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Questão de Português — Coesão e coerência — Avança SP 2024

PortuguêsCoesão e coerência
Código
qg096778
Banca
Avança SP
Órgão
SAEP de Pirassununga - SP
Ano
2024
Nível
Médio
Cargo
Técnico em Manutenção

Leia o texto para responder às questões de 1 a 5.


Solidários na porta


Vivemos a civilização do automóvel, mas atrás do volante de um carro o homem se comporta como se ainda estivesse nas cavernas. Antes da roda. Luta com seu semelhante pelo espaço na rua como se este fosse o último mamute. Usando as mesmas táticas de intimidação, apenas buzinando em vez de rosnar ou rosnando em vez de morder.

O trânsito em qualquer grande cidade do mundo é uma metáfora para a vida competitiva que a gente leva, cada um dentro do seu próprio pequeno mundo de metal tentando levar vantagem sobre o outro, ou pelo menos tentando não se deixar intimidar. E provando que não há nada menos civilizado que a civilização. Mas há uma exceção. Uma pequena clareira de solidariedade no jângal. É a porta aberta. Quando o carro ao seu lado emparelha com o seu e alguém põe a cabeça para fora, você se prepara para o pior. Prepara a resposta. “É a sua!” Mas pode ter uma surpresa.

— Porta aberta!

— O quê?

Você custa a acreditar que nem você nem ninguém da sua família está sendo xingado. Mas não, o inimigo está sinceramente preocupado com a possibilidade da porta se abrir e você cair do carro.

A porta aberta determina uma espécie de trégua tácita. Todos a apontam. Vão atrás, buzinando freneticamente, se por acaso você não ouviu o primeiro aviso. “Olha a porta aberta!” é como um código de honra, um intervalo nas hostilidades. Se a porta se abrir e você cair mesmo na rua, aí passam por cima. Mas avisaram. Quer dizer, ainda não voltamos ao estado animal.


VERISSIMO, L. F. Verissimo antológico: meio século de crônicas, ou coisa parecida. São Paulo: Objetiva, 2020.

Considere o excerto a seguir para responder às questões 2 e 3:


Vivemos a civilização do automóvel, mas atrás do volante de um carro o homem se comporta como se ainda estivesse nas cavernas. Antes da roda. Luta com seu semelhante pelo espaço na rua como se este fosse o último mamute.


O elemento mencionado no excerto a que se refere o pronome “este” é:

  1. A“seu semelhante”.
  2. B“o espaço na rua”.
  3. C“o último mamute”.
  4. D“o volante de um carro”.
  5. E“o homem”.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — “o espaço na rua”.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Referência do Pronome “Este” no Excerto

Gabarito: letra B. O pronome demonstrativo “este” retoma “o espaço na rua”, e não o termo imediatamente anterior. A prova está na estrutura comparativa do trecho: “Luta com seu semelhante pelo espaço na rua como se este fosse o último mamute”. O pronome “este” substitui o termo “o espaço na rua”, pois é o espaço que está sendo comparado ao último mamute — o homem luta pelo espaço como se ele (o espaço) fosse o último mamute. As demais alternativas ou apontam para termos que não são o referente ou confundem a ordem de leitura.

O Comando: identificar o referente de um pronome

A questão pede que você diga a que elemento do excerto o pronome “este” se refere. Isso é uma tarefa de coesão referencial: o pronome é um mecanismo de retomada (anáfora) que substitui um termo já mencionado para evitar repetição. Para resolver, você não precisa de interpretação profunda — basta rastrear a cadeia de referência no trecho, perguntando: “o que ‘este’ está substituindo?”. A resposta está no próprio texto, na relação sintático-semântica entre o pronome e o termo que ele retoma.

O Trecho e a Estrutura Comparativa

O excerto é:

“Luta com seu semelhante pelo espaço na rua como se este fosse o último mamute.”

Aqui, a oração “como se este fosse o último mamute” é uma comparação hipotética. O sujeito “o homem” (implícito) luta pelo espaço na rua — e a comparação é: luta pelo espaço como se o espaço fosse o último mamute. Ou seja, o homem disputa o espaço com a mesma intensidade com que um homem das cavernas disputaria o último mamute. O pronome “este” retoma “o espaço na rua”, pois é o termo que está sendo comparado ao mamute. Se “este” retomasse “seu semelhante”, a frase diria que o homem luta com o semelhante como se o semelhante fosse o mamute — o que não é o sentido. A lógica do texto é: o espaço é o bem disputado, e o mamute é a metáfora desse bem.

