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Questão de Português — Morfologia - Verbos — Avança SP 2024

PortuguêsMorfologia - Verbos
Código
qg096706
Banca
Avança SP
Órgão
SAEP de Pirassununga - SP
Ano
2024
Nível
Fundamental
Cargo
Servente de Limpeza

Leia o texto para responder às questões de 1 a 11.


Eu, Tarzan


Uma das cenas mais inverossímeis e mais fascinantes da literatura mundial é do Tarzan aprendendo a ler nos livros de seu pai. Todos conhecem a história — pelo menos todos os que, como eu, devoravam os livros do Tarzan. Lord e Lady Greystoke são abandonados por marinheiros amotinados em algum ponto da costa oriental da África.

Constroem uma casa sobre árvores na qual colocam seus pertences, inclusive os livros do lorde, e dentro da qual a lady dá à luz um filho. Os pais morrem pouco depois do nascimento da criança, que é criada por orangotangos. Um dia o jovem Tarzan resolve examinar o interior da cabana onde nasceu e descobre os livros do pai. Através de um processo de associações e deduções, Tarzan aprende a ler e a escrever, sozinho, não fosse ele um aristocrata.

O autor dos livros do Tarzan, Edgar Rice Burroughs, acreditava que, mesmo criado por orangotangos, um lorde inglês era um lorde inglês, dotado de um intelecto superior, e isso bastava para explicar a sua incrível autoalfabetização. Mas sempre achei que foi muita sorte do Tarzan seu pai não ser, por exemplo, um latinista.

Tarzan aprendeu inglês nos livros deixados pelo pai e pôde comunicar-se com outros humanos com facilidade desde o seu primeiro encontro com a civilização. Mas, e se tivesse aprendido latim? Não conseguiria se comunicar com ninguém, salvo pessoas que sabem latim. Pessoas, reconhecidamente, pouco tolerantes com as limitações alheias, e está aí — ou melhor, está lá, no passado — meu professor de latim que não me deixa mentir.

— Esse Tarzan, francamente. É um selvagem!

— Sei o que você quer dizer. Esse seu hábito de comer carne crua com as mãos, rosnando, o sangue escorrendo pelos cantos da boca...

— Não, não. Isso eu nem tinha notado. Mas ele é fraquíssimo nas declinações!

Enfim, a história de Tarzan e do seu aprendizado é uma boa metáfora para a importância de uma biblioteca, e de uma biblioteca adequada, na Educação. E também sugere a importância do fortuito na vida das pessoas. Pois como seria se, em vez dos livros que ajudaram Tarzan a descobrir coisas básicas — como o nome de tudo e o fato de que ele era um homem e não um animal —, ele tivesse descoberto grossos tomos filosóficos na cabana? Pode-se imaginar até o primeiro diálogo entre Tarzan e sua futura companheira.

— Eu, ser ontológico enquanto entidade histórica, você, Jane.

Não, Tarzan descobriu nos livros deixados pelo pai o que toda biblioteca deve ser, uma mistura do prático e do maravilhoso. É o lugar onde começamos a nos conhecer.


VERISSIMO, L. F. Verissimo antológico: meio século de crônicas, ou coisa parecida. São Paulo: Objetiva, 2020.

Considere o excerto a seguir para responder às questões de 9 a 11:


Não, Tarzan descobriu nos livros deixados pelo pai o que toda biblioteca deve ser, uma mistura do prático e do maravilhoso.


A pessoa gramatical que corresponde à conjugação do verbo “descobriu”, que ocorre no excerto apresentado, é:

  1. A1ª pessoa do singular.
  2. B2ª pessoa do singular.
  3. C3ª pessoa do singular.
  4. D1ª pessoa do plural.
  5. E2ª pessoa do plural.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — 3ª pessoa do singular.

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Flexão Verbal de Pessoa: "descobriu"

Gabarito: letra C. O verbo "descobriu" está na 3ª pessoa do singular, pois seu sujeito é "Tarzan" (ele), como se lê no excerto: "Tarzan descobriu nos livros deixados pelo pai...". A desinência -iu é a marca típica da 3ª pessoa do singular no pretérito perfeito do indicativo.

