Questão de Medicina — Medicina Intensiva — Avança SP 2024
Medicina›Medicina Intensiva
Código
qg095124
Banca
Avança SP
Órgão
Prefeitura de Valinhos - SP
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Médico Auditor
Considere as afirmações sobre biomarcadores no diagnóstico de choque séptico:
AA procalcitonina apresenta níveis reduzidos especificamente em choque séptico, diferenciando-o de outras formas de choque.
BA lactatemia é útil apenas na fase inicial do choque séptico, perdendo sua relevância após 24 horas.
CO aumento dos níveis de troponina I cardíaca não está associado ao prognóstico de pacientes em choque séptico.
DNíveis elevados de peptídeo natriurético cerebral (BNP) são específicos para o diagnóstico de choque cardiogênico.
EOs níveis de interleucina-6 (IL-6) são consistentemente elevados em pacientes com choque séptico e podem ser utilizados como um marcador prognóstico.
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GabaritoE — Os níveis de interleucina-6 (IL-6) são consistentemente elevados em pacientes com choque séptico e podem ser utilizados como um marcador prognóstico.
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Biomarcadores no choque séptico
Gabarito: letra E. A interleucina-6 (IL-6) é uma citocina pró-inflamatória cujos níveis séricos estão consistentemente elevados na sepse e no choque séptico, sendo utilizada como marcador prognóstico — a alternativa E espelha exatamente essa função. As demais alternativas distorcem o papel de outros biomarcadores: a procalcitonina está elevada (não reduzida) no choque séptico, a lactatemia mantém relevância prognóstica além das 24 horas, a troponina I elevada associa-se a pior prognóstico, e o BNP é um marcador de disfunção ventricular, não específico de choque cardiogênico.
O choque séptico é uma emergência clínica caracterizada por hipotensão e hipoperfusão tecidual secundárias a uma infecção descontrolada, com resposta inflamatória sistêmica. Nesse cenário, os biomarcadores cumprem três papéis principais: auxiliar no diagnóstico, estimar o prognóstico e monitorar a resposta à terapia. Nenhum deles é 100% específico ou sensível, mas a combinação de marcadores inflamatórios, de disfunção orgânica e de lesão celular orienta a conduta clínica.
A procalcitonina é um pró-hormônio da calcitonina que se eleva de forma marcante em infecções bacterianas graves e sepse, sendo útil para diferenciar o choque séptico de outras causas de choque (como cardiogênico ou hipovolêmico) e para guiar a duração da antibioticoterapia. A lactatemia reflete hipoperfusão tecidual e anaerobiose; níveis elevados e a falha em reduzir o lactato nas primeiras horas associam-se a pior prognóstico, mas o lactato também é útil na monitorização ao longo da evolução, não apenas na fase inicial. A troponina I cardíaca é um marcador de lesão miocárdica; no choque séptico, sua elevação pode ocorrer por isquemia relativa, disfunção miocárdica induzida pela sepse ou lesão direta, e está associada a maior mortalidade. O BNP é secretado em resposta ao estiramento ventricular e é um indicador de disfunção ventricular esquerda, mas não é específico de choque cardiogênico — pode estar elevado em qualquer condição que aumente a pressão de enchimento ventricular, incluindo a sepse. A IL-6 é uma citocina central na resposta inflamatória da sepse; seus níveis séricos elevados correlacionam-se com a gravidade e com pior prognóstico, sendo um marcador prognóstico útil.
A banca explora a confusão entre o que cada biomarcador representa: o candidato que decora "procalcitonina = sepse" pode marcar a alternativa A sem perceber a inversão do sentido (reduzida vs. elevada); o que associa lactato apenas à fase inicial erra a alternativa B; o que liga troponina exclusivamente a infarto erra a C; e o que trata BNP como sinônimo de choque cardiogênico erra a D. A alternativa E é a única que descreve corretamente o papel da IL-6.
NÃO CAIA NESSA!
A banca inverte o sentido dos biomarcadores para confundir: a procalcitonina está elevada no choque séptico (não reduzida), e o BNP é marcador de disfunção ventricular, não específico de choque cardiogênico. O candidato que decora associações simples ("procalcitonina = sepse", "BNP = coração") cai nas alternativas A e D. Fique atento à direção da alteração (elevado vs. reduzido) e ao grau de especificidade que cada marcador realmente possui.
Biomarcadores no choque séptico: Procalcitonina (Elevada em infecção bacteriana grave, Diferencia choque séptico de outras causas); Lactato (Útil na fase inicial, Útil na monitorização da resposta); Troponina I (Elevação indica lesão miocárdica, Associada a pior prognóstico); BNP (Marcador de disfunção ventricular, Não é específico de choque cardiogênico); IL-6 (Consistentemente elevada na sepse, Marcador prognóstico)
Alternativa A — ❌ Incorreta
A procalcitonina apresenta níveis elevados (não reduzidos) em infecções bacterianas graves e no choque séptico. A elevação da procalcitonina ajuda a diferenciar o choque séptico de outras causas de choque e fornece dados prognósticos e de resposta à terapia. A alternativa inverte o sentido da alteração, transformando um marcador que sobe em um que desce.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A lactatemia é útil não apenas na fase inicial, mas também na monitorização da resposta à reanimação e na avaliação prognóstica ao longo da evolução. Níveis persistentemente elevados ou a falha na depuração do lactato após as primeiras horas associam-se a pior prognóstico. A alternativa restringe indevidamente a utilidade do lactato às primeiras 24 horas.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A elevação da troponina I cardíaca no choque séptico está associada a pior prognóstico, incluindo maior mortalidade. A lesão miocárdica na sepse é comum e a troponina elevada reflete esse dano. A alternativa nega essa associação prognóstica, contrariando a evidência clínica.
Alternativa D — ❌ Incorreta
O BNP é um marcador de disfunção ventricular esquerda, mas não é específico para o diagnóstico de choque cardiogênico. Pode estar elevado em diversas condições que aumentam a pressão de enchimento ventricular, incluindo sepse, insuficiência cardíaca e doença renal. A alternativa atribui ao BNP uma especificidade que ele não possui.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A interleucina-6 (IL-6) é uma citocina pró-inflamatória central na resposta à sepse. Seus níveis séricos estão consistentemente elevados em pacientes com choque séptico, e a magnitude da elevação correlaciona-se com a gravidade e com o prognóstico. A alternativa descreve corretamente o papel da IL-6 como marcador prognóstico no choque séptico.