A Técnica: rastrear o referente pela lógica da comparação

A armadilha central é a proximidade enganosa: o termo imediatamente antes de “este” é “o último mamute”, mas o pronome não retoma o termo mais próximo — retoma o termo que faz sentido na comparação. Para não cair nessa pegadinha, faça o teste de substituição: troque “este” por cada candidato e veja qual produz uma frase coerente.

  • “como se o espaço na rua fosse o último mamute” → faz sentido: o homem luta pelo espaço como se ele fosse o último mamute (bem escasso e valioso).

  • “como se seu semelhante fosse o último mamute” → não faz sentido: o homem não luta com o semelhante como se o semelhante fosse o mamute; ele luta com o semelhante pelo espaço.

  • “como se o último mamute fosse o último mamute” → redundante e sem sentido: o pronome não pode retomar o próprio termo da comparação.

O teste de substituição é a técnica que decide a questão: o referente é o termo que, ao ser substituído no lugar do pronome, mantém o sentido original.

Análise das Alternativas

Referência de "este"
  • 1Teste de substituição
    • "o espaço na rua" → mantém o sentido
    • "seu semelhante" → sem sentido
    • "o último mamute" → redundante
  • 2Estrutura comparativa
    • Termo comparado: último mamute
    • Termo comparante: espaço na rua
  • 3Armadilha
    • Proximidade enganosa
    • Distrator de proximidade
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Alternativa A — ❌ Incorreta

“seu semelhante” não é o referente. O pronome “este” está na oração comparativa “como se este fosse o último mamute”, e o termo comparado é “o espaço na rua”, não o semelhante. O homem luta com o semelhante pelo espaço — o espaço é o objeto da disputa, e o mamute é a metáfora desse objeto. A alternativa confunde o complemento do verbo (“com seu semelhante”) com o objeto da luta (“pelo espaço”).

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

“o espaço na rua” é o referente. A prova está na estrutura: “Luta com seu semelhante pelo espaço na rua como se este fosse o último mamute”. O pronome “este” retoma “o espaço na rua”, pois é o espaço que está sendo comparado ao mamute — o homem luta pelo espaço como se ele fosse o último mamute (bem escasso e disputado). A substituição confirma: “como se o espaço na rua fosse o último mamute” mantém o sentido.

Alternativa C — ❌ Incorreta

“o último mamute” é o termo da comparação, não o referente. O pronome “este” não pode retomar o próprio termo que aparece depois dele na oração comparativa — isso seria uma redundância sem sentido. O mamute é o termo comparado, e o espaço é o termo comparante. A alternativa erra ao confundir o termo da comparação com o referente do pronome.

Alternativa D — ❌ Incorreta

“o volante de um carro” está fora do excerto citado na questão. O trecho dado é apenas: “Vivemos a civilização do automóvel, mas atrás do volante de um carro o homem se comporta como se ainda estivesse nas cavernas. Antes da roda. Luta com seu semelhante pelo espaço na rua como se este fosse o último mamute.” O pronome “este” aparece na última oração, e o termo “volante” não participa da comparação. A alternativa tangencia o texto, citando um elemento que não está na cadeia referencial do pronome.

Alternativa E — ❌ Incorreta

“o homem” é o sujeito da oração, não o referente do pronome. O pronome “este” está na oração comparativa e retoma um termo que funciona como objeto da luta (“o espaço na rua”), não o sujeito. A alternativa confunde o sujeito da ação com o referente do pronome.

Conclusão

A questão testa a coesão referencial e a capacidade de rastrear o referente de um pronome em uma estrutura comparativa. A técnica é sempre a mesma: substitua o pronome pelo termo candidato e veja qual mantém o sentido. A única substituição que funciona é “como se o espaço na rua fosse o último mamute”, o que confirma a letra B.

PEGA ESSA DICA!

Em questões de referência pronominal, desconfie do termo imediatamente anterior — a banca adora colocar um “distrator de proximidade”. Faça o teste de substituição e escolha o termo que faz sentido na frase.

Gabarito: letra B

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