Questão de Medicina — Pneumologia — Avança SP 2024
Medicina›Pneumologia
Código
qg093423
Banca
Avança SP
Órgão
Prefeitura de São Miguel Arcanjo - SP
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Médico do Trabalho
As infecções de vias aéreas superiores (IVAS) relacionadas ao trabalho representam um desafio para o médico do trabalho, que precisa identificar os fatores ocupacionais que podem contribuir para o desenvolvimento dessas doenças e implementar medidas preventivas. Dentre as IVAS, a rinite ocupacional destaca-se por sua alta prevalência em diversos ambientes de trabalho. Considerando o diagnóstico da rinite ocupacional, qual das seguintes alternativas apresenta o conjunto de critérios mais relevantes para a confirmação dessa condição?
AEspirro, coriza e obstrução nasal presentes após exposição a poeira doméstica.
BHistória clínica compatível com rinite, melhora dos sintomas durante afastamento do trabalho e piora dos sintomas após o retorno ao trabalho, associada à identificação de agentes irritantes ou alergênicos no ambiente ocupacional.
CPresença de febre, dor de garganta e tosse produtiva após exposição a baixas temperaturas no ambiente de trabalho.
DTeste cutâneo positivo para ácaros, fungos e pólen.
ERadiografia de seios da face evidenciando sinusite.
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GabaritoB — História clínica compatível com rinite, melhora dos sintomas durante afastamento do trabalho e piora dos sintomas após o retorno ao trabalho, associada à identificação de agentes irritantes ou alergênicos no ambiente ocupacional.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Rinite ocupacional: critérios diagnósticos
Gabarito: letra B. O diagnóstico da rinite ocupacional se confirma pela tríade: história clínica compatível com rinite, relação temporal com o trabalho (melhora no afastamento e piora no retorno) e identificação de agentes irritantes ou alergênicos no ambiente ocupacional. Essa é a abordagem clássica da medicina do trabalho para estabelecer o nexo causal entre a doença e a exposição ocupacional.
A rinite ocupacional é uma inflamação da mucosa nasal desencadeada por agentes presentes no ambiente de trabalho, podendo ser de natureza alérgica (mediada por IgE, como proteínas animais, farinha, látex) ou não alérgica (irritativa, como poeiras, fumos, gases). O diagnóstico exige, antes de tudo, o reconhecimento de que os sintomas nasais — espirros, coriza, obstrução, prurido — estão temporalmente relacionados à jornada de trabalho. O raciocínio é semelhante ao da asma ocupacional: o médico deve suspeitar quando o trabalhador relata melhora nos fins de semana, feriados ou férias, e piora progressiva durante a semana de trabalho.
O critério central é o nexo causal, que se estabelece pela demonstração de que a exposição ocupacional precede e explica os sintomas. Na prática, isso se traduz em três perguntas: (1) os sintomas são compatíveis com rinite? (2) eles melhoram quando o trabalhador se afasta do ambiente de trabalho e pioram quando retorna? (3) há agentes conhecidos como irritantes ou alergênicos presentes na atividade laboral? A resposta positiva a essas três perguntas, em conjunto, é o que permite afirmar o diagnóstico de rinite ocupacional com razoável segurança. Exames complementares, como testes cutâneos ou dosagem de IgE específica, podem auxiliar na identificação do agente, mas não substituem a avaliação clínico-ocupacional.
A banca explora aqui uma confusão comum: achar que o diagnóstico se baseia apenas em sintomas isolados ou em exames complementares, quando o que realmente define a condição é a relação temporal com o trabalho associada à exposição a agente causal. Uma pessoa pode ter rinite alérgica a ácaros (teste cutâneo positivo) sem que isso tenha qualquer relação com o trabalho; da mesma forma, pode apresentar espirros e coriza em casa, mas não no trabalho, o que afastaria o nexo ocupacional. O que torna a rinite "ocupacional" não é o tipo de sintoma, nem o resultado de um exame, mas sim o vínculo entre os sintomas e a atividade profissional.
Guarde este critério: sintomas compatíveis + relação temporal com o trabalho + presença de agente causal no ambiente ocupacional. É exatamente essa combinação que separa a alternativa correta das demais, que apresentam apenas fragmentos do raciocínio diagnóstico.
Rinite ocupacional
1Critérios diagnósticos
História clínica compatível
Relação temporal com o trabalho
Melhora no afastamento
Piora no retorno
Agente causal no ambiente
2Natureza
Alérgica (IgE)
Irritativa
3Exames complementares
Auxiliam na identificação
Não substituem o nexo
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Alternativa A — ❌ Incorreta
Espirro, coriza e obstrução nasal são sintomas inespecíficos de rinite, mas a exposição a "poeira doméstica" não caracteriza exposição ocupacional. A alternativa não menciona a relação temporal com o trabalho nem a identificação de agentes no ambiente laboral — elementos essenciais para o diagnóstico de rinite ocupacional. Sem o nexo com a atividade profissional, trata-se apenas de rinite comum, não ocupacional.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Esta alternativa reúne exatamente os três critérios fundamentais: (1) história clínica compatível com rinite, (2) melhora dos sintomas durante o afastamento do trabalho e piora após o retorno — o que estabelece a relação temporal — e (3) identificação de agentes irritantes ou alergênicos no ambiente ocupacional, o que confirma a exposição causal. É o conjunto completo e mais relevante para a confirmação diagnóstica, conforme a abordagem clássica da medicina do trabalho.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Febre, dor de garganta e tosse produtiva são sintomas de infecção de vias aéreas superiores de causa infecciosa (viral ou bacteriana), não de rinite ocupacional. A exposição a baixas temperaturas não é um agente causal reconhecido de rinite ocupacional, e o quadro descrito sugere um processo infeccioso agudo, não uma condição relacionada ao trabalho. A alternativa confunde rinite ocupacional com infecção respiratória comum.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Teste cutâneo positivo para ácaros, fungos e pólen indica sensibilização alérgica a alérgenos comuns do ambiente doméstico, mas não estabelece o nexo com o trabalho. Uma pessoa pode ser atópica e ter rinite alérgica sem que isso tenha relação com a atividade profissional. O exame complementar, isoladamente, não confirma rinite ocupacional — é necessário demonstrar a exposição ocupacional e a relação temporal dos sintomas com o trabalho.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Radiografia de seios da face evidenciando sinusite é um achado de imagem que pode acompanhar a rinite, mas não é critério diagnóstico de rinite ocupacional. A sinusite é uma complicação ou condição associada, não um marcador de nexo ocupacional. A alternativa foge completamente do raciocínio necessário para confirmar a origem ocupacional da doença.
NÃO CAIA NESSA!
A banca tenta fazer o candidato escolher uma alternativa que contenha apenas sintomas (A), apenas exame complementar (D) ou apenas complicação (E), quando o que define a rinite ocupacional é o nexo causal com o trabalho. O candidato que não domina o raciocínio de medicina do trabalho tende a marcar a alternativa com sintomas clássicos de rinite (A) ou com teste alérgico positivo (D), mas ambas ignoram o elemento central: a relação temporal com a exposição ocupacional. Lembre-se: sintomas + relação com o trabalho + agente causal no ambiente = diagnóstico.