Questão de Português — Flexão verbal de tempo (presente, pretérito, futuro) — Avança SP 2024
Português›Flexão verbal de tempo (presente, pretérito, futuro)
Código
qg097200
Banca
Avança SP
Órgão
FUNBEPE
Ano
2024
Nível
Superior
Leia o texto a seguir para responder à questão.
Furto de flor
Furtei uma flor daquele jardim. O
porteiro do edifício cochilava e eu furtei a flor.
Trouxe-a para casa e coloquei-a no copo com
água. Logo senti que ela não estava feliz. O copo
destina-se a beber, e flor não é para ser bebida.
Passei-a para o vaso, e notei que ela me
agradecia, revelando melhor sua delicada
composição. Quantas novidades há numa flor, se
a contemplarmos bem. Sendo autor do furto, eu
assumira a obrigação de conservá-la. Renovei a
água do vaso, mas a flor empalidecia. Temi por
sua vida. Não adiantava restituí-la ao jardim.
Nem apelar para o médico das flores. Eu a
furtara, eu a via morrer.
Já murcha, e com a cor particular da
morte, peguei-a docemente e fui depositá-la no
jardim onde desabrochara. O porteiro estava
atento e repreendeu-me:
– Que ideia a sua, vir jogar lixo de sua
casa neste jardim!
Andrade, C. D.Contos plausíveis. Rio de
Janeiro, José Olympio, 1985. p. 80.
A forma verbal “assumira”, em – eu assumira a obrigação de conservá-la –, poderia ser substituída, sem prejuízo de valor, pela construção verbal:
Ativesse assumido.
Bteria assumido.
Ctinha assumido.
Dhaveria assumido.
Ehavia de assumir.
Revelar gabarito e comentário▾
GabaritoC — tinha assumido.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Flexão Verbal: Pretérito Mais-que-perfeito Simples e Composto
Gabarito: letra C. A forma verbal “assumira” é o pretérito mais-que-perfeito simples do indicativo e pode ser substituída, sem prejuízo de valor, pela forma composta “tinha assumido” (pretérito mais-que-perfeito composto do indicativo), formada pelo verbo auxiliar ter no pretérito imperfeito + particípio. Essa equivalência é regra da gramática normativa: o tempo composto com ter/haver no imperfeito do indicativo equivale ao mais-que-perfeito simples, como se vê no próprio texto: “eu assumira a obrigação de conservá-la” = “eu tinha assumido a obrigação de conservá-la”.
O Comando da Questão
O enunciado pede uma substituição sem prejuízo de valor, ou seja, uma reescritura que mantenha o mesmo tempo, modo e sentido da forma verbal original. Isso não é uma questão de interpretação de texto, mas de gramática aplicada ao texto: é preciso identificar o tempo verbal de “assumira” e encontrar, entre as opções, a construção composta equivalente. A banca testa o conhecimento da correlação entre formas simples e compostas dos tempos verbais.
O Texto e o Contexto da Forma Verbal
No conto “Furto de flor”, de Carlos Drummond de Andrade, o narrador conta, em 1ª pessoa, que furtou uma flor e, por se sentir autor do furto, assumiu a obrigação de conservá-la. O trecho é:
“Sendo autor do furto, eu assumira a obrigação de conservá-la.”
A forma “assumira” está no pretérito mais-que-perfeito simples do indicativo. Esse tempo verbal indica um fato passado anterior a outro fato também passado. No texto, o narrador já havia assumido a obrigação antes de narrar os cuidados com a flor (renovar a água, etc.). A forma composta correspondente é formada pelo verbo auxiliar ter (ou haver) no pretérito imperfeito do indicativo + particípio do verbo principal. Assim:
assumira = tinha assumido (ou havia assumido)
Essa equivalência é pacífica na gramática normativa. O pretérito mais-que-perfeito composto do indicativo é exatamente isso: tinha/havia + particípio. Portanto, a substituição por “tinha assumido” preserva integralmente o valor temporal e aspectual da forma original.
A Técnica que Decide
Para resolver, o candidato deve:
Identificar o tempo e o modo da forma verbal destacada: “assumira” → pretérito mais-que-perfeito simples do indicativo.
Reconhecer a forma composta equivalente: ter/haver no pretérito imperfeito do indicativo + particípio → “tinha assumido” / “havia assumido”.
Descartar as demais, que pertencem a outros tempos/modos:
“tivesse assumido” → pretérito mais-que-perfeito composto do subjuntivo (hipótese, não fato).
“teria assumido” → futuro do pretérito composto do indicativo (hipótese, consequência condicional).
“haveria assumido” → idem, futuro do pretérito composto.
“havia de assumir” → locução verbal com valor de futuro do pretérito (obrigação futura, não passado).
A pegadinha clássica é confundir o mais-que-perfeito composto do indicativo (tinha assumido) com o futuro do pretérito composto (teria assumido). A banca oferece “teria assumido” como distrator, pois muitos candidatos, ao verem a terminação “-ra”, pensam em futuro do pretérito. Mas “assumira” é passado, não hipótese.
1Identificar tempo/modo de 'assumira'
2Reconhecer forma composta equivalente
3Descartar demais tempos/modos
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Alternativa A — ❌ Incorreta
“tivesse assumido” está no pretérito mais-que-perfeito composto do subjuntivo. Esse tempo expressa hipótese, desejo ou condição irreal, não um fato passado. No texto, o narrador afirma que assumiu a obrigação; não há qualquer ideia de condição. A substituição alteraria o modo verbal (de indicativo para subjuntivo) e o sentido (de certeza para possibilidade). Portanto, errada.
Alternativa B — ❌ Incorreta
“teria assumido” está no futuro do pretérito composto do indicativo. Esse tempo expressa hipótese, consequência condicional ou incerteza em relação ao passado. No texto, não há condição; o narrador relata um fato consumado. A troca introduziria um valor hipotético que não existe no original. Errada.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
“tinha assumido” é o pretérito mais-que-perfeito composto do indicativo, formado por ter no pretérito imperfeito + particípio. É exatamente a forma composta equivalente ao mais-que-perfeito simples “assumira”. A substituição preserva o tempo (passado anterior a outro passado), o modo (indicativo) e o sentido (fato consumado). Correta.
Alternativa D — ❌ Incorreta
“haveria assumido” também está no futuro do pretérito composto do indicativo, com o mesmo valor hipotético de “teria assumido”. Não corresponde ao valor factual do original. Errada.
Alternativa E — ❌ Incorreta
“havia de assumir” é uma locução verbal com o verbo haver no pretérito imperfeito + infinitivo, expressando obrigação ou intenção futura em relação ao passado (equivalente a “teria que assumir”). Não indica um fato já consumado, mas uma ação que ainda estava por ocorrer. O sentido temporal é diferente do original. Errada.
Conclusão
A única substituição que mantém o valor de pretérito mais-que-perfeito do indicativo é “tinha assumido”. As demais alternativas ou mudam o modo (subjuntivo) ou introduzem valor hipotético (futuro do pretérito) ou alteram o aspecto (locução de obrigação futura).
PEGA ESSA DICA!
Ao encontrar uma forma verbal terminada em -ra (assumira, fizera, dissera), pergunte-se: é pretérito mais-que-perfeito do indicativo ou futuro do pretérito? No indicativo, o contexto é de fato passado; no futuro do pretérito, há hipótese. A forma composta correspondente ao mais-que-perfeito é sempre tinha/havia + particípio.