinoma gástrico: origina-se da mucosa gástrica (é um carcinoma de células epiteliais da mucosa) e pode ser assintomático em estágios iniciais — característica que dificulta o diagnóstico precoce. Quando sintomático, apresenta os sintomas clássicos: dor abdominal (epigastralgia), perda de peso e sangramento (hemorragia digestiva). Esses são exatamente os achados mais comuns descritos na literatura: perda de peso, náuseas e epigastralgia são as manifestações mais frequentes no diagnóstico inicial, e a hemorragia digestiva é uma apresentação reconhecida. A alternativa espelha com precisão o comportamento clínico da doença.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre o subtipo difuso e o adenocarcinoma como um todo (alternativa C), e entre a etiologia bacteriana e viral (alternativa D). O candidato que memoriza que "câncer gástrico tem padrão difuso" ou que "HPV causa câncer" sem contextualizar cai nas armadilhas. Lembre-se: o padrão difuso é UM subtipo; o HPV causa câncer de colo de útero e orofaringe, não de estômago — quem causa câncer gástrico é o H. pylori.
PEGA ESSA DICA!
Para questões de oncologia, monte um quadro mental com os 4 pilares de cada neoplasia: (1) origem histológica, (2) faixa etária típica, (3) principais fatores de risco/etiologia, (4) padrão de apresentação clínica e metástases. Se a alternativa errar qualquer um desses pilares, está incorreta. No adenocarcinoma gástrico: mucosa + idosos + H. pylori + sintomas inespecíficos (dor, perda de peso, sangramento) com metástase precoce para linfonodos e fígado.