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Questão de Português — Noções Gerais de Compreensão e Interpretação de Texto — Avança SP 2024

PortuguêsNoções Gerais de Compreensão e Interpretação de Texto
Código
qg096714
Banca
Avança SP
Órgão
SAEP de Pirassununga - SP
Ano
2024
Nível
Fundamental
Cargo
Servente de Limpeza

Leia o texto para responder às questões de 1 a 11.


Eu, Tarzan


Uma das cenas mais inverossímeis e mais fascinantes da literatura mundial é do Tarzan aprendendo a ler nos livros de seu pai. Todos conhecem a história — pelo menos todos os que, como eu, devoravam os livros do Tarzan. Lord e Lady Greystoke são abandonados por marinheiros amotinados em algum ponto da costa oriental da África.

Constroem uma casa sobre árvores na qual colocam seus pertences, inclusive os livros do lorde, e dentro da qual a lady dá à luz um filho. Os pais morrem pouco depois do nascimento da criança, que é criada por orangotangos. Um dia o jovem Tarzan resolve examinar o interior da cabana onde nasceu e descobre os livros do pai. Através de um processo de associações e deduções, Tarzan aprende a ler e a escrever, sozinho, não fosse ele um aristocrata.

O autor dos livros do Tarzan, Edgar Rice Burroughs, acreditava que, mesmo criado por orangotangos, um lorde inglês era um lorde inglês, dotado de um intelecto superior, e isso bastava para explicar a sua incrível autoalfabetização. Mas sempre achei que foi muita sorte do Tarzan seu pai não ser, por exemplo, um latinista.

Tarzan aprendeu inglês nos livros deixados pelo pai e pôde comunicar-se com outros humanos com facilidade desde o seu primeiro encontro com a civilização. Mas, e se tivesse aprendido latim? Não conseguiria se comunicar com ninguém, salvo pessoas que sabem latim. Pessoas, reconhecidamente, pouco tolerantes com as limitações alheias, e está aí — ou melhor, está lá, no passado — meu professor de latim que não me deixa mentir.

— Esse Tarzan, francamente. É um selvagem!

— Sei o que você quer dizer. Esse seu hábito de comer carne crua com as mãos, rosnando, o sangue escorrendo pelos cantos da boca...

— Não, não. Isso eu nem tinha notado. Mas ele é fraquíssimo nas declinações!

Enfim, a história de Tarzan e do seu aprendizado é uma boa metáfora para a importância de uma biblioteca, e de uma biblioteca adequada, na Educação. E também sugere a importância do fortuito na vida das pessoas. Pois como seria se, em vez dos livros que ajudaram Tarzan a descobrir coisas básicas — como o nome de tudo e o fato de que ele era um homem e não um animal —, ele tivesse descoberto grossos tomos filosóficos na cabana? Pode-se imaginar até o primeiro diálogo entre Tarzan e sua futura companheira.

— Eu, ser ontológico enquanto entidade histórica, você, Jane.

Não, Tarzan descobriu nos livros deixados pelo pai o que toda biblioteca deve ser, uma mistura do prático e do maravilhoso. É o lugar onde começamos a nos conhecer.


VERISSIMO, L. F. Verissimo antológico: meio século de crônicas, ou coisa parecida. São Paulo: Objetiva, 2020.

Para o narrador do texto, a história de Tarzan demonstra:
  1. Aa inteligência de que são dotados os aristocratas.
  2. Ba arrogância de falantes de latim e de inglês.
  3. Ca importância da leitura de livros adequados para a formação das pessoas.
  4. Da inteligência de orangotangos.
  5. Ea relevância do aprendizado de idiomas como latim.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — a importância da leitura de livros adequados para a formação das pessoas.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

A história de Tarzan como metáfora da biblioteca adequada

Gabarito: letra C. Para o narrador, a história de Tarzan demonstra a importância da leitura de livros adequados para a formação das pessoas. A tese está explícita no trecho final do texto: "a história de Tarzan e do seu aprendizado é uma boa metáfora para a importância de uma biblioteca, e de uma biblioteca adequada, na Educação". A alternativa C é uma paráfrase fiel dessa ideia central, enquanto as demais ou extrapolam o texto ou contradizem o que o narrador afirma.

