Questão de Português — Pronomes Indefinidos — Avança SP 2024
Português›Pronomes Indefinidos
Código
qg097010
Banca
Avança SP
Órgão
Câmara de Osasco - SP
Ano
2024
Nível
Superior
Leia o texto a seguir para responder à questão.
Púrpura tíria: o pigmento que fedia peixe
podre e custava seu peso em ouro
A púrpura tíria foi um pigmento roxo
criado na Fenícia há 3,5 mil anos e usado por
fenícios, gregos e romanos – bem como por
outras civilizações que vieram depois no
Meditarrâneo – até o século 15. Apesar de ter se
tornado a marca registrada da nobreza, tem uma
origem pouco glamourosa.
Para os padrões da época, sua fabricação
exigia conhecimentos avançados de química e
biologia, e uma matéria-prima exótica: o muco
de moluscos chamados búzios. A extração de 1,4
g de pigmento – quantidade suficiente para tingir
apenas o acabamento de uma única peça de roupa
–, exigia 12 mil búzios.
Na hora de coletar o muco, havia duas
opções: “ordenhar” o bicho, uma opção
trabalhosa, mas sustentável – porque era possível
reaproveitá-los –, ou simplesmente esmagá-los.
O líquido obtido inicialmente é transparente.
Mas, ao ser exposto ao Sol, chega a uma cor
arroxeada.
A tonalidade final da púrpura tíria variava
entre violeta e vinho, a depender da espécie de
búzio, de variações no processo de produção e do
número de vezes que se tingia o tecido. Depois
de prontas, as peças não desbotavam facilmente
– na verdade, conta-se que ficavam mais
brilhantes com o tempo. Até existiam imitações
de baixo custo, mas as peculiaridades do
pigmento original tornavam fácil reconhecê-las.
Uma dessas peculiaridades era o cheiro
insuportável de peixe podre, que impregnava as
vestes por anos. Mesmo as regiões litorâneas
onde a púrpura tíria era produzida acabavam
infestadas pelo fedor dos moluscos macerados
apodrecendo em tanques – não ajudava que
alguns preparos levassem também urina e
fungos.
Mesmo com todo esse processo
desagradável – ou, na verdade, justamente por
causa dele – o pigmento entrou para história como o mais caro já fabricado: chegou a valer
mais do que seu peso em ouro.
Qualquer coisa tingida de púrpura era um
grande marcador de riqueza. Aliás, é por isso que
não existem bandeiras antigas com essa cor: uma
bandeira precisa, por definição, ser facilmente
replicável – coisa que é impossível se você
depende do pigmento mais caro do mundo.
LOBATO, B.Púrpura tíria: o pigmento que fedia peixe podre e custava seu peso em ouro. Revista
Superinteressante (Adaptado). Disponível em <https://super.abril.com.br/historia/purpura-tiria-o-pigmento-que-fedia-peixe-podre-e-custava-seu-peso-em-ouro/>
A palavra “qualquer”, em “Qualquer coisa tingida de púrpura era um grande marcador de riqueza”, é um pronome:
Arelativo.
Bdemonstrativo.
Cpessoal.
Dindefinido.
Epossessivo.
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GabaritoD — indefinido.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Classificação do Pronome "Qualquer"
Gabarito: letra D. A palavra "qualquer" em "Qualquer coisa tingida de púrpura era um grande marcador de riqueza" é um pronome indefinido, pois se refere ao substantivo "coisa" de forma vaga, imprecisa e genérica — não determina qual coisa, mas qualquer uma. O próprio texto reforça essa leitura ao afirmar que "Qualquer coisa tingida de púrpura era um grande marcador de riqueza", ou seja, toda e qualquer peça tingida com o pigmento indicava riqueza, sem especificar qual.
O que o comando pede
A questão é de morfologia: classificar a palavra "qualquer" quanto à classe gramatical. Não se trata de interpretação de texto, mas de reconhecer a classe do pronome no contexto da frase. O comando é direto: "é um pronome:" — e as alternativas listam as subclasses de pronomes. Para resolver, basta saber a definição e os exemplos de cada tipo.
