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Questão de Medicina — Neurologia — Avança SP 2024

MedicinaNeurologia
Código
qg095186
Banca
Avança SP
Órgão
Prefeitura de Valinhos - SP
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Médico Neuropeditra
Sobre o diagnóstico e manejo de abscesso cerebral em crianças, é correto afirmar que:
  1. AA tomografia computadorizada (TC) de crânio sem contraste é a modalidade de imagem de escolha para o diagnóstico de abscesso cerebral.
  2. BA punção lombar é recomendada como procedimento diagnóstico inicial para abscesso cerebral.
  3. CA ressonância magnética (RM) com espectroscopia é considerada menos sensível que a TC para a detecção de abscessos cerebrais.
  4. DA administração de antivirais é o tratamento padrão inicial antes da confirmação do agente etiológico.
  5. EO tratamento de escolha inclui antibioticoterapia de amplo espectro, ajustada conforme cultura e antibiograma do material obtido por aspiração estereotáxica ou cirurgia.
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GabaritoE — O tratamento de escolha inclui antibioticoterapia de amplo espectro, ajustada conforme cultura e antibiograma do material obtido por aspiração estereotáxica ou cirurgia.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Abscesso cerebral em crianças: diagnóstico e manejo

Gabarito: letra E. O tratamento do abscesso cerebral baseia-se em antibioticoterapia de amplo espectro, ajustada conforme cultura e antibiograma do material obtido por aspiração estereotáxica ou cirurgia, associada à avaliação neurocirúrgica. As demais alternativas apresentam erros conceituais: a TC sem contraste não é a modalidade de escolha (a RM é superior), a punção lombar é contraindicada pelo risco de herniação, a RM com espectroscopia é mais sensível que a TC, e antivirais não são o tratamento padrão inicial (são antibióticos).

O abscesso cerebral é uma infecção focal do parênquima cerebral que se apresenta como uma coleção purulenta encapsulada. Em crianças, as causas mais comuns são infecções contíguas (sinusite, otite média, mastoidite), meningite piogênica ou disseminação hematogênica (endocardite, abscesso pulmonar). O quadro clínico típico inclui febre, cefaleia, déficits neurológicos focais e, em 25 a 45% dos casos, crises convulsivas. O diagnóstico é essencialmente por neuroimagem, e o tratamento envolve antibióticos e, frequentemente, drenagem cirúrgica.

A escolha da modalidade de imagem é um ponto crítico. Embora a TC de crânio seja o exame inicial mais disponível e rápido, a ressonância magnética (RM) é superior na detecção e caracterização do abscesso, especialmente na diferenciação entre abscesso e tumor, e na avaliação dos diferentes estágios evolutivos (cerebrite, cápsula). A RM com espectroscopia e difusão aumenta ainda mais a acurácia diagnóstica. Portanto, a afirmação de que a TC sem contraste é a modalidade de escolha está incorreta.

A punção lombar é formalmente contraindicada na suspeita de abscesso cerebral, pois a retirada de líquido cefalorraquidiano pode provocar herniação cerebral, devido ao efeito de massa da lesão. O diagnóstico é feito por imagem, e a coleta de LCR só é considerada em situações muito específicas, após afastar o risco de herniação. A hemocultura pode ser útil, mas é positiva em apenas 10 a 20% dos casos.

O tratamento padrão consiste em antibioticoterapia empírica de amplo espectro, iniciada precocemente, e avaliação neurocirúrgica. A escolha do antibiótico depende da provável fonte de infecção e dos fatores de risco do paciente. Por exemplo, em abscessos comunitários (otite, sinusite, mastoidite), o esquema empírico inclui ceftriaxona e metronidazol; em casos de disseminação hematogênica, adiciona-se oxacilina. A duração do tratamento é de no mínimo 6 a 8 semanas, com acompanhamento por imagem. A aspiração estereotáxica ou a cirurgia aberta são indicadas para drenagem do abscesso e obtenção de material para cultura, permitindo ajustar a antibioticoterapia conforme o antibiograma. Essa é a conduta correta descrita na alternativa E.

A alternativa D menciona antivirais como tratamento inicial, o que é um erro: o abscesso cerebral é uma infecção bacteriana (ou fúngica, em imunocomprometidos), e o tratamento empírico inicial é com antibióticos, não antivirais. Antivirais seriam indicados para encefalite herpética, que é um diagnóstico diferencial, mas não para abscesso.

Guarde a fronteira entre as modalidades de imagem e as contraindicações: é exatamente nesses pontos que as alternativas se dividem.

Abscesso cerebral (crianças)
  • 1Diagnóstico por imagem
    • TC: exame inicial rápido
    • RM: superior (diferencia de tumor)
    • Espectroscopia/difusão: maior acurácia
  • 2Punção lombar
    • Contraindicada (risco de herniação)
  • 3Tratamento
    • Antibioticoterapia empírica de amplo espectro
    • Drenagem cirúrgica/aspiração estereotáxica
    • Ajuste conforme cultura e antibiograma
  • 4Etiologia
    • Contígua (sinusite, otite, mastoidite)
    • Hematogênica (endocardite, abscesso pulmonar)
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Alternativa A — ❌ Incorreta

A TC de crânio sem contraste não é a modalidade de escolha para o diagnóstico de abscesso cerebral. Embora a TC seja o exame inicial mais disponível, a RM é superior, pois apresenta maior sensibilidade para diferenciar o abscesso de tumor e permite avaliar os diferentes estágios da lesão. A TC com contraste pode mostrar o realce em anel, mas a RM com espectroscopia e difusão é mais precisa. Portanto, a afirmação está incorreta.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A punção lombar é contraindicada em pacientes com abscesso cerebral devido ao risco de herniação cerebral. O diagnóstico é feito por neuroimagem, e a coleta de LCR não é recomendada como procedimento diagnóstico inicial. A alternativa está incorreta.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A RM com espectroscopia é mais sensível que a TC para a detecção de abscessos cerebrais, não menos. A RM permite diferenciar o abscesso de outras lesões (como tumores) e identificar os estágios evolutivos, sendo superior à TC. A afirmação inverte a relação de sensibilidade.

Alternativa D — ❌ Incorreta

O tratamento padrão inicial do abscesso cerebral é antibioticoterapia de amplo espectro, não antivirais. O abscesso é uma infecção bacteriana (ou fúngica), e os antivirais seriam indicados para encefalite viral, que é um diagnóstico diferencial. A alternativa está incorreta.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

O tratamento de escolha inclui antibioticoterapia de amplo espectro, ajustada conforme cultura e antibiograma do material obtido por aspiração estereotáxica ou cirurgia. Essa é a conduta padrão: iniciar antibióticos empíricos, realizar drenagem cirúrgica quando indicada, e ajustar o esquema com base no resultado da cultura. A alternativa está correta.

Gabarito: letra E

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