O comando pede compreensão ("demonstra"), ou seja, exige localizar uma informação explícita no texto, não fazer inferências. A resposta correta é a que reescreve, com outras palavras, a tese do autor. O texto é uma crônica de Luís Fernando Verissimo que parte da história fictícia de Tarzan para defender um ponto de vista sobre educação e bibliotecas. O narrador não está interessado em discutir a inteligência de aristocratas ou de orangotangos, nem em defender o latim — esses são elementos usados como ilustração ou ironia para construir o argumento principal.

A técnica decisiva é identificar a tese (ideia central) e distingui-la dos argumentos e exemplos. A tese aparece na conclusão, quando o narrador afirma que a história é uma metáfora para a importância de uma biblioteca adequada na Educação. As alternativas A, B, D e E cometem o erro de extrapolar: pegam elementos periféricos do texto (a aristocracia, o latim, os orangotangos) e os transformam em ideia principal, quando na verdade são apenas recursos argumentativos.

"a história de Tarzan e do seu aprendizado é uma boa metáfora para a importância de uma biblioteca, e de uma biblioteca adequada, na Educação"

Este trecho é a prova textual da alternativa C. O narrador não diz que a história demonstra a inteligência dos aristocratas (A), nem a arrogância de falantes de latim e inglês (B), nem a inteligência dos orangotangos (D), nem a relevância do aprendizado de idiomas como o latim (E). Todas essas ideias estão fora do escopo da tese defendida.

Alternativa A — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que a história demonstra "a inteligência de que são dotados os aristocratas". O texto menciona que o autor dos livros, Edgar Rice Burroughs, "acreditava que, mesmo criado por orangotangos, um lorde inglês era um lorde inglês, dotado de um intelecto superior". Porém, o narrador não endossa essa crença — ele a apresenta como uma opinião do autor dos livros e logo a relativiza com ironia ("Mas sempre achei que foi muita sorte do Tarzan seu pai não ser, por exemplo, um latinista"). A alternativa extrapola ao transformar uma opinião citada (e ironizada) em tese do narrador.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que a história demonstra "a arrogância de falantes de latim e de inglês". O texto faz uma piada sobre o professor de latim ("pessoas, reconhecidamente, pouco tolerantes com as limitações alheias"), mas isso é uma anedota para ilustrar a importância de aprender uma língua útil, não uma crítica à arrogância dos falantes. A alternativa tangencia o tema ao transformar um detalhe cômico em ideia central.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa afirma que a história demonstra "a importância da leitura de livros adequados para a formação das pessoas". Isso é exatamente o que o narrador conclui: a história é uma metáfora para a importância de uma biblioteca adequada na Educação. A palavra "adequados" corresponde a "adequada" do texto, e "formação das pessoas" corresponde a "Educação". É uma paráfrase perfeita da tese.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que a história demonstra "a inteligência de orangotangos". O texto menciona que Tarzan foi criado por orangotangos, mas não atribui a eles nenhuma inteligência especial — pelo contrário, a inteligência é atribuída a Tarzan ("Através de um processo de associações e deduções, Tarzan aprende a ler e a escrever, sozinho"). A alternativa contradiz o texto ao inverter o sujeito da inteligência.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que a história demonstra "a relevância do aprendizado de idiomas como latim". O texto faz exatamente o oposto: mostra que, se Tarzan tivesse aprendido latim, não conseguiria se comunicar com ninguém ("Não conseguiria se comunicar com ninguém, salvo pessoas que sabem latim"). O latim é usado como contraexemplo para defender a importância de aprender algo útil. A alternativa contradiz o texto.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a extrapolação — pega elementos periféricos (aristocracia, latim, orangotangos) e os apresenta como se fossem a tese. A correta é a única que reproduz a ideia central, expressa na conclusão.

PEGA ESSA DICA!

Em questões de compreensão, grife a tese (geralmente na introdução ou conclusão) e desconfie de alternativas que destacam detalhes ou exemplos. Pergunte: "o texto afirma isso, ou apenas menciona algo parecido?"

Gabarito: letra C. A história de Tarzan é usada pelo narrador como metáfora para defender a importância de uma biblioteca adequada na Educação — nada além disso.

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