Medidas de associação em estudos epidemiológicos
Gabarito: letra C (Risco relativo). O enunciado descreve um estudo caso-controle em que as mulheres expostas (usuárias de anticoncepcionais orais) apresentaram risco 2 vezes maior de desenvolver trombose venosa profunda em comparação às não expostas — essa razão entre os riscos dos dois grupos é exatamente o que define o risco relativo (RR). A medida de efeito mais adequada para expressar essa associação é o risco relativo, que quantifica quantas vezes o risco no grupo exposto é maior (ou menor) que no grupo não exposto.
O risco relativo é uma medida de associação que compara a incidência (ou risco) de um desfecho entre dois grupos: o exposto ao fator de estudo e o não exposto. Matematicamente, é a razão entre a incidência no grupo exposto e a incidência no grupo não exposto. Quando o RR = 1, não há associação; quando RR > 1, o fator aumenta o risco; quando RR < 1, o fator é protetor. No caso, RR = 2 significa que a incidência de TVP em usuárias de anticoncepcional oral é o dobro da incidência em não usuárias.
É importante distinguir o risco relativo de outras medidas. O risco absoluto (RA) é a simples proporção de eventos em um grupo — por exemplo, se 2 em cada 1.000 usuárias de anticoncepcional desenvolvem TVP, o RA é 0,002 (ou 0,2%). O RA não compara grupos; ele descreve a magnitude do risco em um único grupo. Já a razão de prevalência (RP) é usada em estudos transversais, comparando prevalências, não incidências. O número necessário para tratar (NNT) e o número necessário para prejudicar (NNH) são medidas derivadas da diferença absoluta de risco, expressando quantos pacientes precisam ser tratados (ou expostos) para causar um evento adicional — não são medidas de associação direta.
No estudo caso-controle, a medida de associação clássica é a razão de chances (odds ratio, OR), pois não se mede incidência diretamente — os participantes são selecionados pelo desfecho (casos) e pela ausência dele (controles). No entanto, quando o desfecho é raro, o OR aproxima-se do RR. A questão, porém, não pergunta qual medida foi calculada no estudo, mas qual é a medida de efeito mais adequada para expressar a associação descrita — e o conceito de "risco 2 vezes maior" é a definição literal de risco relativo.
A pegadinha desta questão está em confundir o risco relativo com o risco absoluto ou com a razão de prevalência. O candidato que lê "risco 2 vezes maior" e pensa em "risco absoluto" erra, pois o risco absoluto é um número absoluto (ex.: 0,2%), não uma comparação. A banca também pode tentar confundir com o NNH, que é uma medida de impacto potencial, não de associação. Guarde a fronteira: medidas de associação (RR, OR, RP) comparam grupos; medidas de impacto (NNT, NNH) expressam o esforço necessário para evitar ou causar um evento; medidas de frequência (RA, incidência, prevalência) descrevem a ocorrência em um único grupo.
Alternativa A — ❌ Incorreta
A razão de prevalência (RP) é a medida de associação usada em estudos transversais, comparando a prevalência do desfecho entre expostos e não expostos. O enunciado descreve um estudo caso-controle, que mede incidência (risco), não prevalência. Além disso, a RP não é a medida mais adequada para expressar "risco 2 vezes maior" — esse conceito é de risco relativo.
Alternativa B — ❌ Incorreta
O risco absoluto (RA) é a proporção de eventos em um único grupo (ex.: 2 casos por 1.000 usuárias). Ele não compara grupos e, portanto, não expressa a associação entre exposição e desfecho. O enunciado fala em "risco 2 vezes maior" — uma comparação entre dois grupos —, o que é característica do risco relativo, não do risco absoluto.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
O risco relativo (RR) é a razão entre a incidência no grupo exposto e a incidência no grupo não exposto. O enunciado afirma que as usuárias de anticoncepcionais orais tinham risco 2 vezes maior de desenvolver TVP do que as não usuárias — exatamente a definição de RR = 2. É a medida de associação mais adequada para expressar quantas vezes o risco é maior (ou menor) em um grupo comparado a outro.
Alternativa D — ❌ Incorreta
O número necessário para tratar (NNT) é o número de pacientes que precisam ser tratados para evitar um evento adicional. É uma medida de impacto, derivada da diferença absoluta de risco, e não expressa a associação entre exposição e desfecho. Não se aplica ao contexto de um estudo caso-controle que avalia risco aumentado.
Alternativa E — ❌ Incorreta
O número necessário para prejudicar (NNH) é o número de pacientes que precisam ser expostos ao fator para causar um evento adicional. Embora o contexto envolva um fator de risco (anticoncepcional oral), o NNH é uma medida de impacto, não de associação. A questão pede a medida de efeito que expressa a associação — e essa é o risco relativo.
Gabarito: letra C