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Questão de Português — Morfologia - Pronomes — Avança SP 2024

PortuguêsMorfologia - Pronomes
Código
qg096814
Banca
Avança SP
Órgão
CISBRA - SP
Ano
2024
Nível
Superior

Leia o texto a seguir para responder a questão.


Amor



        A verdade é que devemos tudo aos amores infelizes, aos amores que não dão certo. A poesia se faz antes ou depois do amor, ninguém jamais fez um bom poema durante um amor feliz. Pois se o amor está tão bom, pra que interrompê-lo? O amor feliz não é assunto de poesia, o amor feliz é em vez de poesia. Literatura é quando o amor ainda não veio ou quando já acabou, literatura durante é mentira. Ou ela é empolgação ou é remorso, revolta, saudade, tédio, divagação desesperada — enfim, tudo que de bom texto. Desconfie de quem explica um estado de exaltação criativa dizendo que está amando. Algo deve estar errado. 


        — Você está amando, mas ela não está correspondendo, é isso?


        — Não, não. Ela também me ama. … maravilhoso.


        — É maravilhoso, mas você sabe que não pode durar, é isso? Seu poema é sobre a transitoriedade de todas as coisas, sobre o efêmero, sobre o fim inevitável da felicidade num mundo em que...


        — Não! É sobre a felicidade sem fim!


        — Não pode ser.


         — Mas é. Acabei o poema e vou fazer uma canção. Depois, talvez, uma cantata. E estou pensando num romance. Tudo inspirado no nosso amor. Não posso parar de criar. Estou transbordando de amor e ideia. Crio dia e noite.


         — E a mulher amada? 


        — Quem? Ah, ela. Bom, ela sabe que a atenção que não lhe dou, dou ao nosso amor perfeito.


        Está explicado. Ele não canta a amada ou seu amor. Está fascinado por ele mesmo, amando. E o poema certamente é ruim. Porque o amor, para ser de verdade, tem de emburrecer. Só devem lhe ocorrer bobagens para dizer ou escrever durante um caso de amor. Ou é kitsch, de mau gosto, piegas ou copiado, ou não é amor. Qualquer sinal de originalidade pode até ser suspeito.


        — Esses seus versos para mim... Estão ótimos.


        — Obrigado.


        — Essas juras de amor, essas rimas, essa métrica... De onde você tirou tudo isso?


        — Eu mesmo inventei. Pensando em você.


        — Seu falso!


        — O quê?


        — Só deixando de pensar em mim por algumas horas você faria uma coisa assim pensando em mim. Só tomando dist‚ncia, escrevendo ou reescrevendo, raciocinando e burilando você faria isso. Um verso plagiado do Vinicius eu entenderia. Um verso original, e bom desse jeito, é traição. Só não sendo sincero você seria tão inteligente!


        — Mas...


        — Não fale mais comigo.


        Pronto. O amor acabou, agora você pode ser criativo sem remorso. Você está infeliz, mas console-se. Pense em como isso melhorar·o seu estilo. 


VERISSIMO, L. F. Verissimo antológico: meio século de crônicas, ou coisa parecida. São Paulo: Objetiva, 2020. 

Em “Está fascinado por ele mesmo, amando.”, o pronome “ele” é um:
  1. Apronome pessoal do caso reto.
  2. Bpronome pessoal do caso oblÌquo ·tono.
  3. Cpronome pessoal do caso oblÌquo tÙnico.
  4. Dpronome relativo.
  5. Epronome indefinido.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — pronome pessoal do caso oblÌquo tÙnico.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Classificação do Pronome "Ele" no Contexto

Gabarito: letra C. O pronome "ele" em "Está fascinado por ele mesmo, amando." é pronome pessoal do caso oblíquo tônico, pois vem precedido da preposição "por" e exerce função de complemento (objeto indireto) — não de sujeito. A pista decisiva é a preposição: pronomes oblíquos tônicos sempre aparecem acompanhados de preposição, como se lê no trecho: "Está fascinado por ele mesmo".

