Questão de Medicina — Medicina Intensiva — Avança SP 2024
Medicina›Medicina Intensiva
Código
qg095133
Banca
Avança SP
Órgão
Prefeitura de Valinhos - SP
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Médico Cardiologista
A relação entre o débito cardíaco e a resistência vascular sistêmica é central para a compreensão da fisiologia cardiovascular. Considerando esta relação, aponte qual das seguintes alterações é esperada em um estado de choque séptico:
AAumento do débito cardíaco e diminuição da resistência vascular sistêmica.
BDiminuição do débito cardíaco e aumento da resistência vascular sistêmica.
CAumento do débito cardíaco e aumento da resistência vascular sistêmica.
DDiminuição do débito cardíaco e diminuição da resistência vascular sistêmica.
EDébito cardíaco inalterado e aumento da resistência vascular sistêmica.
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GabaritoA — Aumento do débito cardíaco e diminuição da resistência vascular sistêmica.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Choque séptico: hemodinâmica do choque distributivo
Gabarito: letra A. No choque séptico, a resposta inflamatória sistêmica causa vasodilatação difusa com queda da resistência vascular sistêmica; em compensação, o débito cardíaco aumenta (inicialmente por taquicardia) na tentativa de manter a pressão arterial e a perfusão tecidual. Essa é a assinatura hemodinâmica do choque distributivo, que contrasta com o choque cardiogênico (débito cardíaco baixo, resistência alta) e com o hipovolêmico (débito baixo, resistência alta).
O choque séptico é o protótipo do choque distributivo, um estado em que a falência circulatória decorre primariamente da perda do tônus vasomotor periférico, e não de uma bomba cardíaca insuficiente ou de volume intravascular reduzido. A sepse desencadeia uma cascata inflamatória com liberação de citocinas (TNF, IL-1, IL-6), óxido nítrico e outros mediadores que promovem vasodilatação arteriolar e aumento da permeabilidade capilar. O resultado é uma queda acentuada da resistência vascular sistêmica (RVS), com hipotensão arterial e má distribuição do fluxo sanguíneo aos tecidos.
Para compensar essa vasodilatação e manter a pressão arterial (PA = DC × RVS), o organismo lança mão de mecanismos compensatórios: aumento da frequência cardíaca (taquicardia) e, consequentemente, do débito cardíaco. No início do choque séptico, o paciente tipicamente apresenta débito cardíaco alto (hiperdinâmico) e resistência vascular sistêmica baixa — o chamado "choque quente", com extremidades quentes e pulso amplo. Esse é o padrão clássico descrito na literatura e cobrado pela banca.
É importante distinguir o choque séptico dos demais tipos de choque, pois cada um tem perfil hemodinâmico próprio:
Tipo de choque
Débito cardíaco
Resistência vascular sistêmica
Séptico (distributivo)
Aumentado (inicial)
Diminuída
Cardiogênico
Diminuído
Aumentada
Hipovolêmico
Diminuído
Aumentada
Obstrutivo (TEP, tamponamento)
Diminuído
Aumentada
A pegadinha da questão está em inverter esses padrões: a banca troca o comportamento do débito cardíaco e da resistência vascular entre os tipos de choque. O candidato que confunde choque séptico com choque cardiogênico tende a marcar a alternativa que descreve débito cardíaco baixo e resistência alta — exatamente o oposto do que ocorre na fase inicial do choque séptico.
Na prática clínica, essa distinção orienta o tratamento: no choque séptico, a reposição volêmica agressiva e o uso de vasopressores (noradrenalina) visam restaurar a pressão arterial, enquanto no choque cardiogênico o foco é melhorar a contratilidade e reduzir a pós-carga. O reconhecimento precoce do padrão hiperdinâmico é crucial, pois a evolução para disfunção miocárdica pode converter o quadro em choque frio, com débito cardíaco reduzido — mas essa é uma fase tardia, não a apresentação inicial clássica.
Guarde o par débito cardíaco alto + resistência vascular baixa como a marca registrada do choque séptico inicial: é exatamente esse contraste que separa a alternativa correta das demais.
DC aumentado
DC diminuído
RVS aumentada
Séptico (inicial)
Cardiogênico
RVS diminuída
Distributivo não séptico
Hipovolêmico
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Descreve exatamente o padrão hemodinâmico do choque séptico inicial: aumento do débito cardíaco (mecanismo compensatório, principalmente por taquicardia) e diminuição da resistência vascular sistêmica (vasodilatação difusa mediada por citocinas e óxido nítrico). É o chamado choque quente ou hiperdinâmico, predominante na maioria dos adultos no início do quadro.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Inverte o padrão: diminuição do débito cardíaco e aumento da resistência vascular sistêmica é o perfil do choque cardiogênico ou hipovolêmico, não do séptico. No choque séptico inicial, o débito cardíaco está aumentado e a resistência, diminuída. Essa alternativa confunde o choque séptico com os choques de baixo débito.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Erra ao afirmar aumento da resistência vascular sistêmica junto com aumento do débito cardíaco. No choque séptico, a resistência está diminuída — a vasodilatação é a lesão primária. Aumento de ambos não corresponde a nenhum tipo clássico de choque.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Descreve diminuição do débito cardíaco e diminuição da resistência vascular sistêmica. Embora a resistência baixa seja compatível com o choque séptico, o débito cardíaco inicialmente está aumentado, não diminuído. A diminuição do débito só ocorre em fases tardias, com disfunção miocárdica (choque frio), mas não é a apresentação esperada.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Afirma débito cardíaco inalterado e aumento da resistência vascular sistêmica. No choque séptico, o débito cardíaco está aumentado (compensatório) e a resistência está diminuída. Essa alternativa não corresponde a nenhum padrão hemodinâmico do choque séptico.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre os tipos de choque. O candidato que decora "choque = pressão baixa" sem entender o mecanismo tende a marcar a alternativa B (débito baixo, resistência alta), que é o padrão do choque cardiogênico/hipovolêmico. Lembre-se: no séptico, o coração trabalha mais (débito alto) para compensar a vasodilatação (resistência baixa).
PEGA ESSA DICA!
Para fixar, associe o choque séptico ao termo "choque quente": extremidades quentes = vasodilatação = resistência baixa; taquicardia = tentativa de aumentar o débito. Se a alternativa trouxer "resistência aumentada", desconfie imediatamente — não é séptico.