Questão de Português — Interpretação de Textos — Avança SP 2024
Português›Interpretação de Textos
Código
qg096676
Banca
Avança SP
Órgão
SAEP de Pirassununga - SP
Ano
2024
Nível
Médio
Cargo
Operador Hidráulico
Estudo com esponjas de 300 anos mostra que
a Terra ficou 1,5ºC mais quente
O Acordo de Paris, um dos principais tratados
internacionais sobre a crise climática, tem como
objetivo evitar que o aquecimento global
ultrapasse 2ºC até 2100. A meta é que esse
aumento não seja maior do que 1,5ºC. No
entanto, em estudo publicado na revista Nature
nesta segunda-feira (5), pesquisadores apontam
que o planeta já atingiu esse valor.
Liderado por Malcolm McCulloch, da
Universidade da Austrália Ocidental, o estudo
utiliza um método alternativo para mensurar o
aquecimento da Terra. A análise de esqueletos de
esponjas sugere que o aquecimento da era
industrial começou em meados dos anos 1860 –
mais de 80 anos antes do que indicavam outros
métodos.
O IPCC (Painel Intergovernamental sobre
Mudanças Climáticas da ONU), por exemplo,
tem como referência o registro da temperatura da
superfície do oceano, que começou a ser feito
instrumentalmente entre 1850 e 1900. Esse é o
período considerado pré-industrial. A partir dele,
calcula-se quanto o planeta tem aquecido. No
entanto, McCulloch aponta que, nesse mesmo
período, as temperaturas globais já haviam
subido 0,5ºC. “Nosso resultado é 0,5ºC mais
elevado do que a estimativa do IPCC, com um
aquecimento global de 2ºC projetado para o final
dos anos 2020, quase duas décadas mais cedo do
que se esperava”, diz a pesquisa. Segundo os
pesquisadores, o planeta ultrapassou 1,5ºC de
aquecimento entre 2010 e 2012.
Esponjas antigas
Para chegar a tais conclusões, os cientistas
avaliaram a proporção de estrôncio e cálcio em
esqueletos de esponjas de 300 anos da espécie
Ceratoporella nicholsoni, cuja proporção muda
somente com a temperatura da água, o que permite que seja empregada como uma espécie
de termômetro. As esponjas são típicas da costa
de Porto Rico e ficam em uma área protegida de
grandes correntes marítimas e ciclos climáticos,
na qual há menor variabilidade na temperatura da
água. De acordo com a pesquisa, esponjas antigas
podem fornecer evidências relativas a
temperaturas até mesmo do século 18.
Os exemplares analisados foram coletados no
Caribe a uma profundidade entre 33 e 91 metros,
em uma região denominada camada de mistura
oceânica. “A temperatura da superfície do mar
pode ser altamente variável em cima”, reconhece
McCulloch. “Mas essa camada de mistura
representa o sistema inteiro dentro de algumas
centenas de metros e está em equilíbrio com as
temperaturas da atmosfera”, explica em nota. A
equipe também observou que as temperaturas
obtidas a partir da análise das esponjas são
compatíveis aos registros de temperaturas
médias de 1964 a 2012.
Não é a primeira vez que estudos sugerem que o
planeta está aquecendo desde a década de 1860.
Outras formas alternativas de mensurar as
temperaturas globais (com núcleos de gelo e
anéis de árvores, por exemplo) obtiveram
resultados similares. No entanto, o assunto ainda
é debatido na comunidade científica.
Sabe-se que a Terra está ficando cada vez mais
quente devido à atividade humana, mas o
aumento exato relativo aos níveis pré-industriais
é alvo de discussões. Há cientistas que defendem
que mais estudos precisam ser feitos, utilizando
métodos e fontes variados. “Cada proxy de
temperatura que encontrarmos terá problemas,
ressalvas e limitações. Portanto, é uma questão
de juntar o máximo de proxies possível”, afirma
Hendry. “Quanto mais peças diferentes do
quebra-cabeça pudermos juntar, melhor nós
conseguiremos reconstruir essas diferenças de
temperatura.”
Revista Galileu. Adaptado. Disponível em
https://revistagalileu.globo.com/ciencia/meioambiente/noticia/2024/02/estudo-com-esponjasde-300-anos-mostra-que-a-terra-ficou-15ocmais-quente.ghtml
Considere o excerto a seguir para responder à questão.“Cada proxy de temperatura que encontrarmos terá problemas, ressalvas e limitações. Portanto, é uma questão de juntar o máximo de proxies possível”, afirma Hendry.O excerto apresentado está em discurso direto. Assinale a alternativa em que o mesmo excerto é passado para discurso indireto corretamente.
AHendry afirmou que cada proxy de temperatura que encontrassem teria problemas, ressalvas e limitações, e que, portanto, era uma questão de juntar o máximo de proxies possível.
BHendry afirma que cada proxy de temperatura que encontrarmos terá problemas, ressalvas e limitações. Portanto, é uma questão de juntar o máximo de proxies possível.
CHendry afirma que cada proxy de temperatura que encontrarem terá problemas, ressalvas e limitações. Portanto, é uma questão de juntar o máximo de proxies possível.
DHendry afirmou que cada proxy de temperatura que encontrarem teria problemas, ressalvas e limitações. Portanto, era uma questão de juntar o máximo de proxies possível.
EHendry afirmou que cada proxy de temperatura que encontrarão terá problemas, ressalvas e limitações, e que, portanto, foi uma questão de juntar o máximo de proxies possível.