O Comando

A questão pede a classificação morfológica do pronome "ele" dentro de um trecho específico. Isso é uma questão de gramática aplicada ao texto: não basta saber a lista de pronomes retos e oblíquos; é preciso analisar o contexto para ver se o pronome está funcionando como sujeito (reto) ou como complemento preposicionado (oblíquo tônico). O comando "é um" indica que se busca a classe/subclasse correta, e a resposta depende da função sintática que o pronome exerce na oração.

O Texto e o Trecho

No trecho, o narrador comenta sobre o poeta que está "fascinado por ele mesmo". A expressão "por ele mesmo" é uma locução prepositiva (por + pronome). O pronome "ele" não é o sujeito da oração — o sujeito é o poeta (elíptico: "Ele está fascinado"). O pronome "ele" é o termo regido pela preposição "por", funcionando como objeto indireto do verbo "fascinar" (fascinado por alguém). Essa é a característica clássica do oblíquo tônico: sempre preposicionado, com função de complemento.

A Regra que Decide

Os pronomes pessoais dividem-se em:

Tipo

Formas

Função típica

Exemplo no texto

Retos

eu, tu, ele, nós, vós, eles

Sujeito

"Ele está fascinado" (sujeito)

Oblíquos átonos

me, te, se, o, a, lhe, nos, vos

Complemento sem preposição

"Fascinou-o"

Oblíquos tônicos

mim, ti, si, ele, nós, vós, eles (preposicionados)

Complemento com preposição

"fascinado por ele"

No trecho, "ele" está preposicionado ("por ele"), logo é oblíquo tônico. Se estivesse sem preposição e funcionando como sujeito, seria reto — mas não é o caso.

Análise das Alternativas

Pronomes pessoais
  • 1Retos (sujeito)
    • eu, tu, ele, nós, vós, eles
  • 2Oblíquos átonos (sem preposição)
    • me, te, se, o, a, lhe, nos, vos
  • 3Oblíquos tônicos (com preposição)
    • mim, ti, si, ele, nós, vós, eles
    • Ex.: "por ele", "para mim"
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Alternativa A — ❌ Incorreta

Pronome pessoal do caso reto. O pronome reto exerce função de sujeito (ex.: "Ele está fascinado"). No trecho, "ele" não é sujeito; é complemento regido pela preposição "por". A banca tenta confundir quem reconhece "ele" como forma típica de reto, mas o contexto preposicionado muda a classificação.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Pronome pessoal do caso oblíquo átono. Os oblíquos átonos são formas como me, te, se, o, a, lhe, nos, vos — nunca "ele". Além disso, átonos não vêm preposicionados. "Ele" é uma forma tônica (tem acento próprio), portanto não pode ser átono.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Pronome pessoal do caso oblíquo tônico. O pronome "ele" está precedido da preposição "por" ("por ele mesmo"), formando um complemento preposicionado. Essa é a marca dos oblíquos tônicos: sempre acompanhados de preposição. A função é de objeto indireto (fascinado por alguém). O trecho "Está fascinado por ele mesmo" comprova a classificação.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Pronome relativo. Pronomes relativos (que, quem, o qual, cujo, onde) retomam um antecedente e introduzem oração subordinada adjetiva. "Ele" não retoma termo anterior nem inicia oração relativa; é um pronome pessoal de 3ª pessoa.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Pronome indefinido. Indefinidos (alguém, ninguém, todo, algo, etc.) têm sentido vago e não se referem a uma pessoa específica. "Ele" refere-se claramente ao poeta (3ª pessoa do discurso), portanto é pessoal, não indefinido.

NÃO CAIA NESSA!

A banca aposta na confusão entre reto e oblíquo tônico. Muitos candidatos veem "ele" e marcam "reto" automaticamente, esquecendo que, preposicionado, ele vira oblíquo tônico. A pergunta-chave é: "o pronome está funcionando como sujeito ou como complemento preposicionado?"

PEGA ESSA DICA!

Para classificar pronomes pessoais, sempre verifique a preposição. Se houver preposição antes do pronome (por, para, de, com, etc.), ele é oblíquo tônico — mesmo que a forma seja idêntica ao reto (ele, ela, eles, elas).

Gabarito: letra C.

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