As litíases renais ligadas à hiperuricosúria, são decorrentes de:
ACirurgia bariátrica.
BMá absorção de gordura.
CDoenças mieloproliferativas.
DExcesso de vitamina D.
ESecundárias à diabetes.
Revelar gabarito e comentário▾
GabaritoC — Doenças mieloproliferativas.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Nefrolitíase por hiperuricosúria: causas de litíase de ácido úrico
Gabarito: letra C. As litíases renais ligadas à hiperuricosúria são decorrentes de doenças mieloproliferativas, que cursam com alta renovação celular e consequente excesso de produção de ácido úrico — o que satura a urina e precipita cristais de urato. As demais alternativas apontam para outras etiologias de nefrolitíase, não especificamente para a hiperuricosúria.
A nefrolitíase é a formação de cálculos no trato urinário, e sua causa está diretamente ligada à supersaturação urinária de determinados solutos. Quando falamos de hiperuricosúria, estamos diante de um excesso de ácido úrico na urina, que pode ter duas origens principais: o aumento da produção endógena de ácido úrico (como ocorre nas doenças mieloproliferativas, em que há intensa proliferação celular e, consequentemente, grande degradação de purinas) ou a redução da excreção renal. O ácido úrico é o produto final do metabolismo das purinas, e qualquer condição que aumente a renovação celular — como leucemias, linfomas, policitemia vera e outras neoplasias hematológicas — eleva a produção de urato, sobrecarregando os rins e favorecendo a precipitação de cristais em urina ácida.
O diagnóstico e o manejo da nefrolitíase passam por uma avaliação metabólica completa, incluindo a coleta de urina de 24 horas para dosagem de ácido úrico, cálcio, citrato, oxalato e outros íons. A identificação do tipo de cálculo é fundamental para orientar a terapia, e a análise dos cristais na urina pode apontar o diagnóstico: cristais de ácido úrico formam-se em urina ácida, enquanto cristais de fosfato de cálcio e estruvita formam-se em urina alcalina. No caso específico da hiperuricosúria, além das doenças mieloproliferativas, outros fatores podem contribuir, como dieta rica em purinas, uso de certos medicamentos (por exemplo, probenecida e ácido acetilsalicílico em altas doses) e estados de desidratação.
É importante distinguir a hiperuricosúria de outras causas de litíase. A cirurgia bariátrica e a má absorção de gordura estão associadas a cálculos de oxalato de cálcio, não de ácido úrico. O excesso de vitamina D leva à hipercalciúria e, portanto, a cálculos de cálcio. Já o diabetes mellitus, embora possa estar associado a um pH urinário mais baixo (o que favorece a formação de cálculos de ácido úrico), não é a causa direta da hiperuricosúria — a relação é indireta e não é o mecanismo clássico cobrado. A pegadinha da questão está em associar a hiperuricosúria a condições que aumentam a produção de ácido úrico, e não a condições que alteram o metabolismo do cálcio ou do oxalato.
Guarde o critério decisivo: hiperuricosúria = excesso de produção de ácido úrico = alta renovação celular = doenças mieloproliferativas. É exatamente essa cadeia que separa a alternativa correta das demais.
A cirurgia bariátrica está associada a cálculos de oxalato de cálcio, não a hiperuricosúria. Isso ocorre porque a má absorção de gorduras após o procedimento leva à ligação do cálcio a ácidos graxos no intestino, aumentando a absorção de oxalato e sua excreção urinária. A banca troca a etiologia: o mecanismo pós-bariátrica é hiperoxalúria, não hiperuricosúria.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A má absorção de gordura (esteatorreia) também está relacionada a cálculos de oxalato de cálcio, pelo mesmo mecanismo descrito acima: o cálcio intestinal se liga aos ácidos graxos, deixando mais oxalato livre para ser absorvido e excretado na urina. Não há relação direta com a hiperuricosúria.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
As doenças mieloproliferativas (como leucemias, linfomas e policitemia vera) cursam com alta renovação celular, o que aumenta a degradação de purinas e a produção de ácido úrico. Esse excesso de urato na urina (hiperuricosúria) satura o meio e precipita cristais de ácido úrico, formando os cálculos. É a causa clássica e diretamente ligada ao mecanismo fisiopatológico.
Alternativa D — ❌ Incorreta
O excesso de vitamina D causa hipercalciúria (aumento da excreção de cálcio na urina), predispondo a cálculos de cálcio — não de ácido úrico. A vitamina D aumenta a absorção intestinal de cálcio, elevando sua concentração urinária e favorecendo a precipitação de fosfato e oxalato de cálcio.
Alternativa E — ❌ Incorreta
O diabetes mellitus não é causa direta de hiperuricosúria. Embora pacientes diabéticos possam ter urina mais ácida (o que favorece a formação de cálculos de ácido úrico), o mecanismo não é o aumento da produção de urato, mas sim a alteração do pH urinário. A relação é indireta e não corresponde à etiologia clássica cobrada pela questão.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre as diferentes etiologias da nefrolitíase. O candidato que associa "ácido úrico" a "diabetes" ou a "cirurgia bariátrica" cai no distrator, pois essas condições têm mecanismos distintos: diabetes altera o pH urinário, bariátrica e má absorção levam a hiperoxalúria, e vitamina D causa hipercalciúria. A chave é lembrar que hiperuricosúria = excesso de produção de urato = alta renovação celular, típica das doenças mieloproliferativas.