O que é um pronome indefinido
Pronomes indefinidos são aqueles que se referem à 3ª pessoa do discurso de forma vaga, imprecisa ou genérica. Eles não apontam um ser específico, mas indicam quantidade ou identidade indeterminada. Exemplos: alguém, ninguém, todo, outro, certo, vários, qualquer, algo, nada, quem, cada.
No trecho, "qualquer" acompanha o substantivo "coisa" e transmite a ideia de indeterminação: não é uma coisa específica, mas qualquer uma — o que generaliza a afirmação. Essa é a função típica do pronome indefinido.
Por que as outras alternativas estão erradas
A) relativo: pronomes relativos (que, quem, cujo, onde, o qual) retomam um antecedente e ligam orações. "Qualquer" não retoma nada nem liga orações.
B) demonstrativo: pronomes demonstrativos (este, esse, aquele, isto, isso, aquilo) indicam posição no espaço, tempo ou texto. "Qualquer" não demonstra posição.
C) pessoal: pronomes pessoais (eu, tu, ele, nós, vós, eles, me, te, se, o, a, lhe, nos, vos) indicam as pessoas do discurso. "Qualquer" não indica pessoa.
E) possessivo: pronomes possessivos (meu, teu, seu, nosso, vosso, e flexões) indicam posse. "Qualquer" não indica posse.
Pronomes: Relativo (Retoma antecedente, Liga orações); Demonstrativo (Posição no espaço/tempo/texto); Pessoal (Pessoas do discurso); Possessivo (Relação de posse); Indefinido (Refere-se de forma vaga, Generaliza (qualquer, alguém, todo))
Alternativa A — ❌ Incorreta
Pronome relativo é aquele que retoma um termo antecedente e introduz uma oração subordinada adjetiva (ex.: "O livro que comprei"). No trecho, "qualquer" não retoma nenhum termo anterior nem liga orações — ele apenas acompanha o substantivo "coisa" para generalizar. A banca oferece essa opção para confundir quem decora exemplos sem entender a função.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Pronome demonstrativo (este, esse, aquele, isto, isso, aquilo) indica a posição de um elemento no espaço, no tempo ou no texto (ex.: "Este é o meu carro"). "Qualquer" não demonstra posição alguma; ele apenas indetermina o substantivo. A função é totalmente distinta.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Pronome pessoal (eu, tu, ele, nós, vós, eles, me, te, se, o, a, lhe, nos, vos) indica as pessoas do discurso (quem fala, com quem se fala, de quem se fala). "Qualquer" não indica pessoa alguma — é uma palavra invariável que generaliza. Não há qualquer relação com as pessoas do discurso.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Pronome indefinido refere-se à 3ª pessoa de forma vaga, imprecisa ou genérica. No trecho, "qualquer" acompanha "coisa" e transmite a ideia de indeterminação: não é uma coisa específica, mas qualquer uma. O texto confirma essa leitura ao afirmar que "Qualquer coisa tingida de púrpura era um grande marcador de riqueza" — ou seja, toda e qualquer peça tingida indicava riqueza, sem especificar qual. Essa é a função típica do pronome indefinido.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Pronome possessivo (meu, teu, seu, nosso, vosso, e flexões) indica relação de posse (ex.: "Meu carro é novo"). "Qualquer" não indica posse alguma — ele apenas generaliza o substantivo. A banca oferece essa opção para testar se o candidato conhece a lista completa dos possessivos.
NÃO CAIA NESSA!
A banca lista as cinco subclasses de pronomes e espera que o candidato decore exemplos. A chave é identificar a função no contexto: "qualquer" generaliza, não retoma, não demonstra, não indica pessoa nem posse.
PEGA ESSA DICA!
Para classificar um pronome, pergunte: ele retoma algo? (relativo) — demonstra posição? (demonstrativo) — indica pessoa? (pessoal) — indica posse? (possessivo) — ou generaliza? (indefinido). A resposta certa é sempre a que descreve a função real no texto.
Gabarito: letra D — "qualquer" é pronome indefinido, pois generaliza o substantivo "coisa" sem especificá-lo.