O que a questão pede

O comando é direto: identificar a pessoa gramatical da forma verbal "descobriu". Isso é uma questão de morfologia verbal — não de interpretação de texto. Você não precisa inferir nada além da conjugação: basta reconhecer a desinência número-pessoal e o sujeito a que o verbo se liga.

O texto e o verbo

No trecho, o sujeito de "descobriu" é "Tarzan", um nome próprio que designa uma terceira pessoa (ele). A concordância é explícita:

"Tarzan descobriu nos livros deixados pelo pai o que toda biblioteca deve ser..."

O verbo descobrir conjugado no pretérito perfeito do indicativo, 3ª pessoa do singular, é descobriu — a desinência -iu marca exatamente essa pessoa e número. Compare com as outras formas: descobri (1ª), descobriste (2ª), descobrimos (1ª do plural), descobristes (2ª do plural).

A técnica que decide

Para acertar, pergunte: quem descobriu? A resposta está no próprio texto: Tarzan. Como "Tarzan" equivale a ele, a pessoa gramatical é a 3ª do singular. Não há armadilha de sentido — é pura flexão verbal.

Análise das alternativas

11ª pessoa
Singular: eu (descobri)
Plural: nós (descobrimos)
22ª pessoa
Singular: tu (descobriste)
Plural: vós (descobristes)
33ª pessoa
Singular: ele/ela (descobriu)
Plural: eles/elas (descobriram)
Pessoa gramatical do verbo
LEVELsoulevel.com.br
Pessoa gramatical do verbo: 1ª pessoa (Singular: eu (descobri), Plural: nós (descobrimos)); 2ª pessoa (Singular: tu (descobriste), Plural: vós (descobristes)); 3ª pessoa (Singular: ele/ela (descobriu), Plural: eles/elas (descobriram))

Alternativa A — ❌ Incorreta

A 1ª pessoa do singular corresponde a eu (descobri). No texto, quem descobriu foi Tarzan, não o narrador. O narrador fala de Tarzan na 3ª pessoa, como se vê em todo o texto: "Tarzan aprendeu", "Tarzan descobriu". A alternativa confunde a pessoa do discurso com a pessoa gramatical do verbo.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A 2ª pessoa do singular corresponde a tu (descobriste). Não há nenhum interlocutor sendo tratado por "tu" no excerto. O verbo "descobriu" não tem a desinência -ste, característica da 2ª pessoa. É uma distração para quem não domina as desinências verbais.

Alternativa C — ✅ Correta

A 3ª pessoa do singular corresponde a ele/ela (descobriu). O sujeito é "Tarzan", que é uma terceira pessoa. A desinência -iu é a marca clássica dessa pessoa no pretérito perfeito do indicativo. O texto confirma: "Tarzan descobriu".

Alternativa D — ❌ Incorreta

A 1ª pessoa do plural corresponde a nós (descobrimos). O verbo "descobriu" está no singular, não no plural. A desinência -mos (descobrimos) não aparece. A alternativa testa se o candidato confunde número (singular/plural) com pessoa.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A 2ª pessoa do plural corresponde a vós (descobristes). Além de ser uma forma pouco usada no português brasileiro, não há nenhum "vós" no texto. A desinência -stes não está presente. É uma distração para quem não domina o paradigma completo da conjugação.

Conclusão

A questão é de morfologia verbal: identificar a pessoa gramatical pela desinência e pelo sujeito. A pista está no texto: "Tarzan descobriu" — Tarzan = ele = 3ª pessoa do singular. As demais alternativas ou confundem pessoa ou confundem número.

PEGA ESSA DICA!

Para questões de pessoa gramatical, sempre identifique o sujeito do verbo e o substitua pelo pronome pessoal correspondente (eu, tu, ele, nós, vós, eles). A desinência verbal confirma a pessoa.

Gabarito: letra C

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