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GabaritoA — Hendry afirmou que cada proxy de temperatura que encontrassem teria problemas, ressalvas e limitações, e que, portanto, era uma questão de juntar o máximo de proxies possível.
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Transposição de Discurso Direto para Indireto — Correlação Verbal
Gabarito: letra A. A alternativa A é a única que faz a transposição completa e correta: o verbo de elocução passa para o pretérito perfeito (afirmou), os verbos da fala recuam um tempo (encontrassem e teria), o pronome muda de 1ª para 3ª pessoa (encontrarmos → encontrassem) e o conectivo portanto é preservado com o verbo era no pretérito imperfeito. As demais alternativas erram ao manter o verbo no presente (afirma), ao não recuar os tempos verbais ou ao trocar a pessoa do discurso.
O que a questão pede
O comando é claro: passar o excerto do discurso direto para o indireto corretamente. Isso não é uma questão de interpretação de conteúdo, mas de reescritura gramatical — exige aplicar as regras de transposição de discurso. Você precisa observar três eixos: o verbo de elocução (o verbo que introduz a fala), a correlação de tempos verbais e a mudança de pessoa do discurso.
A regra de ouro da transposição
Quando o verbo de elocução está no presente (afirma), os tempos da fala não mudam. Quando está no pretérito (afirmou), os tempos recuam um grau: presente vira pretérito imperfeito, pretérito perfeito vira pretérito mais-que-perfeito, futuro do presente vira futuro do pretérito. Além disso, os pronomes de 1ª pessoa (nós) viram 3ª pessoa (eles), e os pronomes possessivos e demonstrativos também se ajustam.
No excerto original, Hendry diz: "Cada proxy de temperatura que encontrarmos terá problemas, ressalvas e limitações. Portanto, é uma questão de juntar o máximo de proxies possível". O verbo de elocução está implícito (afirma), mas a transposição para o indireto exige que ele seja explicitado no pretérito: afirmou. A partir daí, todos os verbos da fala recuam: encontrarmos (futuro do subjuntivo) → encontrassem (pretérito imperfeito do subjuntivo), terá (futuro do presente) → teria (futuro do pretérito), é (presente) → era (pretérito imperfeito). O pronome nós (embutido em encontrarmos) vira eles (embutido em encontrassem).
A pegadinha da banca
A banca adora misturar tempos verbais e pessoas do discurso para confundir. Veja o padrão: algumas alternativas mantêm o verbo de elocução no presente (afirma), o que dispensaria o recuo temporal — mas aí o resto da frase fica no presente, e a transposição não é completa. Outras usam o pretérito (afirmou) mas não recuam os tempos da fala, ou trocam a pessoa do discurso. A correta é a que faz tudo ao mesmo tempo: verbo de elocução no pretérito, recuo de todos os tempos e mudança de pessoa.
Análise das alternativas
1Verbo de elocução no pretérito
2Recuo dos tempos verbais
3Mudança de pessoa do discurso
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa A faz a transposição completa e correta. O verbo de elocução é afirmou (pretérito perfeito), o que exige o recuo temporal. Os verbos da fala recuam: encontrassem (pretérito imperfeito do subjuntivo, de encontrarmos), teria (futuro do pretérito, de terá) e era (pretérito imperfeito, de é). O pronome de 1ª pessoa vira 3ª pessoa (encontrarmos → encontrassem). O conectivo portanto é preservado, e o sentido é mantido integralmente. É a única que atende a todos os requisitos.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A alternativa B mantém o verbo de elocução no presente (afirma) e não recua os tempos: encontrarmos e terá permanecem no futuro, e é permanece no presente. Isso não é uma transposição para o discurso indireto — é apenas uma repetição da fala com o verbo de elocução explícito. Erro: não recuou os tempos verbais.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A alternativa C também mantém o verbo no presente (afirma) e não recua os tempos. Além disso, troca a pessoa do discurso: encontrarem (3ª pessoa) em vez de encontrarmos (1ª pessoa), o que altera o sentido original. Erro: não recuou os tempos e trocou a pessoa do discurso.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A alternativa D usa o verbo de elocução no pretérito (afirmou) e recua os tempos (encontrassem, teria, era), mas troca a pessoa do discurso: encontrarem (3ª pessoa) em vez de encontrarmos (1ª pessoa). Isso altera o sentido original, pois Hendry fala de "nós" (a comunidade científica), não de "eles". Erro: trocou a pessoa do discurso.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A alternativa E usa o verbo de elocução no pretérito (afirmou) e recua os tempos (encontrarão → encontrarão? Na verdade, mantém encontrarão no futuro do presente, o que está errado; e terá no futuro do presente, também errado). Além disso, troca o tempo de é para foi (pretérito perfeito), o que não é o recuo esperado (deveria ser era). E ainda troca a pessoa: encontrarão (3ª pessoa) em vez de encontrarmos (1ª pessoa). Erro: não recuou os tempos corretamente e trocou a pessoa do discurso.
Conclusão
A transposição de discurso direto para indireto exige três movimentos simultâneos: verbo de elocução no pretérito, recuo de todos os tempos verbais e mudança de pessoa do discurso. A alternativa A é a única que faz tudo isso corretamente. As demais erram ao manter o verbo no presente, ao não recuar os tempos ou ao trocar a pessoa. Gabarito: letra A.